TV Câmara – Reumatologista esclarece dúvidas relacionadas a sintomas, diagnóstico e tratamento do Lúpus

por Tatiane Souza última modificação 01/07/2022 16h33
01/07/2022 - Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) é o assunto do programa Vitalidade que já está no ar pela TV Câmara NH, canal 16 Claro/Net, e também pelo YouTube da emissora. O reumatologista e professor de medicina da Universidade Feevale Felipe Aubin esclareceu questões relacionadas a sintomas e como a doença autoimune se manifesta no corpo humano, além das dificuldades de diagnóstico e os tratamentos disponíveis para garantir uma melhor qualidade de vida, já que o lúpus não tem cura.
TV Câmara – Reumatologista esclarece dúvidas relacionadas a sintomas, diagnóstico e tratamento do Lúpus

Foto: Vicenzzo Zang/TV Câmara NH

Aubin também é preceptor e orientador de médicos residentes nos Hospitais Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e Moinhos de Vento.

O lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. A doença se manifesta principalmente na faixa etária de 20 a 45 anos.
No Brasil, os números não são exatos, mas as estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia indicam que existam cerca de 65.000 pessoas com a doença, sendo a maioria mulheres. Acredita-se assim que uma a cada 1.700 mulheres no país tenha a doença.

Segundo Aubin, a doença autoimune possui manifestações muito amplas dependendo do sistema que está sendo afetado. Ele também destaca que todos os pacientes com lúpus tem potencial de desenvolver uma doença grave e, por isso, é extremamente importante detectar o transtorno no tempo certo e realizar os tratamentos corretos. O reumatologista caracteriza o lúpus como uma doença multifatorial, ou seja, pode se desenvolver por uma série de fatores. O entrevistado determina como uma das principais causas da doença o tabagismo, exposição a fumaça e outras questões ambientais pelas quais as pessoas são submetidas ao longo da vida. As razões genéticas e condições emocionais também podem contribuir para o desenvolvimento da enfermidade.

Relacionado à questão de que o lúpus é mais predominante no gênero feminino, Aubin destaca que a doença é nove vezes mas comum em mulheres, principalmente naquelas que estão em idade fértil, o que, segundo ele, constata um fator relacionado aos hormônios femininos para o desenvolvimento do transtorno.

Sobre os sintomas, o reumatologista salienta que, inicialmente, o paciente pode ter febre baixa, falta de apetite, anemia, entre outros, o que pode caracterizar a manifestação de diversas outras doenças e acaba dificultando o diagnóstico da enfermidade. Posteriormente, outros sinais mais aparentes podem sinalizar o desenvolvimento da doença de forma mais clara, como manifestações cutâneo articulares. Um exemplo clássico, segundo o médico, é o surgimento de uma mancha em formato de borboleta no rosto. O enfermo pode desenvolver aftas no interior da boca, inflamações nas articulações, anemia, plaquetas baixas, glóbulos brancos baixos e serosite. Em manifestações mais graves, a doença pode ocasionar nefrite lúpica, que afeta o funcionamento dos rins e também o sistema nervoso central.

Aubin também destaca que há um exame que o paciente pode fazer para detectar a doença, porém, apenas ele não é suficiente para um diagnóstico completo. Apenas um reumatologista é capaz de cruzar os dados do exame junto de diversos outros fatores para determinar a presença do lúpus ou não. O paciente necessita de um tratamento a longo prazo e a busca é pela remissão da doença, ou seja, que ela não se manifeste de forma perceptível no corpo. Fatores como gestação, infecções e cirurgias podem fazer com que a enfermidade acabe se evidenciando mais fortemente.

Em relação ao tratamento, o reumatologista comenta que varia de acordo com o quadro que o paciente apresenta. Em manifestações mais leves, o medicamento hidroxicloroquina costuma ser a abordagem mais indicada contra a doença. Já em casos mais graves, às vezes são necessários tratamentos mais severos, os quais pode resultar até a internação do enfermo.

Também é necessário que o paciente ajude a si próprio durante seu tratamento. Alimentar-se bem, praticar atividades físicas e, principalmente, usar filtro solar, mesmo no inverno, são algumas medidas necessárias que evitam o desencadeamento dos sintomas mais graves da doença.

Para entender ainda mais sobre o lúpus, seu desencadeamento, sintomas e tratamento, assista ao programa na íntegra abaixo:



Vitalidade:

O Vitalidade é um programa sobre saúde, bem-estar, comportamento e qualidade de vida que vai ao ar pela TV Câmara, canal 16 da Net. Ele é apresentado pela jornalista Tatiane Lopes desde 2012. Sugestões de pauta podem ser enviadas para o e-mail tv@camaranh.rs.gov.br.

Texto de Gabriela Castro, estagiária de jornalismo na comunicação da Câmara.

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