Câmara celebra os 100 anos da Igreja Evangélica Três Reis Magos em sessão solene

por Tatiane Souza última modificação 27/02/2026 11h00
26/02/2026 – A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo realizou, na noite desta quinta-feira, 26, sessão solene em homenagem aos 100 anos do atual templo da Igreja Evangélica Três Reis Magos, localizado no bairro Hamburgo Velho. A iniciativa partiu da bancada do PSDB, por meio do vereador Felipe Kuhn Braun, e reuniu autoridades religiosas e representantes da comunidade no Plenário da Casa Legislativa.
Câmara celebra os 100 anos da Igreja Evangélica Três Reis Magos em sessão solene

Foto: Daniele Souza/CMNH

Proponente da homenagem, Felipe Kuhn Braun destacou a relevância histórica, cultural e religiosa da Igreja para a formação de Novo Hamburgo. “Vocês fazem o presente e moldam o futuro para a comunidade, para o bairro Hamburgo Velho e para a cidade, fazendo a diferença por meio das obras sociais e contribuindo para uma Novo Hamburgo melhor. São 100 anos da edificação deste templo e 194 anos desde a fundação da Comunidade. Hoje contamos a história de um grupo que iniciou formalmente com os pioneiros imigrantes alemães e que criou a primeira escola da cidade – hoje Pindorama  trazendo valores familiares, o trabalho e, acima de tudo, a fé. É uma trajetória de superação”, afirmou.

O vereador ressaltou que a Comunidade mantém viva sua missão espiritual e social ao longo das gerações. “São valores que atravessam o tempo. Que esta celebração seja também inspiração para os próximos anos, construindo uma comunidade forte e guiada por princípios que fazem a diferença”, concluiu.

O vereador Enio Brizola (PT) classificou a homenagem como justa e merecida. Ele ressaltou a força da comunidade luterana em Novo Hamburgo e a relevância histórica da instituição para o município. “É uma referência muito positiva pela ação social desenvolvida e pela permanente preocupação com a educação e com o acesso ao ensino para aqueles que mais precisam. Fico feliz em celebrar esses 100 anos. Sou um hamburguense de coração, e o centenário da Igreja Três Reis Magos nos enche de orgulho. É uma referência histórica para a cidade e também espiritual e social”, afirmou.

Brizola fez uma analogia com a origem do nome da Igreja. “Assim como os três reis magos seguiram a estrela-guia, que a comunidade siga sempre buscando um caminho melhor e mais pacificado, promovendo um convívio fraterno entre todas as religiões”, concluiu.

Durante a solenidade, também se manifestou a vereadora Professora Luciana Martins (PT), que ressaltou a contribuição social e comunitária da instituição. “É muito importante comemorar o centenário desta Igreja. Celebrar 100 anos de uma instituição que se propõe a oferecer acolhimento e conforto à comunidade é reconhecer sua relevância histórica e social. Fico feliz em estar aqui para parabenizar essa trajetória”, afirmou.

A vereadora destacou ainda a ligação da Comunidade com a formação do município. “Quando falamos da história de Novo Hamburgo, percebemos que ela se confunde com a história desta Igreja. Não tenho dúvidas de que a Três Reis Magos foi responsável por ajudar a construir esta cidade, que em breve também celebrará seu centenário. Estamos falando de um espaço religioso que faz parte da história viva do nosso município”, declarou.

Luciana enfatizou o papel da Igreja na organização da vida coletiva. “Esteve ao lado da população em diferentes momentos, formando gerações e contribuindo para a organização da vida comunitária. Esta homenagem traduz fé, compromisso, presença, diálogo e cuidado com as pessoas e com a cidade. São valores que atravessam gerações e mantêm vínculos”, concluiu.

A vereadora Daia Hanich (MDB) justificou a ausência na solenidade.

Representando a Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho, o pastor William Felipe Zacarias ratificou o papel da fé e da união comunitária na trajetória centenária do templo. “Celebramos a nave do templo Três Reis Magos não apenas como uma estrutura histórica de cal, cimento e madeira. O templo é uma linguagem viva, que faz a mediação entre o passado e o presente. É ponto de convergência de diferentes gerações”, afirmou.

O pastor destacou que a fé evangélica de confissão luterana, trazida pelos imigrantes alemães, foi cultivada ao longo do tempo como expressão e materialização da espiritualidade. “Cada oração, cada hino, cada tecla do órgão dá sentido à nossa existência enquanto comunidade e oferece suporte diante das ambiguidades da vida pós-moderna. Não é apenas memória, é voltar ao coração. É não fazer as coisas de qualquer jeito, mas com excelência”, declarou.

Ao citar a passagem bíblica “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração”, reforçou a dimensão espiritual do templo. “A materialidade é fruto da espiritualidade. O templo, neste tempo, serve a Deus, que é eterno. Nossa vida é breve, mas a obra permanece”, disse.

Zacarias concluiu afirmando que o centenário representa renovação de compromisso. “Que o Senhor continue sendo o refúgio da nossa querida comunidade. Este centenário não é apenas a comemoração do que passou, mas a renovação do compromisso de manter viva essa força simbólica que acolhe a todos”, finalizou.

Na sequência, o pastor do Sínodo Rio dos Sinos, Carlos Eduardo Müller Bock, reiterou a importância histórica da Igreja na consolidação da presença luterana na região. “Os fiéis são pessoas que, ao longo dos anos, sustentaram o ensinamento de Jesus. Esta comunidade, em todos os tempos, enfrentou imensas dificuldades, inclusive internas. É preciso saber construir o convívio entre pessoas que sentem e pensam de maneira diferente”, afirmou.

O pastor relembrou desafios históricos enfrentados pela comunidade, como as mudanças legais no país e o período em que aguardavam a liberdade religiosa para erguer a torre do templo. Também citou a proibição do uso da língua alemã, determinada por decreto durante o governo de Getúlio Vargas, que impactou profundamente as comunidades de origem germânica.

“Foi um impacto brutal. O fundamento da fé luterana é a educação, e foi ela que trouxe resiliência, resistência e cuidado para que chegássemos até aqui. Tudo o que foi feito e construído ocorreu com muito trabalho, por pessoas de fé comprometidas com a comunidade, onde a justiça, a educação, o respeito ao próximo e o trabalho sempre estiveram à frente”, salientou.

Bock enfatizou ainda a responsabilidade com as futuras gerações. “Recebemos um legado e temos o dever de cuidar dele para aqueles que virão. É uma comunidade com muitas histórias que ainda precisam ser estudadas e trazidas à luz. Queremos continuar colaborando na fé das pessoas, com base na ética cristã”, concluiu.

Por fim, o presidente do Presbitério da Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho, Renato Darci Sommer, também fez uso da palavra e agradeceu o reconhecimento do Legislativo municipal.

“Estamos muito honrados com esta homenagem. É muito significativo celebrar, ainda mais por algo bom que fizemos ao longo da nossa história. Esta distinção é destinada a todas as pessoas que, nesses 100 anos, ajudaram a construir, manter e conservar este templo — muitos dos quais já não estão entre nós”, afirmou.

Sommer ressaltou ainda o papel comunitário da Igreja para além das celebrações religiosas. “Colocamos nossas dependências à disposição para eventos públicos e ações sociais, como ocorreu durante as enchentes de 2024. Não somos apenas um prédio dentro do bairro, mas uma comunidade viva, presente e atuante”, concluiu. 

Ao longo da cerimônia, foi realizada a entrega de um quadro comemorativo aos representantes da Igreja, simbolizando o reconhecimento oficial do Parlamento hamburguense pela contribuição espiritual, educacional e social da Comunidade ao longo de um século.

Compuseram a Tribuna de Honra Richard Kreutzer, neto do pastor Wilhelm Richard Kreutzer, responsável pela inauguração do templo em 1926; Ênia Kreutzer, presidente da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE) de Hamburgo Velho; além dos ex-presidentes do Presbitério da Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho, Eduardo Kley e Gerson Schneider. 

Marco histórico de Hamburgo Velho

A trajetória da Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho remonta à chegada dos primeiros imigrantes alemães à região, em 1824. A fundação oficial da Comunidade é reconhecida como 6 de janeiro de 1832. O atual templo, cuja nave foi inaugurada em 4 de abril de 1926, permanece como um dos principais marcos arquitetônicos e históricos do município.

A torre da igreja, construída entre 1895 e 1898, abriga três sinos vindos da Alemanha, que carregam a inscrição natalina “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra”, reforçando a identidade luterana da Comunidade.

Além da atuação religiosa, a instituição teve papel relevante na educação e na organização social da região, mantendo escola própria e participando de iniciativas comunitárias que marcaram a história local. 

A sessão solene foi transmitida ao vivo pela TV Câmara NH, canal 16 da Claro, e pelo YouTube da emissora legislativa.

 

Assista a solenidade na íntegra

 

Confira a cobertura fotográfica da solenidade

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