Novos impactos, desafios e oportunidades abrem 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico

por Luís Francisco Caselani última modificação 18/11/2019 13h53
12/11/2019 – Um estudo publicado há dois anos apontava que, em razão dos avanços tecnológicos, 85% das profissões de 2030 ainda não haviam sido inventadas. O dado impressiona, mas marca uma realidade de rediscussão de modelos de infraestrutura e formas de trabalho dentro de uma nova proposta de economia. O tema foi trazido pelo palestrante Igor Drews na abertura do 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo. O evento, organizado pela Câmara em parceria com diversas entidades do município, teve início na manhã desta terça-feira, 12, no Plenário do Legislativo, e segue até o final da tarde de quarta-feira com atividades voltadas para diferentes públicos.
Novos impactos, desafios e oportunidades abrem 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico

Crédito: Maíra Kiefer/CMNH

Consultor e parceiro de negócios da StartSe, empresa que fomenta um ecossistema de startups brasileiras, Drews destacou que a nova economia traz impactos tanto para negócios já estabelecidos como para novas iniciativas. Segundo ele, esse momento atual é propício para pessoas com pensamento disruptivo, que entendem as necessidades de mercado, aproveitam oportunidades e optam pela inovação. O palestrante descreveu a nova economia como um processo fundamentado em aspectos como convergência tecnológica, ferramentas baratas e acessíveis, conexão sem intermediadores, abundância de capital de risco, alteração de perfil das empresas, predisposição à mudança e o uso do processo científico no desenvolvimento do empreender.

Drews explicou que a facilitação do acesso à informação cria possibilidades e estabelece um novo modelo de concorrência. “O mundo mudou e vai mudar cada vez mais. O volume de conhecimento hoje é abundante. Mercados, empresas, produtos e empregos deixarão de existir ou mudarão drasticamente. Temos que estar preparados para isso. Eventos como este são ricos para trocarmos ideias e vermos como nos manteremos atualizados”, pontuou. O palestrante afirmou que empreendedores devem permanecer sempre adaptáveis, lembrando que o conjunto de tecnologias é capaz de modificar todo um setor.

A nova economia é um novo jeito de pensar, trabalhar, aprender e se relacionar. Existe uma substituição do trabalho tradicional dos humanos. É muita tecnologia surgindo. A inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia, e ela está evoluindo”, sinalizou. Usando o exemplo de carros autônomos, Drews detalhou como as máquinas já conseguem fazer predições, por meio da coleta de dados, e enalteceu o avanço exponencial desse conhecimento a partir do compartilhamento simultâneo de informações. “Tem quem olhe como ameaça, tem quem olhe como oportunidade. O ser humano foi criado de forma linear. Gostamos da zona de conforto. A disrupção traz estresse e oportunidade ao mesmo tempo, dependendo de como vemos”, frisou o consultor, que salientou ainda que sempre haverá dinheiro para ser investido em bons projetos e pessoas com atitude.

Cooperação

Ao término de sua fala, Drews ainda conversou com a plateia, em debate mediado pelo professor Marco Aurélio Passini, integrante do corpo docente da Faculdade IENH. Entre suas respostas, o palestrante enfatizou a necessidade do crescimento em cooperação. “Ninguém vai inovar sozinho. Temos que correalizar as coisas. Temos que trabalhar como um grande laboratório aberto de inovação. É toda uma região servindo de laboratório, e precisamos estar conectados a esse tipo de iniciativa. Não acho que desenvolveremos rapidamente sem colaboração”, acrescentou.

Questionado especificamente sobre a situação do segmento coureiro-calçadista dentro da nova economia, Drews alertou que não existem soluções únicas. “Não existem trilhas ou modelos a serem copiados. Existe adaptação. A mudança é muito rápida. Temos que somar áreas totalmente inesperadas para fazer a disrupção no nosso negócio”, continuou. O consultor encerrou sua participação defendendo que o empreendedorismo se consolida como uma construção conjunta com o cliente. “É o mercado que dirá se tu desenvolverás tua ideia ou não”, apontou.

Construção coletiva

O 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo foi organizado no sentido de retomar e aprofundar o debate sobre novas alternativas de crescimento e a cidade que se almeja para os próximos anos. Pautado pela ideia da inovação e empreendedorismo rumo à nova economia, o evento, promovido pela Câmara, por meio da Comissão de Finanças (Cofin) e da Escola do Legislativo, contou mais uma vez com a participação de um leque de instituições parceiras.

