Por Elas debate prevenção, acolhimento e denúncia da violência sexual contra crianças e adolescentes
Neste contexto, ações de conscientização e enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, como a campanha #MaioLaranja, buscam chamar atenção para uma realidade que, muitas vezes, acontece dentro do próprio ambiente familiar. Além de informar sobre as diferentes formas de violência, também orientam sobre como identificar sinais, acolher vítimas e denunciar os crimes.
Diante desse cenário, o programa Por Elas, apresentado pela jornalista Daniele Souza e exibido pela TV Câmara NH, canal 16 da Claro e pelo YouTube.com/TVCamaraNH, abordou o tema com a participação da assistente social e fundadora do Movimento Acolha Penélope, Graziela Pruch Gonçalves. A edição também contou com uma entrevista do defensor público da Infância e Juventude de Novo Hamburgo, Sérgio Monteiro, que destacou a importância da denúncia, da escuta qualificada e da atuação em rede na proteção de crianças e adolescentes.
Graziela explicou que o movimento nasceu após a morte da filha, Penélope, adolescente vítima de violência sexual. A jovem morreu em um acidente de trânsito enquanto aguardava acolhimento especializado na rede de proteção. Movida pelo sentimento de injustiça e pela necessidade de evitar que outras famílias enfrentem situações semelhantes, Graziela transformou o luto em mobilização, criando um movimento voltado à defesa de políticas públicas de proteção à infância e adolescência.
Outro ponto abordado durante o programa foi a identificação de sinais de alerta de violência e abuso. A assistente social destacou que mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo excessivo, alterações emocionais, queda no rendimento escolar e comportamentos incomuns podem indicar situações de violência e merecem atenção de familiares, educadores e responsáveis. A assistente social reforçou ainda a importância da escuta acolhedora, especialmente porque muitas crianças e adolescentes apresentam dificuldades para verbalizar situações de abuso.
Ao ser questionada sobre os impactos da violência sexual no desenvolvimento de crianças e adolescentes, Graziela explicou que os abusos podem deixar marcas profundas, afetando diretamente o comportamento e o desenvolvimento das vítimas. Segundo ela, algumas crianças podem se tornar mais agressivas, enquanto outras tendem ao isolamento e à introspecção, evidenciando sinais de sofrimento emocional.
O defensor público da Infância e Juventude de Novo Hamburgo, Sérgio Monteiro, ressaltou que, na maioria dos casos, os abusos ocorrem dentro do ambiente familiar, tornando ainda mais delicado o processo de denúncia e acolhimento. Monteiro explicou que postos de saúde, escolas, unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) costumam ser os primeiros espaços procurados pelas famílias. Por isso, segundo ele, é fundamental que esses locais estejam preparados para acolher vítimas e familiares com sensibilidade e escuta qualificada.
O defensor também destacou que muitas pessoas chegam aos serviços com receio de relatar o que aconteceu, reforçando a importância de um atendimento humanizado, capaz de oferecer segurança às vítimas e familiares. Além da responsabilização dos agressores, Sérgio Monteiro salientou que o trabalho preventivo também é essencial para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. Graziela também reforçou a importância de validar aquilo que é relatado pelas vítimas. "Acolher a fala dos jovens com atenção e seriedade é um passo fundamental para identificar situações de violência, romper o silêncio e fortalecer a rede de proteção", reforçou.
Em situações de violência, denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, pelo 190 da Brigada Militar ou diretamente ao Conselho Tutelar. A denúncia é essencial para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas.
Assista ao programa na íntegra
Texto: John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da CMNH.