Legislativo reconhece mulheres que se destacaram em Novo Hamburgo

por Tatiane Souza última modificação 29/03/2019 08h42
28/03/2019 – A Câmara prestou homenagem concedendo o título de Mulher Cidadã de Novo Hamburgo a 13 personalidades femininas que se destacaram em diferentes áreas. Laureadas por prestarem relevantes serviços à comunidade, as agraciadas foram indicadas pelos parlamentares da Casa e receberam o reconhecimento durante sessão solene realizada na noite de 28 de março no Plenário Luiz Oswaldo Bender. Esta foi a sétima ocasião em que o prêmio foi concedido.
Legislativo reconhece mulheres que se destacaram em Novo Hamburgo

Foto: Daniele Souza/CMNH

A solenidade, que atendeu ao requerimento de 116/2019, foi proposta pela Mesa Diretora 2019, composta pelos Raul Cassel (MDB) – presidente, Gerson Peteffi (MDB) – vice-presidente, Gabriel Chassot (Rede) – primeiro secretário, e Cristiano Coller (Rede) – segundo secretário. Além de Cassel, a prefeita Fátima Daudt compôs a mesa de honra. Entre outras autoridades, prestigiaram o evento o diretor-geral da Câmara, Deiwid Amaral da Luz; Solange e Nelson Koch, representando o deputado estadual Issur Koch, dentre outras autoridades, familiares das homenageadas e comunidade hamburguense. 


Conheça as agraciadas com o título de Mulher Cidadã 2019 

- Michelle Marques Neves (indicada por Cristiano Coller – Rede). Como o vereador esteve impossibilitado de comparecer por questões de saúde, a suplente Lurdes Valim (PRB) entregou a premiação para a homenageada.

- Diones de Fátima Otero Martins Ayres (indicada por Enfermeiro Vilmar – PDT)

- Claudete Schneider (indicada por Enio Brizola – PT)

- Loreni Maria Rosa Pereira (indicada por Felipe Kuhn Braun – PDT)

- Sandra de Oliveira da Rosa (indicada por Fernando Lourenço – SD)

- Sueli Correia Nunes (indicada por Gabriel Chassot – Rede)

- Viviane Konrad (indicada por Gerson Peteffi – MDB)

- Rosângela Inês Endres (indicada por Inspetor Luz – MDB). Como o vereador esteve impossibilitado de comparecer por questões de saúde, a suplente Márcia Glaser (MDB) o representou na solenidade.

- Noêmia Pimentel de Mello (indicada por Patricia Beck – PPS). A homenageada foi representada pelo seu filho Elton Lopes de Mello.

- Marie Traude Schneider (indicada por Raul Cassel – MDB)

- Vali Zang Rossi (indicada por Tita – PP)

- Carmen Lucia Ries (indicada por Sergio Hanich – MDB):

- Terezinha Andelieri da Silva (indicada por Vladi Lourenço – PP) 

Cada parlamentar entregou um quadro de homenagem a sua indicada e destacou os motivos pelos quais concederam a honraria, fazendo um breve histórico de sua atuação pessoal e social.

 Saiba mais 

Título de Mulher Cidadã será entregue nesta quinta 

Conheça as Mulheres homenageadas com o título desde 2004 

O presidente Raul Cassel ressaltou o prazer em homenagear as 13 mulheres da noite, sendo elas lideranças da comunidade e que trazem imensa bagagem comunitária, social, familiar. O presidente da Câmara enalteceu as mulheres que desencadeiam um mundo melhor por meio dos diversos papéis que desempenham na sociedade. “Mulher que pensa pelo coração e que vence pelo amor. Que vive milhões de emoções em um só dia. Mulher que critica, repreende, educa, incentiva e defende. Mulher é coragem, fé, união e exemplo de perseverança. A todas as mulheres de Novo Hamburgo e, em especial, as destacadas nesta noite, e que se esforçam para fazer um mundo melhor, todo meu reconhecimento”, destacou. 





Por que ainda é tão difícil ser mulher no século XXI? 

A mulher do século XXI foi o tema da reflexão proposta pela professora Denise Regina Quaresma da Silva que abriu a solenidade da noite. A palestrante é pós-doutora em Estudos de Gênero, doutora e mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, psicóloga e professora titular e pesquisadora da Universidade Feevale no Programa de Pós-Graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social. 

Denise iniciou sua fala reiterando a capacidade das mulheres de transformar o mundo, valorizar a vida e concretizar uma era de verdadeiro humanismo. Ela discorreu sobre o papel da figura feminina na família, na sociedade e no mundo, em especial, em movimentos pela paz. “Falo como mulher, mãe, cidadã, avó e companheira. Por que ainda é tão difícil ser mulher no século XXI, se somos 51% da população, se mais de 40% das mulheres são chefes de famílias? Se somos a maioria também nas universidades, com 56%,  e se representamos 52% das novas empreendedoras do país?”, indagou professora. Denise citou a Constituição Federal para ressaltar que, embora a igualdade de gênero seja assegurada por lei, na prática, isso não acontece. 

