Bancada feminina propõe prioridade em programas habitacionais para vítimas de violência doméstica

por Daniele Silva última modificação 19/05/2026 15h04
19/05/2026 – A proteção às mulheres segue pautando a atuação da bancada feminina. Apresentado pelas vereadoras Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP) e Professora Luciana Martins (PT), projeto de lei que tramita na Câmara visa garantir prioridade de atendimento e reserva de vagas para vítimas de violência doméstica em todos os programas de habitação de interesse social mantidos pelo Município ou executados em parceria com outros entes federativos.
Bancada feminina propõe prioridade em programas habitacionais para vítimas de violência doméstica

Foto: Daniele Souza/CMNH

Conforme a proposta, a situação de violência deverá ser comprovada mediante cópia do boletim de ocorrência expedido pela autoridade policial; cópia da decisão judicial com concessão de medida protetiva de urgência; ou laudo ou parecer técnico-social emitido por órgão da rede de atendimento, como Cras, Creas ou centros de referência de atendimento à mulher. O processo de atendimento e comprovação ocorrerá com absoluto sigilo, sendo vedada a exigência de novos documentos comprobatórios no período de dois anos após a concessão da prioridade.

Os requisitos e a tramitação de processos administrativos poderão ser flexibilizados em situações de risco iminente à vida, garantindo tramitação prioritária e acesso imediato a modalidades temporárias de proteção habitacional, como auxílio-aluguel social ou locação social, até a definição judicial sobre os bens ou a concessão de imóvel definitivo. A reserva deverá ser de, no mínimo, 8% das vagas em todos os programas habitacionais. A definição da moradia deverá considerar as especificidades das mulheres em situação de violência, incluindo a existência de família multiespécie, quando houver animais sob sua responsabilidade.

Na justificativa, as vereadoras definem a violência doméstica e familiar contra a mulher como uma das mais graves violações de direitos humanos no Brasil, exigindo respostas públicas efetivas e integradas para garantir proteção às vítimas e interromper ciclos de violência.

Segundo as autoras, muitas mulheres permanecem em situações de violência por não possuírem alternativas seguras de moradia ou por dependerem economicamente do agressor para manter o sustento e o abrigo de seus filhos. Por isso, defendem que a proposta surge como medida concreta de proteção e promoção da autonomia das mulheres e que, ao assegurar prioridade em programas de habitação de interesse social, o Município contribui para criar condições reais para que mulheres e seus dependentes possam reconstruir suas vidas em ambiente seguro e livre de violência.

“Garantir moradia segura é também garantir dignidade, proteção e condições concretas para que mulheres possam romper ciclos de violência e reconstruir suas vidas com autonomia”, reiteram as autoras.

Caso aprovado pela maioria dos vereadores em plenário e sancionado pelo prefeito Gustavo Finck, o projeto deverá entrar em vigor 90 dias após a data de sua publicação.

Comissão de Direitos Humanos

Projeto de Lei nº 32/2026 foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos (Codir) na manhã desta segunda-feira, 18, com os votos dos vereadores Enio Brizola (PT) e Eliton Ávila (Podemos). Representando as autoras, Luciana Martins afirmou que a proposta nasce da necessidade real de enfrentar uma das maiores barreiras que impedem muitas mulheres de romper o ciclo de violência, já que permanecem em relações abusivas por falta de oportunidades e de um local para viver em segurança.

Eliton Ávila parabenizou a proposta das vereadoras e destacou a importância de garantir oportunidades para que mulheres conquistem independência. Já Brizola mencionou diretriz do programa Minha Casa, Minha Vida, no qual a escritura e o contrato do imóvel são emitidos preferencialmente em nome das mulheres. Segundo ele, isso garante autonomia e segurança social, protegendo a moradia da família em casos de separação ou violência.

Também de autoria da bancada feminina, a Codir aprovou a tramitação do Projeto de Lei nº 33/2026, que institui o Programa Municipal de Capacitação e Sensibilização para Prevenção da Violência de Gênero no âmbito da administração municipal. Integrante do colegiado, Luciana Martins sugeriu aos colegas a elaboração de um decreto legislativo para a extensão do programa aos servidores da Câmara.

Já o Projeto de Lei nº 50/2026, de autoria do Executivo, teve pedido de vista por 30 dias. Segundo Professora Luciana Martins, a proposta, que institui os Conselhos Escolares e o Fórum dos Conselhos Escolares nas escolas da rede municipal, deve ser precedida de consulta popular, conforme determina a Lei Orgânica Municipal. A parlamentar pede que seja anexada aos documentos do projeto a ata da referida audiência pública.

O que são as comissões?

A Câmara conta com oito comissões permanentes, cada uma composta por três vereadores. Essas comissões analisam as proposições que tramitam pelo Legislativo. Também promovem estudos, pesquisas e investigações sobre temas de interesse público. A Lei Orgânica Municipal assegura aos representantes de entidades da sociedade civil o direito de participar das reuniões das comissões da Casa, podendo questionar seus integrantes. A Codir se reúne semanalmente às segundas-feiras, às 10h40, no Plenarinho Pedro Thön, no andar térreo do Palácio 5 de Abril.