A indústria 4.0 é tema de painel do Seminário de Desenvolvimento Econômico

por Jaime Freitas última modificação 13/08/2021 14h53
12/08/2021 - A palestra “Indústria 4.0 em tempos de pandemia: uma alternativa para o desenvolvimento econômico", ministrada pelo professor adjunto da Uergs João Alvarez Peixoto, debateu melhores perspectivas e maior capacidade de adaptação com a adoção de inovações tecnológicas – como computação em nuvem, sensores, softwares de gestão avançada e análise de dados – voltadas aos ambientes industriais em um cenário adverso. O assunto pautou o segundo dia do Seminário de Desenvolvimento Econômico. A live foi transmitida na noite de quinta, 13, pela TV Câmara, canal 16 da Claro/Net, e pelo YouTube da emissora.
A indústria 4.0 é tema de painel do Seminário de Desenvolvimento Econômico

Reprodução/TV Câmara NH

Peixoto é graduado em engenharia elétrica pela Unisinos, Doutor em Automação e Controle pela UFRGS e professor e coordenador do curso de Engenharia de Controle e Automação na Uergs. O painel teve a participação, como debatedor, do diretor do Instituto Senai de Inovação, Victor Gomes, e mediação do professor da IFSul Carlos Alberto Schuch Bork. Promovido pela Comissão de Finanças (Cofin) e pela Escola do Legislativo hamburguense em parceria com diversas entidades, o seminário apresenta até o dia 2 de setembro uma série de debates com o objetivo de pensar alternativas aos diversos setores produtivos em meio à crise gerada pela pandemia da Covid-19. 

"Este evento é bem distinto, porque, para mim, particularmente, reúne três grande amigos. Passamos alguns desafios juntos e teremos aqui uma conversa bem tecnológica", frisou o apresentador e mediador do evento, professor Carlos Alberto Schuch Bork. 

"Queremos aqui discutir como a tecnologia se relaciona com essa capacidade que nós temos em responder a alguns eventos, como o que vivemos nesses tempos de Covid-19. Tecnologias digitais, indústria 4.0, tem tudo a ver com isso. Entender a forma como a indústria, as pessoas respondem aos eventos e como a tecnologia pode ajudar nesse processo", disse o debatedor Victor Gomes, em sua apresentação.

 "Estamos em uma pandemia e não há culpados, ninguém queria vivenciar esse momento, mas qual são as alternativas? É sobre isso que falaremos aqui, até para desmistificar um pouco toda essa questão de indústria 4.0", disse o palestrante, o professor João Peixoto, durante a sua primeira fala.  Peixoto é também pesquisador em aplicação de sistemas multiagentes em manufatura industrial, como forma de auto-organização do sistema produtivo.

O presidente da Câmara, Raizer Ferreira (PSDB), agradeceu pela presença de cada participante e aos painelistas que estão, de forma voluntária, "contribuindo ricamente e com alta qualidade" ao seminário.

"Por que existe a indústria 4.0? E por que precisamos mudar? Essa é a grande questão", iniciou o palestrante. Conforme aponta o professor, as premissas da Indústria 4.0 trazem conceitos de modularização, orientação a serviços e adaptação em tempo real, o que dá ao processo produtivo as características de auto-organização, concedendo mais autonomia para se auto-gerenciar, além de permitir uma troca rápida de funcionalidades, que passam a serem desejadas em um ambiente de manufatura, onde os sistemas convencionais com programação centralizada, sequência definida no controlador central e arranjo de funcionalidades fixas não dão conta de novas demandas fabris. "Se resgatarmos um pouco da história, nós éramos desconectados, com poucos concorrentes, poucos fornecedores de bens de consumo e de serviços. Era muito comum falarmos no comércio local, ou seja, fazia-se o plano de negócios pensando no fator local. Hoje, raramente se pensa nisso, mas no modelo passado concebeu-se um modelo produtivo de acordo com aquele momento", relatou.

