Oncologista destaca importância do diagnóstico precoce e os avanços no tratamento do câncer de mama

por Tatiane Souza — última modificação 04/11/2026 18h38
04/11/2026 – O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78.610 novos casos no país. A importância do diagnóstico precoce, os fatores de risco e os avanços nos tratamentos foram alguns dos assuntos abordados no programa Vitalidade. Nesta edição, a jornalista Tatiane Lopes entrevistou a médica oncologista Daniela Lessa, professora da Universidade Feevale, diretora da OncoSinos e presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo.
Oncologista destaca importância do diagnóstico precoce e os avanços no tratamento do câncer de mama

Foto: Maíra Kiefer/CMNH

Daniela ressaltou que, apesar do avanço das campanhas de conscientização, como o #OuturboRosa, muitas mulheres ainda negligenciam alterações nas mamas por medo ou falta de informação. A presença de nódulos, espessamentos ou mudanças na pele e nas axilas deve ser investigada por um profissional de saúde, mesmo quando a mamografia recente não apresenta alterações. A oncologista também reforçou a importância da mamografia como principal exame para o rastreamento da doença, explicando que o autoexame e a ultrassonografia não substituem sua realização. Para mulheres com risco habitual, por questões genéticas, a recomendação é iniciar o acompanhamento aos 40 anos, com exames periódicos. A prática de atividades físicas, a alimentação equilibrada, a redução do consumo de álcool e a não utilização de implantes hormonais sem indicação médica também foram destacados como cuidados preventivos.

Outro tema abordado foi a demora para a realização do tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora a conscientização e o acesso aos exames tenham avançado, ainda existem atrasos significativos para o início do atendimento especializado. A situação de Novo Hamburgo também foi discutida, já que pacientes que dependem do SUS precisam se deslocar até Taquara para realizar o tratamento. Segundo a oncologista, a transferência não melhorou a assistência, pois não foi acompanhada de investimentos na estrutura e nos serviços oferecidos.

A entrevista também abordou as possibilidades de tratamento, definidas conforme as características de cada tumor. Entre as opções estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Daniela destacou que os avanços científicos têm aumentado a sobrevida das pacientes, inclusive nos casos de doença avançada.

Na parte final do programa, a presidente da Liga apresentou o trabalho da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo, que há 42 anos oferece apoio a pessoas diagnosticadas com a doença. Atualmente, a entidade atende mais de 500 pacientes por mês, com serviços de assistência psicológica, fisioterapia, orientação nutricional, assistência social, visitas domiciliares, cestas básicas e fornecimento de medicamentos e alimentação complementares ao tratamento.

A instituição também promove atividades de arteterapia e inclusão digital, além de contar com iniciativas de arrecadação, como o brechó, eventos beneficentes e campanhas de doação. Pessoas interessadas em colaborar como voluntárias ou contribuir financeiramente podem procurar a sede da Liga, localizada na rua Tupi, em Novo Hamburgo.

Ao encerrar a entrevista, Daniela reforçou a importância do autocuidado e da atenção aos sinais do corpo. “Cuide de você mesma
e procure atendimento caso note alguma alteração”, aconselhou. A oncologista também destacou a necessidade de mobilização da comunidade para cobrar dos gestores públicos melhores condições de acesso ao tratamento oncológico.

*Texto de John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.

Assista ao programa na íntegra: