Em palestra na Câmara, embaixador apresenta panorama econômico e político de Luxemburgo

por Luís Francisco Caselani última modificação 21/12/2018 09h47
27/11/2018 – Aproveitando sua passagem pelo Estado, o embaixador de Luxemburgo no Brasil, Carlo Krieger, visitou a Câmara de Novo Hamburgo nesta terça-feira, 27 de novembro, quando conduziu palestra no Plenário Luiz Oswaldo Bender sobre a evolução econômica e a atual situação política do Grão-Ducado. O evento, promovido por meio da Escola do Legislativo, permitiu ainda uma aproximação entre o diplomata e descendentes de imigrantes luxemburgueses na região, além do esclarecimento sobre as possibilidades de intercâmbio cultural e econômico entre as duas nações.
Em palestra na Câmara, embaixador apresenta panorama econômico e político de Luxemburgo

Fotos: Daniele Souza/CMNH

Em inglês, o embaixador relatou dados geográficos e históricos de seu país. Krieger resgatou a formação do território como um estado independente, localizado entre grandes potências europeias, como Alemanha e França, através de sua importante força econômica. “Meu país pode ser caracterizado como uma antiga fortaleza agrícola e vinícola. Mas foi a descoberta do minério de ferro que abriu caminho para a industrialização”, contou. De acordo com ele, a siderurgia tornou-se a base da economia luxemburguesa. Hoje em dia, porém, o país também se destaca por suas empresas de alta tecnologia e tecnologia financeira.

Também em virtude de seu tamanho, Luxemburgo não era muito desenvolvido, mas a criação da União Europeia ajudou fortemente o país a alcançar sua prosperidade”, destacou. Por sua localização estratégica, Luxemburgo chegou a sediar a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, uma das organizações supranacionais que motivariam a posterior implantação da União Europeia. “Isso tornou o Grão-Ducado vanguardista em todo esse processo”, acrescentou.

Estreitamento de laços

A inauguração da Embaixada em Brasília, em março deste ano, tem o objetivo de aproximar os dois países. Krieger comemorou a assinatura recente de acordo junto ao ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que facilita serviços aéreos de carga. Embora não haja operação de voos de passageiros entre Brasil e Luxemburgo, aeroportos nas cidades de Campinas, Curitiba, Manaus, Petrolina e Rio de Janeiro costumam receber regularmente aviões de transporte de mercadorias. “Temos uma das maiores empresas aéreas de carga do mundo. Este acordo permitirá que haja ainda mais aeroportos de destino no Brasil”, salientou. Krieger também lembrou a publicação de selos destacando as relações entre as duas nações.

De acordo com o embaixador, o Brasil é um dos dois países com o maior número de imigrantes luxemburgueses fora da Europa – ao lado dos Estados Unidos. Além disso, ele estima que, apenas nos últimos anos, duas mil pessoas tenham obtido a cidadania luxemburguesa no Brasil. Krieger destacou que uma lei local, que perdurou pela última década, facilitou o pedido de nacionalidade. A norma jurídica, contudo, estabeleceu prazo limite para a requisição, conforme seus regramentos atuais, que expira no dia 30 de dezembro.

O presidente da Câmara, Felipe Kuhn Braun (PDT), lembrou que há muitos descendentes de imigrantes luxemburgueses na região. “Há diversas aproximações culturais e econômicas entre os dois países. Sabemos e reconhecemos a importância do Grão-Ducado para o mundo e, especialmente, para o Brasil. É com muita alegria e entusiasmo que recebemos os representantes do país em nosso Parlamento”, enalteceu Felipe, que entregou um quadro em homenagem à passagem do embaixador pela cidade, agradecendo sua presença e disponibilidade. Krieger esteve acompanhado da cônsul honorária do Grão-Ducado no Rio Grande do Sul, Tânia Bian.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Paraskevi Bessa-Rodrigues, destacou os investimentos feitos pelo Município na área de inovação tecnológica. “Contamos com a parceria de Luxemburgo. Queremos a construção de uma agenda comum para o desenvolvimento econômico local”, completou. Ao final de sua exposição, Krieger ainda respondeu questões sobre as possibilidades de intercâmbio, obtenção de cidadania e acesso ao mercado de trabalho luxemburguês. Com tamanho e populações semelhantes ao Vale do Sinos, Luxemburgo conta com forte mão de obra estrangeira.

O embaixador frisou que 48% das pessoas que moram no Grão-Ducado não possuem nacionalidade luxemburguesa, sendo um quinto da população de origem portuguesa. “E claro que também temos muitos brasileiros”, contou o diplomata, que agradeceu o acolhimento recebido em Novo Hamburgo. “É uma honra ser recebido nesta cidade e nesta região histórica, sobre a qual ainda pretendo descobrir mais durante esses próximos dias”, finalizou.

Visita ao museu e ao santuário

Na tarde de terça-feira, o presidente Felipe Kuhn Braun, também acompanhou o embaixador Carlo Krieger em visita ao Museu Visconde de São Leopoldo, entidade da qual o chefe do Parlamento de Novo Hamburgo é um dos diretores. Após a agenda em São Leopoldo, Krieger também visitou o Santuário das Mães e conheceu o Gabinete da Presidência.

Foto: Giovani GafforelliFoto: Giovani Gafforelli










Fotos acima: Giovani Gafforelli/CMNH

Luxemburgo

O Grão-Ducado de Luxemburgo é uma nação independente localizada entre os países da Bélgica, França e Alemanha. Com superfície equivalente à metade da área do Distrito Federal, o país conta com cerca de 600 mil habitantes, que praticam os idiomas alemão, francês e luxemburguês. Monarquia constitucional regida por um governo parlamentar, Luxemburgo é o único grão-ducado ainda existente. O país é dono de uma economia altamente desenvolvida, com uma das maiores rendas per capita do mundo.

Com relações diplomáticas estabelecidas com o Brasil desde 1911, Luxemburgo inaugurou sua embaixada em Brasília somente em março deste ano, a primeira na América do Sul. A iniciativa do país europeu, que até então contava apenas com consulados honorários em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, teve o intuito de reforçar laços e ampliar as relações comerciais com o Brasil. Luxemburgo é o quarto maior investidor direto no território brasileiro. O Grão-Ducado foi o último estado-membro da União Europeia a abrir uma embaixada na capital brasileira.