"Agora, o mundo está muito mais conectado, e dificilmente, alguém vai fornecer alguma coisa, colocar no mercado um produto, por exemplo, lá na Índia, que não saberemos no outro dia", informa. Na indústria 4.0, a necessidade de reconfiguração e reprogramação do fluxo de processo de manufatura industrial tem por objetivo atender modificações nos produtos com as mudanças atuais dos requisitos de mercado.  "Estas mudanças implicam em alterações no processo de fabricação, o que, em muitos casos, significa alterar o leiaute, reprogramar controladores, modificar acoplamentos e interfaceamentos, entre outros", disse o professor. As lâminas da apresentação sobre a indústria 4.0 podem ser acessadas aqui.

Um internauta, que acompanhava a live pelo YouTube da TV Câmara, demonstrou preocupação com a falta de recursos para a área da ciência. "A necessidade das pessoas e empresas são grandes em tecnologia, mas como fazer as coisas acontecerem, por exemplo, aqui na nossa região com os recursos públicos em ciência e tecnologia sendo cortados pelo governo federal?", escreveu Carlos Gutbier.

O vereador Enio Brizola (PT), também por mensagem no chat do YouTube, disse que as empresas que não se atualizarem tecnologicamente correm o risco da falência, assim como os trabalhadores, que também podem ficar sem o emprego se não dominarem esses processos. "As entidades e instituições precisam andar juntas para criar ambientes a favor do desenvolvimento, e o poder público estar a serviço de gerações de políticas públicas de apoio", colocou o parlamentar.

Lurdes Valim (Republicanos) parabenizou os participantes da live no chat do YouTube, destacando a importância de debater melhorias nos processos industriais. "As indústrias e grandes e pequenas empresas tiveram se reinventar para sobreviver nesta pandemia", escreveu a vereadora.

Confira na íntegra como foi o segundo painel do III do Seminário de Desenvolvimento Econômico:



Para se aprofundar no assunto:

Encarado por muitos executivos como custo ou um item de baixa prioridade, o investimento na indústria 4.0 é revertido em lucratividade, melhores perspectivas e maior capacidade de adaptação do negócio em um cenário adverso como o da pandemia de coronavírus. É o que mostra a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) encomendada ao Instituto FSB Pesquisa. O cruzamento de dados de empresas que adotaram tecnologia da indústria 4.0 com as demais revela que as integrantes do primeiro grupo se saíram melhor da crise.

Entre aquelas que têm até três tecnologias integradas aos processos, 54% já registram, atualmente, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia. O índice cai para 47% nos negócios que ainda não se adequaram à modernidade. A lucratividade já é maior em 29% das empresas industriais que adotaram quatro ou mais tecnologias, percentual quase igual aos 28% entre quem adotou entre uma e três tecnologias e acima dos 25% entre quem não adotou nenhum recurso previsto na chamada indústria 4.0.

A pesquisa revela ainda que a ampla maioria das pequenas, médias e grandes empresas industriais brasileiras (74%) já adotaram ao menos uma tecnologia 4.0. Pouco mais de um terço do total (35%) está em um nível mais avançado, tendo implementado ao menos três diferentes tipos de tecnologia. A mais comum é a computação em nuvem, presente em 52% das empresas, seguida por sensores (36%) e softwares de gestão avançada de produção (33%). A tecnologia 4.0 menos presente é o big data, adotado por apenas 6% das empresas.

Fonte: Agência de Notícias da CNI

Sobre o Seminário

O III Seminário de Desenvolvimento Econômico será composto por seis lives. Os encontros acontecerão de 10 de agosto a 2 de setembro, terças e quintas, sempre às 19h. As inscrições podem ser feitas no portal da Câmara de Novo Hamburgo - Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da Escola do Legislativo. Para receber certificado é necessária inscrição prévia, que só poderá ser realizada após cadastro no AVA. É possível participar enviando comentários e dúvidas aos debatedores por meio do chat na transmissão pelo YoutubeConfira aqui mais informações e a programação.

Saiba mais sobre as edições de 2018 e 2019 do Seminário de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo.