TV Câmara: Aleitamento materno é tema de entrevista no programa Vitalidade
Formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Janaína é integrante do Comitê de Aleitamento Materno do Hospital de Caridade e Beneficência, em Cachoeira do Sul. A profissional também é docente em escolas técnicas de enfermagem, sócia da clínica Casa Premater e idealizadora da assessoria materno-infantil e educação familiar Coisas de Bebê.
A enfermeira também explicou que o aleitamento materno é influenciado pela cultura e por conhecimentos transmitidos entre gerações, que nem sempre estão de acordo com as evidências científicas. Segundo Janaína, o acesso cada vez maior a estudos e informações sobre o assunto contribui para esclarecer dúvidas e combater a desinformação. Entre os mitos comentados na entrevista está a ideia de que algumas mães produziriam um “leite fraco”. Janaína explicou que essa afirmação não corresponde à realidade. Ela também falou sobre a maneira correta de amamentar e destacou que a presença de dor durante o processo pode indicar que a pega ou a posição do bebê não estão adequadas.
Outro ponto abordado foi a relação entre o tipo de parto e a produção de leite. Segundo Janaína, tanto o parto normal quanto a cesariana não determinam, por si só, a capacidade de uma mulher amamentar. A produção de leite envolve fatores fisiológicos e hormonais, além de aspectos relacionados ao início e à frequência das mamadas e às condições da mãe e do bebê.
A falta de espaços adequados para a amamentação e coleta de leite também foi destacada. Janaína ressaltou que ainda são poucas as empresas que disponibilizam ambientes destinados a esse cuidado, o que pode dificultar a continuidade do aleitamento para mulheres que precisam retornar ao trabalho.
A entrevista também trouxe informações sobre a doação de leite materno. Segundo ela, o leite não deve ser compartilhado diretamente entre pessoas, com exceção de situações específicas de catástrofe. Para realizar a doação, as mães podem procurar bancos de leite, como os vinculados ao Hospital Presidente Vargas, Hospital Fêmina, Hospital de Clínicas e Santa Casa, em Porto Alegre. O processo é realizado por meio de um coletor fornecido pelo banco de leite após a realização dos exames necessários. A coleta pode ser feita em casa e, posteriormente, uma equipe realiza o recolhimento do material na cidade da doadora.
Janaína já havia participado do Programa Vitalidade em 2019 para falar sobre aleitamento materno. Ao comparar os dois momentos, ela apontou que uma das principais mudanças observadas nos últimos anos foi o aumento da quantidade de pessoas falando sobre o tema e, consequentemente, da procura por informações e orientações. A enfermeira ainda reforçou que os seis primeiros meses de vida são o período indicado para o aleitamento materno exclusivo. Após essa fase, outros alimentos passam a fazer parte da alimentação da criança, mas a amamentação pode continuar, contribuindo para o crescimento e o desenvolvimento infantil. A recomendação de aleitamento exclusivo até os seis meses e continuado até os dois anos ou mais também é destacada pela Organização Mundial da Saúde.
Texto de John Wesley, estagiário de Jornalismo na Gerência de Comunicação da Câmara.
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