Técnicos detalham recomposição do dique do Santo Afonso após enchentes de 2024
Autora do requerimento, Luciana afirmou que o debate durante a sessão plenária tem como objetivo trazer informações sobre a obra realizada no sistema de contenção do bairro Santo Afonso, especialmente diante do evento climático ocorrido em 2024. “Toda obra feita com recurso público precisa ser dialogada com a cidade. E é fundamental estarmos mobilizados e comprometidos com a manutenção desse sistema de contenção”, afirmou.
Segundo o relatório apresentado pelo diretor, a obra foi concluída em fevereiro de 2026, com a emissão do Termo de Recebimento Definitivo. O documento aponta que a estrutura está recomposta, estável e sem indicativos técnicos de risco de ruptura. O contrato 186/2024 foi assinado em dezembro daquele ano com a Defesa Civil Nacional e previa o restabelecimento do dique conforme o projeto original, elaborado no final da década de 1970.
Ao todo, foram recompostos cerca de 2,6 quilômetros da estrutura, em trechos que vão da Casa de Bombas do Santo Afonso até a avenida Pedro Adams Filho. Entre os serviços realizados estão remoção de solo orgânico, reforço estrutural com argila importada, retaludamento, alteamento da cota do dique, recuperação de bermas e recolocação de brita na crista da estrutura.
De acordo com Machado, foram várias etapas de trabalho, que exigem tempo e fiscalização contínua, além de grande responsabilidade tanto para os servidores quanto para os gestores da Smopi. Com a conclusão da obra em fevereiro deste ano, hoje não há indicativo técnico de risco de ruptura da estrutura. O diretor salientou, no entanto, que estruturas têm limites diante de eventos climáticos extremos e que a Prefeitura realiza monitoramento contínuo para garantir a segurança da população.
Por fim, ele alertou para a importância de combater a desinformação e de levar informações técnicas à população para evitar insegurança na comunidade.
Também estiveram presentes os engenheiros Dalmar Verdade, diretor de Obras Públicas; Gabriel Roballo, diretor de Águas Pluviais; e Wagner de Oliveira, diretor de Pavimentação. Ao longo do debate, eles responderam a questionamentos dos vereadores.

Manifestação dos vereadores
O presidente Juliano Souto (PL) questionou sobre os ensaios granulométricos do material utilizado no sistema de proteção. Dalmar Verdade garantiu que os testes foram realizados a cada quilômetro da obra e informou que novos ensaios deverão ser feitos, já que a estrutura possui garantia de cinco anos.
Deza Guerreiro (PP) agradeceu pelas informações apresentadas aos vereadores durante visita técnica realizada no final de abril. Ela também perguntou sobre a possibilidade de construção de uma estrutura de concreto. O engenheiro Dalmar explicou que, à época da construção, foi escolhida a utilização de argila, provavelmente em razão do custo mais baixo. Ele lembrou ainda que Novo Hamburgo possui outro dique desse material na avenida Alcântara, que também necessita de melhorias.
Luciana Martins questionou em qual trecho ocorreu o solapamento, se houve tratamento diferenciado na área e sobre a possibilidade de elevação da cota do dique. Dalmar explicou que a erosão ocorreu no lado de São Leopoldo e que a prefeitura do município vizinho realizou o conserto e o reforço da estrutura na área afetada. Informou ainda que o dique teve elevação de cerca de 70 centímetros no primeiro 1,4 quilômetro, iniciando na divisa municipal.
Cristiano Coller (PP) perguntou sobre a reconstrução da passarela entre a rua Presidente Neves e a avenida Nações Unidas, já que atualmente os moradores precisam caminhar cerca de 800 metros para atravessar de um lado ao outro do arroio. Os técnicos afirmaram que não há projetos no momento, pois a antiga ponte comprometia a estrutura do dique.
Daia Hanich (MDB) ressaltou a necessidade de tranquilizar os moradores do bairro diante da previsão de novas chuvas e perguntou sobre o funcionamento das bombas. O engenheiro Gabriel Roballo afirmou que existem seis bombas axiais e duas anfíbias, constantemente em manutenção, mas lamentou que os inúmeros resíduos depositados na bacia de contenção prejudiquem o funcionamento dos equipamentos.
Eliton Ávila (Podemos) questionou sobre a possibilidade de o município executar um projeto para ampliar a capacidade de proteção do sistema e qual seria o custo. Dalmar lembrou que, em alguns trechos, o dique possui base de cerca de 40 metros e que houve ampliação da altura em determinadas áreas. No entanto, afirmou que não há possibilidade de realizar um investimento dessa magnitude sem aporte do Estado e sem ampliação da estrutura em toda a região.
Enio Brizola (PT) perguntou como foi feita a atualização do projeto original e mencionou uma proposta da Prefeitura, baseada em estudo da Metroplan, para melhoria do sistema de contenção em toda a cidade.
Giovani Caju (PP) elogiou o trabalho realizado pela Defesa Civil do município e enfatizou o desserviço causado pela desinformação.
Joelson de Araújo (Republicanos) questionou sobre o monitoramento hídrico ao longo do sistema de proteção. Gabriel Roballo citou a existência de estudos para a automatização da casa de bombas, mas destacou a complexidade da operação, especialmente pela quantidade de resíduos depositados na bacia.
Ricardo Ritter – Ica (MDB) lembrou os diversos alagamentos ocorridos na região devido ao mau funcionamento da casa de bombas. O engenheiro responsável garantiu que os problemas registrados no passado foram solucionados e que hoje há operador 24 horas por dia, além de funcionários de sobreaviso e equipamentos disponíveis para atuar na região.
Já o vereador Felipe Kuhn Braun (PSDB) pediu explicações sobre a situação das casas que ainda existem no local. Machado frisou que se trata de uma demanda intersetorial e destacou o papel da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação e da Caixa Econômica Federal na remoção das famílias que residiam na área.
Ao finalizar o debate, Professora Luciana Martins comunicou que todo o material disponibilizado pela secretaria ficará acessível no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo.
Caíque Machado informou ainda que existem estudos do Governo do Estado com análise macro em busca de uma solução que contemple toda a bacia hidrográfica do Rio dos Sinos. Ele enfatizou que todas as ações realizadas pelo setor são de domínio público e que os servidores estão à disposição para responder aos questionamentos da população. “Acho fundamental que nossos documentos estejam disponíveis aos cidadãos”, pontuou.