12/05/2026 - Enchentes de 2024: o que mudou em Novo Hamburgo?

por Maíra Kiefer última modificação 13/05/2026 17h21
12/05/2026 - Enchentes de 2024: o que mudou em Novo Hamburgo?

Crédito: Jurgen Mayrhofer/SSPS

Dois anos após as enchentes de 2024, que impactaram cerca de 92% do estado do Rio Grande do Sul, algumas marcas ainda permanecem em Novo Hamburgo. A pergunta que fica é: como o município tem se preparado para conter futuras catástrofes?

No início de maio de 2024, os gaúchos acompanhavam as atualizações sobre a situação no Vale do Taquari. As inundações, que inicialmente atingiram a região, logo avançaram para municípios vizinhos e acenderam o alerta para uma das maiores tragédias climáticas da história do estado. Calcula-se que entre 459 e 478 dos 497 municípios gaúchos foram afetados, de acordo com levantamentos publicados pelo IBGE. O episódio, considerado um dos mais emblemáticos envolvendo catástrofes naturais no Rio Grande do Sul, escancarou o despreparo das autoridades estaduais e federais diante de situações adversas.

Novo Hamburgo também foi um dos municípios afetados durante as intensas chuvas. Com a elevação histórica do Rio dos Sinos, bairros localizados em áreas mais baixas, como Santo Afonso, Canudos e Roselândia, sofreram com alagamentos que deixaram inúmera famílias desalojadas.

A tragédia de 2024 evidenciou fragilidades no sistema de contenção e na capacidade de resposta diante de eventos extremos, cenário que levou moradores, especialistas e políticos a questionarem quais medidas poderiam ser adotadas pelo município para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer. Entre as pessoas que acompanharam de perto os impactos das enchentes está a vereadora e ativista da causa animal Deza Guerreiro (PP), que atuou diretamente em ações de resgate durante o período mais crítico das cheias.

A parlamentar relembrou com pesar os momentos enfrentados ao longo das enchentes e destaca que uma das maiores dificuldades era conseguir chegar até os pontos mais críticos, onde as famílias e os seus animais permaneciam ilhados.

“Foi muito triste acompanhar tudo de perto. Eu fui em resgates em que tivemos que escolher qual caso atenderíamos primeiro porque não tínhamos espaço para todos os animais dentro do barco”, relembra.

Desde então, o debate sobre prevenção climática e infraestrutura urbana passou a ocupar maior espaço na política hamburguense, e se tornou uma das pautas discutidas pela atual gestão municipal. No âmbito legislativo, segundo Deza Guerreiro, a tragédia também serviu como um alerta para a necessidade de ampliar políticas de proteção animal em situações de emergência climática.

A vereadora afirma que, desde o início de seu mandato, buscou desenvolver medidas para evitar que animais fossem abandonados ou acabassem morrendo durante enchentes e alagamentos. Entre as iniciativas apresentadas está a Lei Municipal nº 3.581/2025, de sua autoria, que proíbe a criação de animais presos em correntes em áreas com risco de inundação.

“A Lei Municipal nº 3.581/2025, que é de minha autoria, proíbe a criação de animais presos em correntes em áreas que apresentam risco de alagamentos e inundações, justamente pra evitar que mais animais sejam abandonados para morrer”, pontuou Deza.

Sob a mesma perspectiva, o prefeito Gustavo Finck (PP) demonstrou reconhecer a necessidade de fortalecer uma rede de suporte capaz de contribuir para as estratégias adotadas pelo município na prevenção de futuras adversidades climáticas.

Segundo o chefe do Executivo, a atual gestão tem trabalhado com planejamento técnico para reverter o cenário enfrentado em 2024. Ele destaca que a prefeitura vem atuando de forma permanente por meio de investimentos em infraestrutura, limpeza e desassoreamento de arroios, manutenção de redes pluviais, ampliação da drenagem urbana, monitoramento climático e o aumento das equipes de resposta rápida.

O planejamento técnico mencionado incluiu a integração entre secretarias, o mapeamento de áreas críticas, a modernização dos sistemas de monitoramento e a execução de obras aguardadas pela comunidade.

“Nosso objetivo é construir uma cidade mais resiliente, segura e preparada para o futuro, sempre colocando a vida e o bem-estar da população em primeiro lugar”, conclui o prefeito.

Texto encaminhado Misael Barboza, estagiário de Jornalismo.