Vereadores relatam transtornos à população e pedem soluções à concessionária de energia
A gerente de Relacionamento com o Poder Público da concessionária, Elisandra Castro, destacou os investimentos realizados pela empresa na cidade e informou que estão previstos cerca de R$ 9,7 milhões em novos aportes para os próximos cinco anos. A empresa, conforme Elisandra, atende 76% do Estado, incluindo 381 municípios. Em Novo Hamburgo, são 100 mil clientes.
Segundo ela, desde 2017 foram investidos aproximadamente R$ 160 milhões em Novo Hamburgo, incluindo substituição de postes, cabos, podas preventivas e modernização da rede elétrica. Entre as melhorias apontadas, Elisandra ressaltou a substituição gradual dos postes de madeira por estruturas de concreto. Conforme os dados apresentados, atualmente 97% dos postes do município são de concreto. Essa foi uma das principais demandas apresentadas no relatório da CPI realizada pela Câmara em 2014. Ela também mencionou a instalação de 153 religadores automáticos, equipamentos que permitem isolar áreas afetadas por falhas e restabelecer o fornecimento para parte dos consumidores de forma remota.
Durante a reunião, o vereador Ito Luciano (Podemos) pediu que a empresa concentrasse os esclarecimentos na realidade de Novo Hamburgo. O parlamentar relatou casos de moradores que permaneceram vários dias sem energia após o último temporal e destacou a necessidade de respostas mais rápidas para situações urgentes. Ricardo Ritter – Ica (MDB) também apresentou exemplo de transtornos enfrentados por família que depende de equipamentos médicos ligados à rede elétrica.
Em resposta, Elisandra e o gerente de Operações de Campo da região dos Vales do Sinos, Robert Santos, explicaram que o temporal registrado recentemente teve características de ciclone extratropical e provocou danos significativos em toda a área de concessão da empresa. Segundo a CPFL, cerca de 335 mil consumidores ficaram sem energia em decorrência do evento climático. Os representantes afirmaram que aproximadamente 80% das interrupções são causadas pela queda de galhos e árvores sobre a rede elétrica.
Robert detalhou o funcionamento do plano de contingência da concessionária. Conforme explicou, a prioridade inicial é garantir a segurança da população e restabelecer o fornecimento para serviços essenciais, como hospitais, sistemas de abastecimento de água e demais estruturas consideradas críticas. Na sequência, as equipes atuam na recomposição da rede e no atendimento aos demais consumidores. O gerente informou que a empresa conta com 1.800 eletricistas em sua área de atuação e que, em situações de emergência, equipes de outras regiões são deslocadas para reforçar os trabalhos.
Os parlamentares também solicitaram a criação de canais mais diretos entre a concessionária e o Legislativo para o encaminhamento de situações consideradas urgentes. Segundo eles, os vereadores são frequentemente procurados pela comunidade quando ocorrem interrupções prolongadas ou quando há moradores em condições de vulnerabilidade. A empresa informou que mantém canais específicos de comunicação com órgãos públicos e serviços essenciais, como a Comusa, e se comprometeu a avaliar as demandas apresentadas pelos vereadores.
Outro tema debatido foi o atendimento a consumidores que dependem de equipamentos médicos. Representantes da CPFL orientaram que usuários nessa condição realizem cadastro como UTI domiciliar junto à concessionária. De acordo com a empresa, esse registro permite identificar situações prioritárias e direcionar o atendimento com maior rapidez em casos de interrupção no fornecimento.
A questão da arborização urbana também ocupou parte significativa do debate. Cristiano Coller (PP) apontou a existência de árvores em condições precárias e sugeriu uma atuação conjunta entre concessionária e poder público. Robert Santos afirmou que os investimentos realizados nos últimos anos tornaram a rede mais robusta e reduziram os problemas relacionados aos antigos postes de madeira. Para ele, o principal desafio atual é o manejo adequado da vegetação e a definição de estratégias de longo prazo para evitar conflitos entre árvores e a rede elétrica. O gerente defendeu ações integradas entre população, poder público e concessionária para orientar o plantio e a manutenção da arborização urbana.
Ao final do encontro, a vereadora Luciana Martins (PT) questionou se a empresa havia realizado uma avaliação do desempenho do plano de contingência durante o último temporal. Robert respondeu que, após cada evento climático, é feito um levantamento para identificar oportunidades de melhoria nos serviços prestados. Os representantes da CPFL também orientaram a população a registrar todas as ocorrências pelos canais oficiais de atendimento e recomendaram o uso do aplicativo da concessionária para agilizar o envio e o recebimento de informações sobre interrupções e restabelecimento da energia.