Com mais de uma dezena de encontros preparatórios realizados, o grupo de organizadores é formado pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV), Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Comitê de Governança Empreendedora de Novo Hamburgo (Avança Novo Hamburgo), Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH), Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Rio dos Sinos (Consinos), Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), Prefeitura de Novo Hamburgo, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e Universidade Feevale.

O presidente da Câmara, Raul Cassel (MDB), abriu o seminário destacando o tamanho da representatividade reunida durante os dois dias de evento. “Este momento agrega poder público, academia, entidades e setor produtivo. Passou o tempo de agir de maneira isolada. Estamos aqui para discutir essa troca de experiências e o avanço da economia por meio das novas tecnologias”, pontuou. A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Paraskevi Bessa-Rodrigues, reforçou a importância da integração entre as diferentes formas de gestão e representação civil. “Qualquer iniciativa que venha para promover e validar esse tipo de ação conjunta serve para ficarmos cada vez mais fortalecidos e estruturados na nossa administração municipal”, disse.

Presidente da Cofin e principal articulador do seminário, o vereador Enio Brizola (PT) saudou a presença de todos e agradeceu o empenho de servidores e organizadores. “Diferentes entidades se desafiaram na construção deste evento. Esta pauta positiva e convergente somente foi possível graças à disposição de cada instituição de construir, durante mais de três meses de encontros, este evento. Nossa expectativa é que todo esse trabalho possa ser subsídio para este debate, e que ele fortaleça ações individuais e crie uma sinergia para ações em rede, em prol de um ambiente cada vez mais favorável ao empreendedorismo de inovação na nossa cidade”, ressaltou.

O diretor-geral da IENH, Seno Leonhardt, caracterizou o seminário como um momento “muito especial” para Novo Hamburgo. “Estamos oportunizando a discussão e o planejamento do desenvolvimento da nossa cidade e desta região”, frisou o educador. O diretor-executivo da Fundação Liberato, Ramon Hans, disse ser motivo de orgulho para a instituição de ensino contribuir para o levantamento de ações pensando no centenário do município. “Precisamos ter novas possibilidades para o mercado, então entendo que a educação tem que participar e dar essas oportunidades”, acrescentou Hans.

Presidente do Avança Novo Hamburgo, o empresário André da Rocha salientou a importância de todos permanecerem atentos aos desdobramentos do seminário. “Estamos construindo um diálogo mais aberto e franco, com concordâncias e discordâncias entre sociedade civil e poder público. O importante é no ano que vem podermos avaliar o que ocorreu no período. O que transforma a cidade é o que acontece entre um seminário e outro. Acredito que, com maior envolvimento da sociedade e das entidades, conseguiremos fazer a transformação que esta cidade precisa”, indicou.

O reitor da Universidade Feevale, Cleber Prodanov, parabenizou a Câmara pela liderança e coragem na promoção da discussão. “O poder público tem essa força de reunir e fazer com que entidades e organizações se sentem para ver o que tem sido feito e construam amarras e pontes para fazerem juntas. Os desafios nunca cessarão, por isso a região não pode perder sua capacidade empreendedora e inovadora. Mas precisamos criar condições para que os empreendedores possam desenvolver suas atividades”, advertiu.

A vice-reitora da Uergs, Sandra Lemos, enalteceu o convite às instituições de ensino. Nossa vinculação direta com projetos estratégicos de desenvolvimento que visam à inovação e ao empreendedorismo, como é o caso deste seminário, vem ao encontro do nosso pensamento de contribuirmos para as chamadas convergências construtivas”, explicou Sandra. O reitor do IFSul, Flávio Nunes, lembrou que a inovação está presente em todas as áreas de conhecimento. “Quero exaltar e parabenizar a iniciativa, que une lideranças da cidade para buscar caminhos de desenvolvimento nas áreas de inovação e empreendedorismo”, sintetizou.

O relator da Cofin e vice-presidente do Legislativo, vereador Gerson Peteffi (MDB), e o presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Câmara, Felipe Kuhn Braun (PDT), também acompanharam a primeira parte do 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo. À tarde, estão previstos ainda painéis de boas práticas públicas e privadas. Já a quarta-feira será dedicada à realização de oficinas nas áreas de exportação, empreendedorismo social, soft skills, desenvolvimento de negócios e o uso de biotecnologias na região, com destaque para o universo das cervejarias artesanais. Uma visita técnica ao Hub One, no Feevale Techpark, encerrará a programação. As inscrições são gratuitas e podem ser formalizadas pelo link bit.ly/FormulariodoSeminario.

Confira a programação completa:

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Veja fotos das reuniões preparatórias para o Seminário:

Seminário Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo