Vereadores aprovam moção de repúdio a atos ocorridos em sessão da Câmara de São Leopoldo

por Luís Francisco Caselani — última modificação 13/07/2026 21h11
13/07/2026 – Os vereadores hamburguenses aprovaram nesta segunda-feira, 13, com os votos contrários da bancada petista, moção de repúdio a atos registrados durante uma sessão ordinária da Câmara Municipal de São Leopoldo, classificados como de violência, intimidação e desrespeito. O documento, de autoria de Joelson de Araújo (Republicanos), reafirma a defesa da integridade do Parlamento e do respeito às instituições democráticas.
Vereadores aprovam moção de repúdio a atos ocorridos em sessão da Câmara de São Leopoldo

Foto: Moris Musskopf/CMNH

A manifestação do vereador tem como base episódio ocorrido durante sessão do Legislativo leopoldense quando um objeto foi arremessado em direção à vereadora Edite (Cigana) durante a votação de projetos que alteram a gestão financeira do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais (IAPS). Conforme cita a Moção nº 42/2026, a autora do ato foi identificada como Rosi Lopes Petersen, vice-presidente do Sindicato dos Professores e Professoras Municipais Leopoldenses (Ceprol).

A sindicalista declarou posteriormente não ter tido a intenção de atingir a parlamentar, afirmando que sua atitude representava um protesto contra os projetos de lei aprovados pela Câmara e que se opõe a qualquer forma de violência. Durante a votação desta segunda-feira, Enio Brizola (PT) solicitou a apresentação de um vídeo no qual Rosi relata ter arremessado pedaços de um cartaz rasgado, mas sem o objetivo de acertar diretamente qualquer vereador.

Para Joelson, independentemente da motivação apresentada, manifestações políticas ou sindicais não podem ultrapassar os limites do respeito institucional. “É inadmissível que atos dessa natureza coloquem em risco a integridade física de parlamentares, servidores ou cidadãos que acompanham as sessões legislativas”, destaca o vereador.

O parlamentar ressalta ainda que a liberdade de manifestação, a organização sindical e o direito ao protesto são garantias constitucionais essenciais ao Estado Democrático de Direito, mas devem ser exercidos de forma pacífica e responsável, respeitando a legalidade, as instituições públicas e a convivência democrática. Joelson reforça a necessidade de condenar qualquer forma de violência ou intimidação como instrumento de manifestação política. “Nenhuma reivindicação, por mais legítima que seja, justifica comportamentos que comprometam a segurança, a ordem ou o regular funcionamento do Poder Legislativo”, afirma.

Além de repudiar o ocorrido, a moção manifesta solidariedade à vereadora Edite (Cigana), destacando que todo parlamentar deve exercer seu mandato com independência, segurança e liberdade, sem sofrer intimidações ou violência em razão de sua atuação política ou institucional. Com a aprovação, a moção será encaminhada agora ao Ceprol, à Câmara de São Leopoldo e à prefeitura do município vizinho.

Votação

Em plenário, foram contrários à moção os vereadores Enio Brizola e Professora Luciana Martins, ambos do PT. Após reproduzir um vídeo do ocorrido, Brizola destacou não poder confirmar um ato que configurasse agressão. “Vocês viram alguma violência, intimidação ou desrespeito? Eu não vi. Mas o texto desta moção é uma condenação. É uma moção que acusa. E aqui ninguém tem provas para confirmar o que nela está escrito”, sinalizou o vereador.

Para Luciana Martins, a moção de repúdio se soma a uma série de ataques feitos a professores em diversos espaços de poder. “O uso do papel picado é uma manifestação puramente simbólica, incapaz de gerar qualquer tipo de lesão ou risco à integridade física de parlamentares, servidores ou cidadãos. A adjetivação desproporcional do protesto desvirtua a realidade fática e criminaliza de forma injusta o direito constitucional à livre manifestação”, reprovou Luciana.

Juliano Souto (PL), por sua vez, saiu em defesa da moção. Em seu relato, mencionou já ter sido vítima de agressões verbais apenas por divergirem de posicionamentos adotados por ele em plenário. “Não podemos defender o indefensável. Nenhuma forma de agressão pode acontecer. As coisas estão ficando piores a cada dia. E infelizmente isso está acontecendo também no nosso meio”, lamentou. “Na minha interpretação, objeto nenhum pode ser atirado”, reforçou Ricardo Ritter – Ica (MDB).

 

Como foi a votação*:

- Votaram a favor (10): Cristiano Coller (PP), Daia Hanich (MDB), Eliton Ávila (Podemos), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Giovani Caju (PP), Ico Heming (Podemos), Ito Luciano (Podemos), Joelson de Araújo (Republicanos), Nor Boeno (MDB) e Ricardo Ritter – Ica (MDB)

- Votaram contra (2): Enio Brizola (PT) e Professora Luciana Martins (PT)

* O presidente Juliano Souto (PL) votaria apenas em caso de empate. Já Deza Guerreiro (PP) está licenciada por motivos de saúde.

 

O que é uma moção?

A Câmara se manifesta sobre determinados assuntos – aplaudindo ou repudiando ações, por exemplo – por meio de moções. Esses documentos são apreciados em votação única e, caso sejam aprovados, cópias são enviadas às pessoas envolvidas. Por exemplo, uma moção louvando a apresentação de um projeto determinado no Senado pode ser enviada ao autor da proposição e ao presidente daquela casa legislativa.

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