Rua de Canudos deve receber o nome do professor Cícero Teixeira Júnior

por Daniele Silva última modificação 13/04/2026 19h52
13/04/2026 – Orientador educacional da Fundação Liberato por mais de 30 anos, Cícero Marcos Teixeira Júnior deve ter seu nome eternizado não apenas na memória dos milhares de estudantes que percorreram nas últimas décadas os corredores da escola técnica do bairro Primavera. Projeto de lei aprovado por unanimidade nesta segunda-feira, 13, batiza em sua homenagem a rua 10 do loteamento popular Arroio Pampa, em Canudos. A matéria, assinada pelo vereador Eliton Ávila (Podemos), ainda retorna à pauta na sessão desta quarta, 15.
Rua de Canudos deve receber o nome do professor Cícero Teixeira Júnior

Foto: Moris Musskopf/CMNH

Nascido em Porto Alegre em 31 de março de 1961, Teixeira iniciou sua trajetória docente em Alvorada, assumindo uma turma de primeira série ainda aos 18 anos. “Com dedicação e sensibilidade, conseguiu alfabetizar 90% dos alunos, um feito que marcou o início de uma vida inteira dedicada ao ensino”, relembra o proponente. Nos anos seguintes, já matriculado no curso de pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalharia ainda em Canoas e em sua cidade natal, onde seria convidado pelo então prefeito Olívio Dutra a coordenar as escolas infantis de centros comunitários.

Em 1990, prestou concurso público para o cargo de orientador educacional da Fundação Liberato. Nomeado em abril do mesmo ano, permaneceria vinculado à instituição até seu falecimento, em 2023. “A partir de então, Novo Hamburgo conhece um educador que deixaria uma marca profunda. Com empenho, ética e sensibilidade, ajudaria a fortalecer a autoestima, o respeito e o prestígio do curso de eletrotécnica e de seus alunos perante a comunidade escolar”, destaca Eliton Ávila.

“Além de sua atuação como orientador educacional, Cícero também contribuiu com a incubadora de projetos da Fundação Liberato, incentivando a inovação, o empreendedorismo e a inclusão social. Foi coordenador do curso de eletrotécnica e participou ativamente da Mostratec, orientando diversos trabalhos científicos. Mesmo durante o tratamento contra um câncer, diagnosticado em 2019, continuou acompanhando alunos e famílias, mantendo viva sua paixão pelo ensino e seu compromisso com a formação humana”, prossegue o autor.

Pai de três filhos, Professor Cícero perderia a batalha contra o câncer em 6 de novembro de 2023, dando fim a uma trajetória marcada pelo amor ao conhecimento e à capacidade transformadora da educação. “E deixando um legado de ética, dedicação e humanidade que permanece vivo na memória de colegas, alunos e familiares”, conclui o parlamentar.

Na tribuna, o autor Eliton Ávila destacou a votação do projeto um dia após o aniversário de 59 anos da Fundação Liberato. “O professor, além de construir pontes, deixa legados. E o professor Cícero deixou um legado na causa em que acreditava e, acima de tudo, em seus alunos. O que motivou esta homenagem foi um ex-aluno, que nos apresentou sua história, sua trajetória e a crença que ele tinha em seus estudantes, na instituição e nos colegas de trabalho”, declarou Ávila.

Professora Luciana Martins (PT) ressaltou a importância de que a placa contenha a identificação da profissão de Cícero, destacando também a relevância de preservar e divulgar a história de luta do educador.

Já Enio Brizola (PT) afirmou que teria orgulho de morar em uma rua que homenageia um professor tão engajado e admirado, não apenas pelos estudantes do curso de Mecânica, mas por toda a comunidade da Fundação Liberato.

Representando a família, o filho do homenageado, Rodrigo Teixeira, disse sentir-se honrado em participar desse momento simbólico, que celebra, revive e eterniza a trajetória do pai como educador. Segundo ele, Cícero escolheu Novo Hamburgo e, especialmente, a Fundação Liberato para dedicar a maior parte de sua vida ao que nasceu para ser: um professor com coração de estudante.

De forma poética, Rodrigo relembrou a trajetória do pai, desde sua atuação na educação infantil até as mais de três décadas dedicadas à Liberato. Destacou ainda como um de seus maiores feitos pedagógicos a criação do Trio Eletro, equipe formada para a tradicional gincana da instituição, que promoveu união, pertencimento e coragem entre os alunos. “Cícero ensinava eletricidade, mas, sobretudo, acendia e também era aceso por tantas pessoas. A Liberato e todos que fazem parte desta instituição estenderam a vida do meu pai, deram sentido à sua existência e o tornaram o professor que ele nasceu para ser”, afirmou.

Na tribuna de honra, acompanharam a votação a esposa, Rejane Almeida; a irmã, Oda Oliveira; o ex-aluno Cleo Pereira; e o diretor da Fundação Liberato, José de Souza.

Leia na íntegra o Projeto de Lei nº 24/2026.

 

A aprovação em primeiro turno

Na Câmara de Novo Hamburgo, os projetos são sempre apreciados em plenário duas vezes. Um dos objetivos é tornar o processo (que se inicia com a leitura da proposta no Expediente, quando começa sua tramitação) ainda mais transparente. O resultado que vale de fato é o da segunda votação, geralmente realizada na sessão seguinte. Assim, um projeto pode ser aprovado em primeiro turno e rejeitado em segundo – ou vice-versa.