TV Câmara NH: Setembro Lilás alerta para importância do diagnóstico precoce e da prevenção do Alzheimer

por Tatiane Souza última modificação 16/09/2026 16h27
16/09/2026 – O programa Vitalidade, que estreou no dia 15 de setembro, recebeu o médico geriatra e nutrólogo Leandro Minozzo, especialista em envelhecimento, Alzheimer e outras demências. Autor de livros sobre saúde, longevidade e o cuidado de pessoas com demência, Minozzo falou sobre os principais sinais da doença, os avanços no diagnóstico e no tratamento, a importância da prevenção e os desafios enfrentados por familiares e cuidadores.
TV Câmara NH: Setembro Lilás alerta para importância do diagnóstico precoce e da prevenção do Alzheimer

Foto: John Wesley/CMNH

Minozzo explicou que demência não é sinônimo de Alzheimer. O termo se refere a um conjunto de sintomas que compromete funções cognitivas e pode interferir na autonomia da pessoa. A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, mas existem outros tipos, como a demência vascular, a demência com corpos de Lewy e a demência frontotemporal.

No caso do Alzheimer, um dos principais sinais é a dificuldade progressiva para guardar informações novas. O médico ressaltou que o mais importante não é apenas a idade, mas perceber quando o esquecimento começa a interferir nas atividades que a pessoa realizava anteriormente ou passa a ser notado por familiares. “Mais importante do que a faixa etária é perceber que o esquecimento está acontecendo e que ele não é normal”, destacou.

O especialista também alertou que nem todo comprometimento da memória significa uma doença neurodegenerativa. Distúrbios do sono, deficiência de vitaminas e depressão, por exemplo, podem provocar alterações cognitivas e precisam ser investigados durante a avaliação médica.

Entre os avanços recentes estão os medicamentos lecanemabe e donanemabe, destinados a pacientes que atendem a critérios específicos e estão em fases iniciais da doença. Outra frente de pesquisa envolve os biomarcadores sanguíneos, que podem auxiliar na identificação de alterações relacionadas ao Alzheimer por meio de exames menos invasivos. Para Minozzo, essas novas ferramentas podem contribuir para antecipar diagnósticos e ampliar as possibilidades de prevenção e tratamento.

Os cuidados com a saúde cerebral também devem começar ao longo da vida, e não apenas na velhice. Atividade física regular, alimentação adequada, sono de qualidade, controle de doenças crônicas, tratamento de perdas auditivas e visuais e estímulo cognitivo estão entre as medidas relacionadas à redução de fatores de risco.

Segundo o médico, estudos recentes identificaram 14 fatores de risco modificáveis associados às demências. A prevenção, portanto, envolve hábitos e cuidados que devem ser adotados desde a vida adulta. “Hoje, em termos de revoluções, a revolução da prevenção é o que mais avançou. Falar em prevenção de Alzheimer é uma realidade”, afirmou.

O impacto da doença também alcança familiares e cuidadores. A redução da rede de apoio, a dificuldade de conciliar trabalho e assistência e a falta de acesso a serviços especializados podem aumentar a sobrecarga de quem acompanha uma pessoa com demência. Minozzo defendeu a ampliação de centros de convivência e centros-dia, onde a pessoa com Alzheimer possa receber cuidados e estímulos durante parte do dia, enquanto o familiar dispõe de tempo para trabalhar, descansar ou cuidar de outras atividades.

A Lei nº 14.878, de 2024, instituiu a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências. A legislação prevê ações de conscientização, diagnóstico oportuno, capacitação de profissionais e apoio às pessoas com demência, familiares e cuidadores.

Minozzo participou da articulação que levou à criação da política nacional e também comentou iniciativas desenvolvidas no Rio Grande do Sul e na região do Vale do Sinos. Entre elas, citou o plano estadual de cuidado integral em demências e o programa “60 Minutos para o Cérebro”, desenvolvido em Dois Irmãos, que amplia o tempo de atendimento no SUS para pessoas com suspeita de demência.

Texto de John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.

Assista ao programa na íntegra: