Comissões devem discutir alternativas para a Casa da Lomba

por Luís Francisco Caselani última modificação 23/07/2019 19h04
23/07/2019 – Em reunião conjunta na tarde de segunda-feira, 22 de julho, as comissões de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia (Coedu) e de Defesa do Patrimônio Histórico receberam representantes da Associação Cantalomba para discutir a interdição da Casa da Lomba, patrimônio do Município construído no século XIX, tombado em 2007 e fechado pela Defesa Civil desde 2017. O imóvel, que recebia diversas atividades culturais, ainda aguarda recursos para a efetivação de seu projeto de restauro. Moradores afirmam, contudo, que o prédio tem sido alvo de depredações. O Cantalomba solicita que ao menos seja proibido o acesso ao local, evitando maiores danos.
Comissões devem discutir alternativas para a Casa da Lomba

Fotos: Kassiane Michel/CMNH

Os integrantes das comissões acertaram uma visita à Casa da Lomba para averiguar a situação e reivindicar medidas cabíveis. Os vereadores devem convidar os secretários municipais de Cultura, Ralfe Cardoso, e de Segurança, Roberto Jungthon, para acompanhar a vistoria, agendada inicialmente para o dia 1º de agosto. Os grupos ainda solicitarão cópia do projeto arquitetônico de reforma do imóvel e trabalharão a ideia de realização de uma audiência pública sobre o uso do espaço.

A assessora de comunicação do Cantalomba, Suziane Gutbier, afirmou que seria possível utilizar parcialmente a Casa. “Segundo orientação da arquiteta responsável, o restauro poderia ser feito por partes, conforme o direcionamento de recursos, liberando espaços gradualmente”, lembrou. A publicitária contou que a associação ocupou a Casa da Lomba de 2004 até 2016, quando souberam informalmente da interdição do imóvel. “O espaço está sendo depredado e moradores têm nos procurado para que façamos alguma coisa, porque ainda somos referência quanto à gestão do prédio”, destacou.

Musicalização

Nem pedimos a retomada da parceria, mas um olhar para a Casa da Lomba como um local estratégico para a cultura do Município. Essa é uma luta legítima da comunidade do bairro. Existe toda uma expectativa envolvida. E tem sido uma angústia para a associação”, finalizou Suziane. Presidente da Comissão Especial em Defesa do Patrimônio Histórico de Novo Hamburgo, Enio Brizola (PT) ressaltou a recente presença do secretário Ralfe Cardoso em sessão plenária, quando revelou o interesse em reafirmar a Casa da Lomba como centro cultural e o empenho na elaboração de projetos para a obtenção de recursos. Em reunião na Câmara em agosto de 2017, a Prefeitura havia sinalizado a cedência de uma sede adequada para as atividades da associação durante o período de interdição. Até dezembro do mesmo ano, Secretaria de Educação (Smed) e Cantalomba mantinham parceria para a realização do projeto gratuito de musicalização no contraturno escolar. No entanto, o compromisso verbalizado não se concretizou. A falta de outro espaço inclusive fez com que pertences da entidade permanecessem na Casa da Lomba. “Temos portas e janelas quebradas, livros da biblioteca que mantínhamos pisoteados. Precisaríamos ao menos impedir o acesso à Casa, também por questões de segurança”, reforçou a tesoureira do Cantalomba, Pabiole Silva.

A vistoria será importante para termos noção do que vem ocorrendo. Que seja ao menos solicitado o fechamento da Casa, para não deteriorar ainda mais sua situação”, sugeriu Brizola. O secretário da comissão especial e presidente da Coedu, Felipe Kuhn Braun (PDT), e a relatora da Comissão de Educação, vereadora Tita (PP), também devem acompanhar a visita. O convite será estendido ainda ao secretário da Coedu, Nor Boeno (PT), e ao relator da comissão especial, Cristiano Coller (Rede), que não puderam acompanhar a reunião conjunta.

Cedência de sede

Antes da reunião com o Cantalomba, Felipe, Tita e Nor receberam membros da Associação Cultural Kephas (ACK), que reivindicam a cedência de um local para a instituição. Segundo o presidente, Júnior do Rosário, a entidade busca um espaço junto à Prefeitura desde sua fundação, há quase 12 anos. “Alugamos uma sala comercial em 2010 e instalamos uma biblioteca comunitária, mantida pelos associados. Posteriormente, acabamos locando uma sede mais independente. Em 2018, começamos a conversar com a atual Administração. Formalizamos um pedido e fomos chamados ao gabinete da prefeita, onde nos foi anunciada a disponibilidade de um espaço”, contou Rosário.

O imóvel, situado na rua Bernardo Dejalmo Ludwig, 190, no bairro Diehl, acabou sendo cedido, no entanto, à Academia Literária do Vale do Rio do Sinos (Alvales). Rosário acredita que a decisão possa ter sido uma represália a cobranças feitas pela associação quanto à regularização da Vila Esperança. “Não vemos o reconhecimento do nosso trabalho e sentimos que não contaremos com a parceria da Administração”, completou o presidente da ACK. A Coedu deverá realizar uma nova reunião com a associação na próxima segunda-feira, dia 29, desta vez com a presença do chefe de gabinete da prefeita, Lineo Baum.

O que são as comissões?

A Câmara conta com oito comissões permanentes, cada uma composta por três vereadores. Essas comissões analisam as proposições que tramitam pelo Legislativo. Também promovem estudos, pesquisas e investigações sobre temas de interesse público. A Lei Orgânica Municipal assegura aos representantes de entidades da sociedade civil o direito de participar das reuniões das comissões da Casa, podendo questionar seus integrantes. As comissões se reúnem semanalmente na sala Sandra Hack, no quarto andar do Palácio 5 de Abril.