Apae e Afad-21 destacam que incluir é garantir direitos e criar oportunidades
“Esse dia não é só uma data no calendário. É um convite para refletirmos sobre o valor da inclusão, do respeito e da igualdade de oportunidades para todas as pessoas”, afirmou a presidente da Afad-21, Rochele Jauana Grings Thomaz. Ela acrescentou que a condição genética faz parte da diversidade humana.
“Pessoas com Síndrome de Down têm sonhos, talentos, sentimentos e uma enorme capacidade de aprender, amar e contribuir com a sociedade. Elas não devem ser definidas por uma condição genética, mas reconhecidas por quem realmente são: indivíduos
únicos, com potencial e dignidade”, declarou Rochele.
Com incidência de aproximadamente 1 a cada 700 nascidos no Brasil, a trissomia do cromossomo 21 não impede o aprendizado nem o desenvolvimento. O presidente da Apae, Rodrigo Evandro da Silva, frisou que a verdadeira inclusão acontece quando se enxerga primeiro a pessoa, e não a sua condição.
O proponente da atividade, Giovani Caju, reiterou que as duas entidades são exemplos no acolhimento. “Quando falamos sobre o trabalho que vocês desenvolvem — de inclusão, superação de desafios e incentivo à autonomia das crianças — isso tem um valor imenso para elas”, destacou o parlamentar. 
Ele lembrou que ambas as associações promovem atividades que estimulam o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, além de defender políticas públicas que ampliem as oportunidades de inclusão na educação, na saúde e no mercado de trabalho, ressaltando ainda o atendimento multidisciplinar realizado pela Apae.
A diretora da escola da Apae, Maria Amália Selbach Netz, informou que atualmente a instituição atende 212 alunos, sendo 29 deles com trissomia 21. “Falar sobre a Síndrome de Down, acima de tudo, é reafirmar o direito à dignidade, à educação de qualidade, ao convívio social e a oportunidades iguais. Uma sociedade justa se constrói quando acolhe e valoriza as diferenças. Que possamos fortalecer políticas públicas, garantindo às pessoas o espaço e o respeito que merecem”, concluiu.
Ela chamou ao microfone o aluno José Eduardo Muller, o Duda, que falou sobre as atividades desenvolvidas no local, os amigos e os professores, agradecendo pela oportunidade de participação.
A vereadora Professora Luciana Martins (PT) parabenizou Duda pela apresentação. Para destacar a importância do gesto, citou um discurso proferido em atividade realizada no ano passado na Fiocruz, no qual uma participante afirmou que “nada pode ser feito sobre nós sem a nossa participação”.
Luciana acrescentou que pais e mães que lutam diariamente para que crianças com Síndrome de Down se sintam incluídas sabem que se trata de uma luta coletiva. “O que nós, como sociedade, podemos fazer para garantir que elas tenham oportunidades e façam parte da nossa cidade?”, questionou.
Conforme Rochele, o primeiro passo é enxergá-las como sujeitos e como pessoas, como qualquer um de nós. Para isso, é necessário que tenham oportunidades e não enfrentem a solidão — tema destacado pela Federação Down este ano.
“A solidão não é a falta de presença física, mas a ausência de oportunidades, de serem ouvidas, de opinar e fazer escolhas”, afirmou.
Vários parlamentares relataram ter participado, no sábado, de atividade promovida no Parque do Trabalhador pela Afad-21, entre eles Felipe Kuhn Braun (PSDB), Cristiano Coller (PP), Ricardo Ritter – Ica (MDB) e Deza Guerreiro (PP).
Felipe destacou o amor dedicado pelos profissionais das associações e o impacto do esforço na vida das famílias.
Eliton Ávila (Podemos) afirmou que as entidades são referências para o município na defesa da inclusão e da diversidade, ressaltando a necessidade de ações públicas a médio e longo prazo.
“Com certeza, o Executivo municipal não teria estrutura para alcançar onde vocês chegam, por meio de fisioterapeutas, psicólogos e todo o trabalho que realizam, oferecendo atenção e carinho a todos”, disse Coller.
Ica reforçou que o município não dispõe de todas as condições necessárias e antecipou que uma emenda do deputado Alceu Moreira deverá ser destinada à causa. Para ele, há uma evolução na forma como o tema vem sendo tratado — ainda não ideal, mas significativa, muito em função do trabalho das entidades.
Daia Hanich (MDB) parabenizou as instituições pelo trabalho de acolhimento aos alunos e às famílias, destacando também os produtos culinários feitos pelos jovens.
Ao enaltecer a atuação dos profissionais, a vereadora Deza leu um texto que a emocionou: “A trissomia do 21 é uma característica, não um destino. Por muito tempo, a sociedade olhou para as pessoas com Síndrome de Down pela lente da limitação; hoje, somos convidados a mudar esse foco. É um aluno que pode aprender, um profissional que pode produzir e um cidadão com direito de ocupar todos os espaços.”
Por fim, Ito Luciano afirmou: “Eles são melhores do que nós — são especiais.”