TV Câmara NH – Psicólogas destacam importância do cuidado com a saúde mental

por Tatiane Souza — última modificação 15/10/2026 18h11
15/10/2026 – Na útima edição do programa Vitalidade, a jornalista Tatiane Lopes recebeu as psicólogas Fabiula Machado e Andreia Krug para falar sobre saúde mental e a importância do acompanhamento psicológico. Em alusão ao Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, as profissionais abordaram temas como ansiedade, sobrecarga emocional, autoconhecimento e os desafios de acesso à psicoterapia.
TV Câmara NH – Psicólogas destacam importância do cuidado com a saúde mental

Foto: John Wesley/CMNH

Fabiula Machado é especialista em terapia cognitivo-comportamental e neuropsicologia e preside a Comissão de Psicoterapia do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRPRS). Já Andreia Krug é psicóloga há mais de 20 anos e atende mulheres, especialmente em questões como ansiedade e depressão. Ela também integra a Comissão de Psicoterapia do CRPRS.

Durante a entrevista, as psicólogas destacaram que o preconceito e a dificuldade de reconhecer a necessidade de ajuda ainda afastam muitas pessoas do acompanhamento psicológico. Fabiula ressaltou que a saúde mental deve receber atenção contínua e ser compreendida de forma integrada à saúde física. “O principal é o preconceito”, afirmou, ao abordar as barreiras que ainda cercam o tema.

Andreia explicou que a psicoterapia não é indicada apenas para pessoas com transtornos mentais ou que estejam passando por situações de sofrimento intenso. O acompanhamento também pode contribuir para o autoconhecimento e para o desenvolvimento de estratégias para enfrentar os desafios cotidianos. “O tratamento é um espaço que é estruturado, ele tem objetivos”, destacou, ao diferenciar o trabalho psicológico de uma conversa informal entre amigos.

A ansiedade, a cobrança por produtividade e a dificuldade de desacelerar também estiveram entre os assuntos discutidos. Segundo as profissionais, a comparação nas redes sociais pode contribuir para sentimentos de insuficiência e frustração, especialmente quando as pessoas passam a medir a própria vida pelas conquistas que observam nos outros. Nesse contexto, o autoconhecimento é fundamental para identificar necessidades, reconhecer limites e encontrar atividades que proporcionem bem-estar.

As entrevistadas também chamaram a atenção para os desafios enfrentados em diferentes fases da vida. Crianças e adolescentes podem sofrer com rotinas intensas e cobranças excessivas, enquanto os idosos enfrentam mudanças relacionadas à aposentadoria, à dinâmica familiar e à perda de autonomia. Para as psicólogas, cada pessoa precisa ser compreendida a partir de sua história e de suas condições de vida, sem que os sintomas sejam considerados de forma isolada.

A sobrecarga feminina foi outro tema abordado no programa. Andreia destacou que o acúmulo de responsabilidades profissionais, domésticas e familiares pode levar muitas mulheres a deixar as próprias necessidades em segundo plano. As profissionais defenderam a divisão das tarefas e a importância de pedir ajuda, além de ressaltarem que o cuidado com a saúde mental deve ser uma responsabilidade compartilhada.

A família, a escola e o ambiente de trabalho também desempenham um papel importante na prevenção do sofrimento emocional. As psicólogas enfatizaram a necessidade de acolher os sentimentos desde a infância e ampliar a educação emocional nas escolas. No ambiente profissional, defenderam condições de trabalho adequadas, comunicação aberta e espaços seguros para que os trabalhadores possam expressar suas dificuldades sem medo de represálias.

As dificuldades de acesso à psicoterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também foram discutidas. Fabiula reconheceu a importância dos serviços públicos, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), mas observou que a alta demanda e as filas de espera podem dificultar o atendimento.

As profissionais, ainda, reforçaram que buscar ajuda não deve ser encarado como sinal de fracasso. “A gente não precisa ser forte o tempo todo”, afirmou Andreia, ao destacar a importância de reconhecer os próprios limites e aprender novas formas de lidar com as dificuldades. Fabiula também ressaltou a necessidade de prevenção e cuidado contínuo. “A saúde mental, nossa estrutura psicológica como um todo, ela é a nossa preciosidade”, alertou.

Ao final da entrevista, as psicólogas convidaram a comunidade para a roda de conversa: Saúde Mental: diálogos sobre cuidado e pertencimento”, que será realizada no dia 17 de outubro, na Comunidade Evangélica de Lomba Grande,  Estrada Martin Luther, 600, Lomba Grande, Novo Hamburgo, às 15h. O momento é um convite à reflexão sobre as relações humanas, o acolhimento e as diferentes experiências que atravessam nossas vidas. A atividade faz parte da Feira  Afro de Novo Hamburgo, integrando a programação do Festival Cultural Sábado na Praça. Mais informações na página da conexaoayanh.

Texto de John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.

Assista ao programa na íntegra:


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