Moção repudia fala do escritor Eduardo Bueno sobre direito de evangélicos ao voto
No vídeo mencionado, Bueno sugere que “evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar no templo, tem que ficar pastando junto com o pastor. Deveria ser proibido evangélico votar. Se eles não votam para pastor, por que eles têm que votar para vereador, para deputado estadual, para deputado federal, para senador, para presidente? Não, eles não têm que votar”, disse o escritor. Foi esse o trecho repudiado pela Moção nº 5/2026.
“Não se trata de mera manifestação de opinião ou crítica política. Ela atinge a dignidade e os direitos políticos da comunidade evangélica brasileira. Independentemente de posicionamento ideológico, defender a retirada do direito de voto de um grupo religioso representa ataque direto à própria base do regime democrático, além de contribuir para a normalização da exclusão de cidadãos em razão de sua fé”, critica o texto, que recebeu também a assinatura dos vereadores Deza Guerreiro (PP), Eliton Ávila (Podemos), Giovani Caju (PP), Ito Luciano (Podemos) e Juliano Souto (PL).
Ao defender a moção, o autor lembrou que a comunidade evangélica representa uma parcela significativa da população brasileira e possui atuação social relevante contribuindo por meio de ações solidárias, apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, recuperação de dependentes químicos e diversas iniciativas comunitárias que visam ao fortalecimento social.
“Esta Casa Legislativa manifesta veemente repúdio às declarações proferidas, reafirmando seu compromisso com a defesa da liberdade religiosa, o respeito à diversidade e a garantia plena dos direitos políticos e civis de todos os cidadãos brasileiros. Defender a exclusão de direitos de qualquer grupo social ou religioso afronta diretamente os princípios constitucionais, compromete a convivência democrática e fragiliza os pilares institucionais do Estado de Direito”, prossegue o documento.
O que é uma moção?
A Câmara se manifesta sobre determinados assuntos – aplaudindo ou repudiando ações, por exemplo – por meio de moções. Esses documentos são apreciados em votação única e, caso sejam aprovados, cópias são enviadas às pessoas envolvidas. Por exemplo, uma moção louvando a apresentação de um projeto determinado no Senado pode ser enviada ao autor da proposição e ao presidente daquela casa legislativa.