Vitalidade aborda autismo, inclusão e os desafios enfrentados por pessoas com TEA
A jornalista Tatiane Lopes recebeu a professora, pesquisadora e vice-presidente da Associação de Amigos do Autista de Novo Hamburgo (AMA/NH), Vivian Adriana Heydrich Machado, mãe de um adulto autista, e a médica psiquiatra Solange Seidl Gomes, especialista em saúde mental e desenvolvimento e professora da Universidade Feevale.
Durante o programa, foram discutidos aspectos fundamentais do autismo, que hoje é compreendido como um espectro – ou seja, não há “tipos” fixos, mas diferentes níveis de suporte necessários para cada pessoa. As características podem envolver desafios na comunicação, na interação social e padrões de comportamento repetitivos, que se manifestam de formas diversas ao longo da vida.
Um dos pontos de destaque foi o diagnóstico tardio, ainda frequente, especialmente entre meninas e adultos. A falta de identificação precoce pode impactar diretamente a saúde mental, favorecendo o desenvolvimento de condições associadas, como ansiedade e depressão.
A psiquiatra também explicou que comportamentos como crises sensoriais ainda são frequentemente interpretados de forma equivocada como falta de disciplina, quando, na realidade, refletem sobrecargas emocionais e neurológicas. A compreensão dessas manifestações é essencial para garantir acolhimento adequado.
A vivência familiar trouxe ao debate a realidade enfrentada no dia a dia. Vivian Adriana Heydrich Machado compartilhou os desafios desde o diagnóstico até a vida adulta, destacando temas como inclusão escolar, autonomia, preconceito e a sobrecarga emocional de mães e cuidadores. Segundo ela, ainda há lacunas importantes no suporte público e na efetivação de políticas de inclusão.
O programa também abordou a adolescência e a vida adulta no espectro, temas ainda pouco discutidos. As convidadas ressaltaram que as dificuldades não desaparecem com o tempo, mas se transformam, o que exige novas estratégias de apoio, especialmente nas áreas de saúde mental, educação e inserção social.
Outro aspecto importante foi a diferença entre inclusão no papel e na prática. Apesar de avanços na legislação, ainda existem desafios na adaptação de escolas, ambientes de trabalho e serviços públicos para atender às necessidades das pessoas autistas.
A desinformação também foi apontada como um dos principais obstáculos. Mitos sobre o autismo, além da circulação de informações incorretas, contribuem para o preconceito e dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
O programa destacou a importância do diagnóstico precoce e do acesso a intervenções adequadas. Também foi lembrado que o TEA é reconhecido como deficiência para todos os efeitos legais, garantindo direitos nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Ao longo da conversa, foi reforçado que o autismo não deve ser visto apenas sob a perspectiva clínica, mas também como uma questão social, que exige respeito às diferenças e ampliação das políticas de inclusão.
Mais do que informação, o debate propõe reflexão: construir uma sociedade mais preparada para acolher pessoas autistas passa por ouvir suas experiências, combater o preconceito e garantir acesso a direitos em todas as fases da vida.
O episódio completo do Vitalidade pode ser assistido pela TV Câmara de Novo Hamburgo, no canal 16 da Claro, e também no YouTube, no canal oficial da emissora.