TV Câmara – Mês de outubro é marcado por campanha de combate à sífilis congênita

por Tatiane Souza última modificação 29/10/2019 10h17
29/10/2019 – O Vitalidade que foi ao ar na última terça-feira, 22, teve como tema o Outubro Verde, campanha dedicada ao combate à sífilis congênita. Dados do boletim epidemiológico de sífilis de 2018 do Ministério da Saúde apontaram aumento no número de casos da doença no Brasil em todos os cenários da infecção. Em 2017, foram notificados 24.666 casos do tipo congênito, uma taxa de incidência de 8,6 casos para cada 1.000 nascidos vivos no país. As regiões sul e sudeste apresentam as maiores taxas, ambas acima da média nacional. A entrevista foi realizada com a médica Maria de Lourdes Pereira Jager, especialista em pediatria e professora do curso de medicina da Universidade Feevale.
TV Câmara – Mês de outubro é marcado por campanha de combate à sífilis congênita

Foto: Maíra Kiefer/CMNH

Confira a entrevista na íntegra no Facebook da TV Câmara  e também do canal da TV Câmara no Youtube.

Tipos de sífilis 

Maria de Lourdes explicou que a sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum e que pode ser transmitida de uma pessoa contaminada para outra durante o sexo – vaginal, anal ou oral – sem o uso do preservativo ou da mãe para o bebê pela via placentária, a sífilis congênita. A doença é a principal causa de morte fetal evitável em todo o mundo. 

Ela também relatou que a enfermidade se manifesta no corpo humano em diversos estágios. O primário se trata de uma lesão nos órgãos genitais, que aparece em torno de 21 dias após a relação sexual desprotegida. Essa lesão não coça, não incomoda e se cura facilmente, por isso é muitas vezes ignorada. Mas a pessoa continua infectada. O secundário é quando manifestações físicas como lesões de pele, que muitas vezes são tratadas como reações alérgicas, principalmente na palma dos pés e das mãos, dorso e abdômen, que também desaparecerão espontaneamente. Tem duração de seis semanas a seis meses. Após, vem o estágio de latência. Pode não apresentar sintoma nenhum e ficar décadas assim, embora continue transmitindo a doença. Já o estágio terciário da sífilis apresenta sintomas graves relacionados a alterações neurológicas, cardiovasculares ou ósseas”, explicou. Segundo Maria de Lourdes, a maior causa de a doença ainda afetar a população é a falta de informação. 

Sífilis congênita 

A especialista apontou que a patologia pode ser prevenida, caso a gestante faça o acompanhamento pré-natal de forma adequada, oferecido, inclusive, pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde. “A forma de detecção é simples, por meio de exame de sangue conhecido como VDRL no primeiro e terceiro trimestres de gestação”, explicou. A médica destaca que é uma patologia que pode ser prevenida, caso o diagnóstico seja feito na gestante e seja administrado o tratamento adequado, a base de penicilina. Segundo ela, o índice de transmissão da mãe para o bebê é muito alto. “Entre 60% e 80% das gestantes que são portadoras de sífilis a transmitem para o feto”, disse. 

O abortamento é a principal implicação para a gestante contaminada. “Se a mãe não for diagnosticada e tratada durante a gravidez, o bebê pode nascer com sífilis congênita – uma doença grave, que traz desde lesões de pele até alterações ósseas e meningite sifilítica, e faz como que o bebê possa vir a óbito nos primeiros meses de idade. O recém-nascido requer uma série de cuidados e exames. A mãe e o parceiro também devem receber tratamento médico”, finalizou. 

Assista ao programa completo:

Vitalidade

O Programa Vitalidade vai ao ar desde 2012 pela TV Câmara, canal 16 da Net, e aborda assuntos relacionados à saúde, qualidade de vida, bem-estar e comportamento. Ele é apresentado pela jornalista Tatiane Lopes. Sugestões de pautas para serem abordadas pelo programa podem ser enviadas para o e-mail tv@camaranh.rs.gov.br.

* Texto de Kassiane Michel, estagiária de Jornalismo na Assessoria de Comunicação da Câmara.

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