Sabemos que a eclosão dos movimentos feministas no Brasil e no mundo trouxe à tona diversas questões que antes eram jogadas embaixo do tapete nas casas de nossas mães e avós. Uma delas é a violência de gênero, que vem conquistando espaço inclusive na legislação. Os padrões antiquados não cabem mais ao mundo atual. A cultura machista é naturalizada e passa de geração em geração, inclusive pelas mães, que criam diferentemente meninos e meninas”, apontou. Mesmo com leis e decretos, segundo a professora, a violência ainda se propaga porque as mulheres têm dificuldade em adentrar o cenário político e opinar em decisões importantíssimas que dizem respeito as suas vidas. “As mulheres sofrem pela falta de representação política”, disse, complementando que somente em 1932 conquistaram o direito de votar e de serem eleitas. “Isso ecoa até hoje. Na Câmara dos Deputados, somente 10,5% das cadeiras são ocupadas por mulheres e, no Senado, 16%. Somos 52% de mulheres que votam, mas não confiamos em mulheres, não votamos em mulheres e isso reflete o quanto nós também somos machistas”, refletiu. 

Ela destacou, ainda, a força que as mulheres ganharam a partir da criação de políticas públicas específicas e voltadas a esse público. “Em 2018, houve muitas mortes de mulheres e nós nada fizemos. Em 2006, criou-se a Lei Maria da Penha no Brasil, o que aconteceu somente após o país ter sido punido pela Corte Internacional de Justiça – que obrigou a criar medidas que inibissem tantas mortes”, alertou. 

Denise citou pesquisa realizada na qual 59% da população brasileira afirma ter visto uma mulher sendo agredida física ou verbalmente em 2018. Ela lembrou que mulher que não se cala, muitas vezes apanha. E que a violência psicológica é a primeira que se manifesta. “Paz sem voz, não é paz, é medo”, citou a também pesquisadora. Neste sentido, destacou a importância das denúncias de agressões realizadas pelo disque 180 e parabenizou o Município pela inauguração, no dia 27 de março, do Centro de Referência Viva Mulher – que funcionará com equipe multidisciplinar e será mais do que uma casa de acolhimento das vítimas de violência doméstica. 

Neste sentido, a palestrante trouxe dados revelando que os casos de feminicídios vêm crescendo e podem aumentar. “A pena para esse crime varia de 12 a 30 anos. É muito fácil matar uma mulher. O número de mulheres que foram mortas em 2019 é chocante. Ainda temos uma precarização das casas de apoio às vítimas de violência, sendo que 23 foram fechadas. Hoje, somente 74 abrigos estão em funcionamento em todo o Brasil. O número de delegacias de mulheres e núcleos especializados em atendimento às mulheres também caiu”, disparou. 

A dupla jornada de trabalho e o salário menor que muitas vezes as mulheres recebem em comparação a um homem que ocupa o mesmo cargo também foram pautas abordadas pela pesquisadora. Segundo ela, o assédio sexual praticado em algumas empresas é algo que constrange, que se tornou crime, mas com pena máxima de dois anos. Por tudo isso, ela ressalta que só há um caminho a ser trilhado para conquistar um mundo de paz: o da união. “Um mundo onde a mulher possa sair na rua sem ser molestada, que possa decidir sobre o futuro do seu corpo e da sua vida”. 

Para finalizar a explanação, Denise fez um chamamento aos homens: “sensibilizem-se pelos dados. Ao lutar ao lado do direito das mulheres, vocês estão lutando por um mundo melhor para suas filhas, bisnetas e por outras mulheres que sequer ainda nasceram”, disse. A palestrante ainda registrou a justa homenagem realizada pelo título Mulher Cidadã. “Vocês sabem fazer e ensinam outras mulheres a lutarem por um mundo melhor”, parabenizou. 

Prefeita Fátima recebeu o título de Mulher Cidadã em 2014

A prefeita Fátima Daudt, que recebeu a mesma honraria em 2014, usou a palavra para parabenizar as homenageadas e seus familiares. “Nós, mulheres, e os homens ao nosso lado devemos lembrar sempre os números de violência doméstica apresentados pela pesquisadora Denise. Eles são assustadores. Precisamos passar dessa etapa. Nós conseguimos conquistar muitas coisas ao longo do tempo, mas, sem dúvida, temos de avançar muito mais, principalmente aqui no Brasil e na América Latina”, apontou. 

Sobre as 13 mulheres homenageadas na noite, frisou que elas fazem a diferença na sociedade na qual estão inseridas e realizam um excelente trabalho em suas comunidades. “Cada uma faz a sua parte para uma cidade muito melhor. E precisamos disso, pessoas que constroem, com respeito e dedicação. Homens, valorizem as mulheres que vocês têm ao lado, seja esposa, filha ou mãe. Precisamos estar juntos, dar as mãos, para crescermos juntos”. 

Para finalizar, Fátima lembrou que faz parte da Associação dos Municípios do Vale do Rio dos Sinos (Amvrs), que engloba 12 cidades, e que, ao todo, cinco mulheres foram eleitas para chefe do Executivo. “Aqui, já demos um passo a frente”, comemorou. “Que a homenagem desta noite seja uma gotinha no copo de cada uma, porque vocês precisam muito mais”, concluiu.