TV Câmara NH: CRM retoma atendimentos e reforça rede de proteção às mulheres em Novo Hamburgo

por Daniele Silva última modificação 17/09/2026 19h54
17/09/2026 – O programa Por Elas, que estreou dia 16 de setembro, recebeu a coordenadora do Centro de Referência da Mulher (CRM), Aline Rovaris, e a advogada Gisele Mello, orientadora jurídica do serviço. As convidadas explicaram o funcionamento do acolhimento, o papel da rede de proteção e os caminhos disponíveis para quem sofre violência de gênero em Novo Hamburgo.
TV Câmara NH: CRM retoma atendimentos e reforça rede de proteção às mulheres em Novo Hamburgo

Foto: Tatiane Lopes/CMNH

Em menos de dois meses após a reabertura, o CRM já realizou 258 atendimentos a 51 mulheres. "Normalmente a violência psicológica inicia o ciclo, que vai se escalonando e perpassando pela violência patrimonial, moral e, por vezes, chegando à física", alerta Aline.

O serviço é especializado no enfrentamento à violência de gênero, voltado a moradoras de Novo Hamburgo com 18 anos ou mais. Filhos de até 14 anos também são acolhidos junto às mães. O atendimento ocorre, sem agendamento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. A reinauguração ocorreu em 21 de julho, após mobilização da Rede Lilás, da Câmara de Vereadores, da sociedade civil e do Movimento de Mulheres. A equipe é multiprofissional e reúne psicóloga, assistente social, enfermeira, técnica de enfermagem e orientação jurídica. "O acesso se dá independentemente de boletim de ocorrência ou medida protetiva", acrescenta Gisele.

A escuta qualificada, segundo as convidadas, parte do princípio de não culpar a mulher. Gisele ressalta a importância da não revitimização: a articulação interna entre os serviços evita que a assistida precise repetir sua história a cada novo atendimento. O CRM oferece orientação jurídica sobre guarda dos filhos, pensão alimentícia, medidas protetivas e conflitos familiares. Quando a renda ultrapassa o teto da Defensoria Pública, o encaminhamento é buscar advogado particular — lacuna que o serviço ainda não consegue suprir. Já a medida protetiva pode ser requerida na Defensoria mesmo sem boletim de ocorrência e sem critério de renda, inclusive em casos de violência praticada por pessoa próxima, não apenas em relações afetivas ou familiares.

Vinculado à Secretaria de Saúde, o CRM atua de forma tripartite — saúde, assistência social e segurança pública. O diferencial é acolher mulheres em situação de violência sexual até 72 horas, com profilaxias, contracepção imediata e testes rápidos, sem substituir encaminhamentos clínicos ou perícia médica. O órgão também realiza notificações obrigatórias à vigilância, essenciais para dimensionar a realidade do município e embasar políticas públicas. A articulação com Defensoria Pública, Ministério Público, CRAS, CREAS, saúde e educação é feita caso a caso, com contato direto entre profissionais. Aline também defende os grupos reflexivos de gênero, previstos na Lei Maria da Penha, como espaço de ressignificação de comportamentos aprendidos social e transgeracionalmente.

O CRM fica na rua 25 de Julho, número 326, no bairro Rio Branco, em Novo Hamburgo. O atendimento é sigiloso, respeitoso e sem julgamento, e não exige rompimento do relacionamento ou qualquer tipo de denúncia prévia. "Se você tem dúvida, se há uma pulga atrás da orelha, procure o serviço. Essas dúvidas podem salvar muitas vidas", incentiva Aline.

*Texto de John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.


Assista ao programa na íntegra: