Vitalidade aborda TDAH e reforça importância do diagnóstico precoce
Professora da Universidade Feevale, Caroline é mestre e doutora pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialista em Neuropsicologia, coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Intervenção em Neuropsicologia Escolar e do Desenvolvimento (Lapined), integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, pesquisadora da Rede Ciência para Educação (CpE) e autora de livros e artigos científicos sobre neuropsicologia e desenvolvimento cognitivo.
A especialista explicou que o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento de origem neurobiológica, que afeta a capacidade de concentração, o controle dos impulsos e os níveis de atividade física e mental. Entre os principais sintomas estão a desatenção, caracterizada pela dificuldade em manter o foco, esquecimentos frequentes e perda de objetos; a hiperatividade, marcada pela inquietação constante e pela sensação de estar sempre em movimento; e a impulsividade, que se manifesta por ações precipitadas, dificuldade em esperar a vez e interrupções durante conversas. O transtorno pode se apresentar de forma predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa-impulsiva ou combinada, sendo o diagnóstico realizado por avaliação clínica especializada.
Ao falar sobre o diagnóstico, Caroline reforçou que a identificação é exclusivamente clínica. Segundo ela, não existem exames laboratoriais ou de imagem capazes de confirmar o TDAH. A avaliação deve ser realizada por profissionais habilitados, como neurologistas, psiquiatras e psicólogos, a partir da análise do histórico e das características apresentadas por cada paciente.
As redes sociais também fizeram parte da conversa. Para a neuropsicóloga, as plataformas digitais contribuem para ampliar o acesso à informação e incentivar que mais pessoas procurem avaliação especializada ao identificarem os sintomas. Ao mesmo tempo, ela alertou que a disseminação de conteúdos sem embasamento científico pode favorecer a desinformação, banalizar o diagnóstico e reforçar preconceitos relacionados ao transtorno.
Outro assunto abordado foi a proposta aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados para criar uma política nacional voltada às pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento. Caroline avaliou a iniciativa como positiva e ressaltou que, apesar dos avanços na legislação, ainda existem obstáculos para garantir o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
A psicóloga destacou ainda que o cuidado com pessoas com TDAH vai além do acompanhamento clínico. Segundo ela, o suporte da família, das escolas e dos ambientes de trabalho é essencial para promover inclusão, reduzir barreiras e oferecer condições para que crianças, adolescentes e adultos desenvolvam plenamente suas potencialidades.
Segundo o Ministério da Saúde, o TDAH afeta mais de 2 milhões de brasileiros e está entre os transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância. Diante desse cenário, ampliar o acesso à informação baseada em evidências, ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento especializado é apontado por especialistas como uma das principais estratégias para combater o preconceito, promover a inclusão e garantir mais qualidade de vida às pessoas com o transtorno.
Texto de John Wesley, estagiário de jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.
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