Abaixo-assinado pelo retorno do CRM pauta participação na Câmara

por Tatiane Souza última modificação 25/03/2026 19h26
25/03/2026 – Representante do coletivo Mulheres Quebrando Tabus, Laudiceia de Abreu Viveiros participou da sessão desta quarta-feira, 25, para apresentar e discutir um abaixo-assinado que solicita o retorno do Centro de Referência da Mulher (CRM), serviço voltado ao acolhimento de mulheres em situação de violência e que está desativado há nove anos em Novo Hamburgo. O convite à tribuna partiu das vereadoras Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP) e Professora Luciana Martins (PT), que compõem a bancada feminina da Câmara.
Abaixo-assinado pelo retorno do CRM pauta participação na Câmara

Foto: Jaime Freitas/CMNH

O Mulheres Quebrando Tabus atua no acolhimento, na escuta e na mobilização de mulheres, especialmente no enfrentamento à violência e na defesa de direitos. Professora Luciana Martins destacou que o coletivo é um espaço importante de apoio, informação e fortalecimento para muitas mulheres de Novo Hamburgo. “O grupo percorreu a cidade, mobilizando homens e mulheres e coletando assinaturas em diferentes espaços. Trata-se de um ato pedagógico, que fortalece a democracia e evidencia a necessidade de um equipamento público voltado às políticas para as mulheres. Ao discutirmos o orçamento, isso precisa estar claro: uma cidade que não protege as mulheres não protege ninguém".

Durante a manifestação na tribuna, Laudiceia apresentou o contexto da mobilização e reforçou a importância do Centro de Referência da Mulher como porta de entrada para o atendimento especializado. Segundo ela, a retomada do serviço é essencial para garantir acolhimento, orientação e encaminhamento.

A representante enfatizou que o coletivo Mulheres Quebrando Tabus atua presencialmente desde julho de 2022. “Realizamos encontros de mulheres e rodas de conversa na região, em espaços potentes e transformadores. A partir deles, percebemos um aumento significativo de relatos e denúncias das mais diversas formas de violência, o que evidencia a necessidade de estruturas permanentes de atendimento”, afirmou.

Laudiceia ressaltou que o movimento também atua por meio das redes sociais e busca suprir lacunas deixadas pelo poder público. “Surgimos por necessidade. A realidade impõe urgência, e a omissão custa vidas. Nosso trabalho é fruto de uma trajetória de luta pela emancipação feminina, baseada no fortalecimento mútuo e no enfrentamento das desigualdades de gênero”, declarou.

Ao abordar o abaixo-assinado, a representante salientou o caráter coletivo da mobilização. “Comprometida com a vida das mulheres, somos centenas de vozes que se materializaram em um documento construído nas conversas difíceis, nas ruas e nas redes. Cada assinatura carrega uma história”, refletiu.

Segundo ela, a iniciativa já reúne 1.216 assinaturas de moradores da região, resultado de um trabalho voluntário realizado em parceria com entidades, sindicatos e coletivos. “Esses números representam uma mobilização concreta da sociedade em prol das mulheres. É a expressão de uma demanda urgente pelo fortalecimento de políticas públicas e de equipamentos de proteção”, pontuou.

Laudiceia também alertou para a necessidade de uma rede estruturada de atendimento. “O CRM é um pilar fundamental da rede de proteção. Quando essa rede falha, o que está em risco são vidas. Uma cidade que não protege suas mulheres não é uma cidade justa nem segura”, disse.

Por fim, apontou que o abaixo-assinado não encerra o processo de mobilização. “Ele inaugura uma responsabilidade. Seguimos coletando assinaturas, com a população atenta e as mulheres organizadas. Há uma pressão social por respostas, e esta Casa tem papel fundamental nesse processo”, concluiu.

Manifestações dos vereadores 

Daia Hanich manifestou apoio ao pleito e ratificou a importância da mobilização do coletivo. “Parabenizo por darem voz a centenas de mulheres e por trazerem visibilidade a essa demanda. A retomada do Centro de Referência da Mulher é um tema urgente, já debatido diversas vezes nesta Casa. Trata-se de um espaço essencial de acolhimento, orientação e segurança para mulheres em situação de vulnerabilidade”.

A vereadora também anunciou articulação política com o deputado estadual Rafael Braga (MDB) para a destinação de emenda de R$ 100 mil destinada ao CRM de Novo Hamburgo, com o objetivo de garantir dignidade, proteção e melhores condições de atendimento no enfrentamento à violência contra a mulher, o feminicídio e a violência vicária.

Por fim, Daia pediu definição de prazos para a implementação do serviço. “Precisamos de uma data concreta para o retorno do CRM”, cobrou.

Deza Guerreiro destacou a relevância do trabalho desenvolvido pelo coletivo. “O Mulheres Quebrando Tabus realiza um trabalho essencial, promovendo o empoderamento feminino por meio da união, da escuta e do apoio entre mulheres. É uma iniciativa que fortalece vozes e contribui para uma sociedade mais justa”, afirmou. A vereadora também enfatizou a importância da mobilização popular. “O Centro de Referência da Mulher é um serviço fundamental, que acolhe, orienta e protege mulheres em situação de violência. Mesmo com o anúncio de retorno por parte do Município, é essencial que a comunidade se mobilize. Cada assinatura demonstra que essa pauta é urgente e prioritária”, declarou. 

A parlamentar ainda fez um apelo à participação da população e ao engajamento dos parlamentares. “Precisamos ampliar essa mobilização, com o apoio dos vereadores, para fortalecer o abaixo-assinado. É importante que a população participe e se envolva. Também precisamos trabalhar com prazos e ter clareza: quando será inaugurado o CRM em Novo Hamburgo?”, questionou. “O retorno do serviço não é apenas necessário; é urgente”, concluiu. 

Eliton Ávila (Podemos) afirmou que o Legislativo tem atuado de forma consistente na pauta das mulheres. “Nesta legislatura, a Casa tem feito tudo o que está ao seu alcance. Em 2025, diversas leis foram aprovadas por vereadores que se somam a essa causa. A mobilização popular, junto ao trabalho do Parlamento, contribuiu para a conquista do Centro de Referência da Mulher para 2026, embora a previsão orçamentária esteja para 2027. Estamos cobrando o Executivo e cumprindo nosso papel para que, já no primeiro semestre, possamos ter a inauguração do serviço com estrutura adequada”.

Enio Brizola (PT) destacou a mobilização social como decisiva para a conquista do CRM. Ele reiterou que o serviço estava previsto apenas para o ano que vem, mas, segundo ele, o anúncio de sua antecipação é resultado direto da mobilização liderada pelo movimento e da coleta de assinaturas. “Essa é uma conquista das lutas coletivas. Contem com nosso apoio, solidariedade e ações para enfrentar esse ciclo de violências, que não é local, mas se repete em todo o país". 

Para assinar o abaixo-assinado, clique aqui.

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