Vitalidade alerta para impactos das apostas online na saúde mental

por Tatiane Souza última modificação 31/07/2026 17h20
31/07/2026 – As consequências das apostas esportivas e dos cassinos online para a saúde mental foram tema do programa Vitalidade, exibido na última terça-feira, 28 de julho. A entrevistada foi a psicóloga Patrícia Spindler, que possui 27 anos de experiência clínica, atua na Prefeitura de Novo Hamburgo e é pesquisadora das relações entre saúde mental e cultura. O programa está disponível pello canal 16 da Claro e no YouTube.com/TVCamaraNH.
Vitalidade alerta para impactos das apostas online na saúde mental

Foto: John Wesley/CMNH

Durante a entrevista, Patrícia explicou como a expansão das plataformas digitais tornou as apostas mais acessíveis e aumentou os riscos do desenvolvimento do jogo compulsivo. Segundo ela, enquanto antigamente era necessário deslocar-se até uma casa de apostas física, hoje basta um celular para apostar a qualquer hora e em qualquer lugar, reduzindo barreiras de acesso e dificultando a identificação precoce do problema por familiares e amigos.

Outro ponto destacado foi a intensa publicidade do setor, especialmente durante grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo. A psicóloga observou que a exposição frequente às propagandas de bets incentiva a prática das apostas e chamou a atenção para o papel de influenciadores digitais na divulgação dessas plataformas. Patrícia também ressaltou a importância de posicionamentos públicos de atletas, citando o atacante francês Kylian Mbappé como exemplo de figura esportiva que já manifestou preocupação com o crescimento desse mercado.

Ao explicar os mecanismos da dependência, a psicóloga utilizou a analogia de um cavalo perseguindo uma cenoura suspensa à sua frente. A imagem ilustra o ciclo de expectativa e recompensa que mantém o apostador em busca do próximo ganho, mesmo diante de perdas sucessivas. Segundo Patrícia, esse processo apresenta semelhanças com a dependência de drogas psicoativas, pois ambos envolvem alterações nos circuitos cerebrais relacionados ao prazer, à recompensa e ao controle dos impulsos.

Como estratégia de prevenção, a entrevistada destacou a possibilidade de aderir à plataforma de autoexclusão do Governo Federal, que permite ao cidadão bloquear voluntariamente seu CPF para acesso às plataformas de apostas autorizadas. A ferramenta busca reduzir o contato com esse ambiente e pode ser uma aliada para pessoas que reconhecem dificuldades em controlar o comportamento de apostar.

Patrícia também orientou que pessoas que percebem sinais de perda de controle procurem ajuda o quanto antes. O atendimento pode ser iniciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que realizam o acolhimento e o encaminhamento para serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de grupos de apoio voltados ao tratamento da dependência comportamental.

Texto de John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.

Assista o programa na íntegra

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