Simers critica atuação de guarda e alerta para hostilidade contra médicos

por Daniele Silva última modificação 28/04/2026 16h59
28/04/2026 – A prisão de um médico por um guarda municipal, ocorrida no final de março na UPA Centro, segue repercutindo na Câmara. Na manhã desta segunda-feira, 27, o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, participou da reunião da Comissão de Saúde (Cosde) da Casa para abordar as providências que estão sendo tomadas pela instituição. Segundo o representante da categoria, o episódio é fruto do despreparo do agente de segurança envolvido, além de refletir uma cultura recente de exposição dos profissionais da medicina, o que tem aumentado a animosidade da população, especialmente em razão do tempo de espera em ambientes superlotados.
Simers critica atuação de guarda e alerta para hostilidade contra médicos

Fotos: Daniele Souza/CMNH

Matias explicou os critérios de prioridade no atendimento e defendeu as ações da Secretaria de Saúde de Novo Hamburgo para aprimorar o atendimento e a segurança nas UPAs. Segundo ele, o encaminhamento de pacientes de baixa urgência para as unidades básicas de saúde (UBSs) deverá desafogar as unidades de pronto atendimento.

O presidente garantiu que o sindicato sempre defendeu a presença de guardas municipais nas unidades de saúde, mas considerou inadequada a atuação do agente envolvido no incidente. “A função da Guarda não é avaliar o atendimento, mas garantir a segurança do local”, afirmou. Ele acrescentou que a entidade ingressará com ação cível e criminal contra o agente e deverá cobrar a abertura de processo administrativo contra o servidor por abuso de poder e lesões corporais.

Para o médico, a postura de parlamentares que publicam vídeos expondo profissionais e pacientes, supostamente em busca de engajamento, contribui para um ambiente de trabalho hostil e aumenta a animosidade contra a categoria.

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Em contraponto à fala do presidente do Simers, o diretor da Guarda Municipal, Emerson Ednei Lopes, defendeu a formação da corporação e alegou que houve desacato por parte do médico. Lopes, que relatou ter atuado por três anos na UPA Canudos, destacou as dificuldades de um único profissional da Guarda garantir a segurança em um espaço onde circulam diariamente mais de mil pessoas.

Na avaliação do gestor, é muito oneroso para o Município formar um agente para deixá-lo fixo em uma unidade de saúde. “Deveríamos estar discutindo as boas práticas entre as duas categorias”, ressaltou o diretor.

Eliton Ávila (Podemos), secretário da Cosde, avaliou que é preciso ouvir os dois lados e cobrar também dos médicos o cumprimento de horários.

Citado pelo presidente do Simers, o relator Joelson de Araújo (Republicanos) fez diversos questionamentos ao sindicalista e levantou a hipótese de um possível boicote no atendimento a pacientes levados pela Guarda Municipal. O presidente da comissão, Ico Heming (Podemos), também fez indagações sobre o atendimento a vítimas de violência e os horários de intervalo durante os plantões.

Matias explicou que a prioridade no atendimento segue os critérios do Sistema Manchester de Classificação de Risco, feito pela equipe de enfermagem. Ele defendeu que os médicos não têm a obrigação de realizar exame de corpo de delito, atribuição que, segundo ele, cabe ao Departamento Médico Legal do Estado. Também esclareceu a diferença entre o Simers e o Conselho Regional de Medicina (Cremers), responsável pela fiscalização da atuação médica.

Acompanhando a reunião, a vereadora Professora Luciana Martins (PT) apresentou a resposta a um requerimento enviado ao Executivo sobre a inexistência de protocolos definidos para a atuação de agentes de segurança nas unidades de saúde. Por fim, convidou os representantes do Simers para uma audiência pública, a ser realizada pela Comissão de Direitos Humanos (Codir), com o objetivo de debater os problemas da saúde no município.

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O que são as comissões?

A Câmara conta com oito comissões permanentes, cada uma composta por três vereadores. Essas comissões analisam as proposições que tramitam pelo Legislativo. Também promovem estudos, pesquisas e investigações sobre temas de interesse público. A Lei Orgânica Municipal assegura aos representantes de entidades da sociedade civil o direito de participar das reuniões das comissões da Casa, podendo questionar seus integrantes. A Cosde se reúne semanalmente às segundas-feiras, às 11h20, no Plenarinho Pedro Thön, no andar térreo do Palácio 5 de Abril.