Segurança no entorno da Feevale é tema de audiência pública nesta sexta-feira

por melissa — última modificação 16/10/2020 20h03
10/06/2016 – Na noite desta sexta-feira, 10, foi realizada uma audiência pública sobre segurança nas proximidades da Feevale. O requerimento para a realização do encontro, que ocorreu no auditório da universidade, foi feito pela Comissão de Direitos Humanos, presidida por Roger Corrêa (PCdoB). O vereador disse que houve muitos assaltos nas redondezas nos últimos dias – situação que mobilizou os estudantes. Ao abrir os trabalhos, ele destacou a importância de ações integradas para reduzir a violência, como investimentos em programas de promoção de cidadania.

A representante os estudantes, Karolina Mello, afirmou que a violência é fruto da desigualdade, sendo um problema mundial. Em Novo Hamburgo, porém, as taxas de roubo e furto são expressivas. Segundo a jovem, as alunas da universidade ainda sentem medo da violência sexual. “Espero que medidas sejam tomadas.”

O vereador Professor Issur Koch (PP) contou que, este ano, ouviu e leu diversos relatos de furtos e roubos na região. Edelmar Benites dos Santos, da Guarda Municipal, disse que o órgão tem feito ações preventivas, como barreiras em busca de armas e foragidos.

O comandante do 3º Batalhão da Brigada Militar, Marcel Vieira Nery, contou que, na manhã de hoje, foi realizada uma reunião sobre segurança na reitoria da Feevale. Ele explicou que o planejamento da polícia militar é bastante dinâmico, graças às novas tecnologias. A falta de notificações, porém, prejudica o planejamento das atividades. “Por isso, é importante fazer o registro policial.”

Nery também trouxe alguns números: em abril, foram 222 roubos a pedestres em Novo Hamburgo, e em maio, 194. “Os registros no entorno da Feevale não chegam a 5%, e mesmo assim temos dedicado uma atenção especial à universidade.” Ele lembrou que vivemos hoje uma crise econômica. “E a segurança pública é cara. Precisamos de recursos. Com mais investimento, nossos resultados serão melhores.” De qualquer forma, o policial disse acreditar nunca se ter trabalhado tanto em prol da segurança pública.

O delegado Rosalino Seara destacou que a Feevale está situada no bairro Vila Nova, quem tem pouco mais de 5 mil habitantes e está sob a responsabilidade da 1º Delegacia, a qual tem 15 policiais lotados. As estatísticas de crimes, segundo ele, mostram um local calmo – imagem que pode ser fruto da falta de notificações, afirmou.

Seara falou sobre a importância do presídio regional, que deve se tornar uma realidade em breve, pois evitará que os detentos locais sofram influência de facções mais perigosas. “Ali devem trabalhar, estudar e ter uma chance ao sair.” Ele apontou que o cercamento eletrônico do Vale dos Sinos deve trazer benefícios, e discorreu sobre a necessidade de se investir na inteligência, para que os líderes criminosos sejam capturados.

O secretário de Segurança de Mobilidade Urbana, Felipe Nunes Ferreira, afirmou que a Prefeitura tem realizado muitos investimentos na área. Até pouco tempo, disse, o combate ao crime era feito sem planejamento nem pesquisa. Contudo, isso está mudando, com a utilização de câmeras e outras ferramentas, além da troca de informações entre Guarda Militar, Polícia Civil e Brigada Militar.

A diretora do Departamento de Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Sonia Dall'igna, também falou sobre a necessidade dos registros, para que os dados utilizados no planejamento das ações estejam o mais perto possível da realidade. A delegada apontou ainda que as informações já levantadas estão disponíveis para estudantes e outros pesquisadores. Sobre a prevenção, citou que existem no Estado diversas delegacias da mulher, além das patrulhas Maria da Penha, que são os grupos responsáveis por fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas.

Sonia afirmou que as polícias nunca trabalharam tanto, nunca prenderam tanto, mesmo com um efetivo que remonta à década de 80. “Estamos fazendo muito com o pouco efetivo que temos. Estamos usando tecnologia, planejamento e estratégias. E estamos fazendo um esforço para que tenhamos mais policiais.”

O secretário do Gabinete de Gestão Integrada Municipal, Sérgio Arruda, contou que representantes das forças de segurança reúnem-se mensalmente para trocar informações e planejar ações. Segundo ele, uma pesquisa realizada pelo órgão mostrou um índice de subnotificações bastante alto, o que prejudica o planejamento das polícias. Por outro lado, ele disse que a mídia, muitas vezes, presta um desserviço na forma com que noticia os problemas. “100% dos latrocínios foram elucidados. Vocês sabiam disso? Tenho certeza de que, se os bandidos soubesse que o crime não compensa em Novo Hamburgo, não viriam para cá.”

Arruda também falou sobre a importância de se ter um presídio local. “Para o preso se ressocializar, deve estar perto de sua família. A nossa sociedade tem uma cultura de quanto pior, melhor para o preso, mas isso pode gerar sociopatas. Nós, como sociedade, somos responsáveis pelos indivíduos que criamos.”

Após as falas dos convidados, o público pôde se manifestar. O estudante João Rosa disse acreditar que muitos alunos não fazem o boletim de ocorrência, e que essa audiência deve servir para incentivar uma mudança nesse quadro. Outros participantes também expuseram suas preocupações, alguns inclusive relatando assaltos de que foram vítimas. Mais policiamento extensivo foi um pedido repetido por mais de um aluno.

Respondendo a perguntas, Roger elencou algumas ações que serão feitas após a audiência, como a solicitação de melhorias na iluminação ao redor do campus e uma reunião entre alunos e empresa de ônibus para análise de possíveis alterações no itinerário.

Veja as fotos das sessões e de outras atividades do Legislativo em www.flickr.com/photos/camaramunicipaldenovohamburgo

Assista à TV Câmara no YouTube em www.youtube.com/user/TVCamaraNH

Siga a Câmara no Twitter – @camaranh

Siga a Câmara no Instagram - @camaranh