Sessão solene celebra o centenário da Paróquia São Luiz Gonzaga

por Luís Francisco Caselani última modificação 12/06/2026 00h53
11/06/2026 – Em 14 de maio de 1926, o então arcebispo de Porto Alegre, Dom João Becker, decretou a criação da Paróquia São Luiz Gonzaga. A elevação da capela e o consequente desmembramento da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, sediada em Hamburgo Velho, marcou o início de um novo momento para a comunidade católica local e tornou-se símbolo da expansão vivida por Novo Hamburgo às vésperas de sua emancipação. Para comemorar o centenário da paróquia, a Câmara realizou uma sessão solene na noite desta quinta-feira, 11. A homenagem foi uma iniciativa do vereador Felipe Kuhn Braun (PSDB).
Sessão solene celebra o centenário da Paróquia São Luiz Gonzaga

Foto: Daniele Souza/CMNH

A paróquia atravessou um século de existência, acompanhando o crescimento da cidade, acolhendo gerações de famílias, formando valores e contribuindo decisivamente para a construção de uma identidade religiosa, cultural e educacional para Novo Hamburgo. Ao longo desses anos, milhares de pessoas receberam o batismo, celebraram seus matrimônios e encontraram conforto nos momentos difíceis. Mais do que um templo, a paróquia tornou-se verdadeiro ponto de encontro entre a fé e a comunidade”, destacou Felipe.

Situada no mesmo terreno de 9.650 metros quadrados onde a primeira capela foi construída, ainda em 1924, a hoje Catedral Basílica São Luiz Gonzaga passou por muitas mudanças e melhorias. Em 1954, 30 anos após o início das obras da pequena sede original, foi inaugurada a parte nova da matriz. No dia seguinte, era demolida a antiga capelinha, cujo material seria reaproveitado na construção da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no bairro Rondônia.

Em 1959, o pintor italiano Aldo Locatelli foi contratado para fazer as pinturas sacras de São Luiz Gonzaga. A igreja conta ainda com obras de artistas como Emilio Sessa, Ilse Schmidt e Marciano Schmitz, presente à solenidade.A paróquia é guardiã de um importante patrimônio histórico, artístico e cultural. As obras sacras, os vitrais e sua arquitetura representam não apenas a riqueza da tradição católica, mas também esse legado que pertence a toda a comunidade hamburguense”, prosseguiu Felipe.

A paróquia foi elevada ao patamar de catedral em 1980, com a criação da Diocese de Novo Hamburgo, cujo território compreende 23 municípios dos vales do Sinos, Paranhana e Serra. Por determinação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a catedral ainda seria consagrada, em 1991, com o título de “basílica.

Hamburguense de nascimento, o padre Marco Antonio Leal recorreu à sua experiência pessoal para enaltecer a grandiosidade da paróquia construída por diferentes gerações de fiéis. “Quando eu tinha 13 ou 14 anos, me ajoelhei na catedral e sonhei em um dia poder ser padre. ‘Será que um dia vou rezar alguma missa nesta igreja tão linda?’ E hoje sou o pároco da catedral, que não é apenas um patrimônio histórico e cultural, mas sobretudo um patrimônio humano e espiritual”, frisou o sacerdote, que fez questão de lembrar as pessoas que o antecederam.

“Recebemos esta homenagem com profunda gratidão. Não apenas em nosso nome, mas no de milhares de homens e mulheres que, ao longo de um século, escreveram a história da nossa tão amada paróquia. Quando celebramos esses cem anos, recordamos tantas datas e acontecimentos. Olhamos para trás e percebemos quantas gerações passaram pela paróquia e nela encontraram acompanhamento, acolhimento e conforto. Nenhuma obra centenária permanece viva apenas por causa de seus fundadores, mas porque cada geração assume a responsabilidade de receber um legado e transmiti-lo adiante. E a nossa igreja deseja continuar contribuindo para a sociedade hamburguense, promovendo dignidade humana, fortalecendo as famílias, acolhendo os que sofrem e sendo uma fonte de esperança para o nosso povo”, emendou o pároco.

O bispo Dom João Francisco Salm e o diácono Paulo Mecabô também fizeram uso da tribuna. Quinto líder da diocese hamburguense, Dom João Francisco falou sobre a importância da vida em comunidade. “É nesse ambiente que conseguimos forjar pessoas, personalidades e caráter. É onde cultivamos valores. A comunidade é como uma casa aberta, onde todos devem ser acolhidos e de onde também se parte em missão”, comentou o religioso.

Assim como o bispo, natural do município catarinense de São Pedro de Alcântara, Mecabô também não nasceu em Novo Hamburgo, mas encontrou acolhimento na Catedral São Luiz Gonzaga, em cujos arredores sempre fez questão de manter sua residência. “É uma igreja viva e que pulsa. Cem anos já fizemos e assim vamos continuar, pois se trata de uma obra de Deus”, afirmou.

Além de Felipe Kuhn Braun, a sessão solene contou com a participação das vereadoras Daia Hanich (MDB) e Professora Luciana Martins (PT). Ricardo Ritter – Ica (MDB) justificou sua ausência. Independentemente das nossas crenças individuais, é impossível contar a história da nossa cidade sem reconhecer o papel da catedral. A paróquia acompanhou o crescimento do município, testemunhou transformações sociais, culturais e urbanas e se tornou uma das referências mais conhecidas de Novo Hamburgo”, salientou Luciana.

O que começou como uma paróquia, fruto da fé e da dedicação de tantas pessoas, cresceu junto com a nossa comunidade, chegando ao ponto de ser elevada à condição de diocese. O seu legado ultrapassa os limites da missão pastoral, refletindo-se também em ações de acolhimento, solidariedade e promoção dos valores humanos e cristãos que fortalecem a nossa sociedade”, acrescentou Daia Hanich. 

São Luiz Gonzaga 

Nascido na Itália em 9 de março de 1568, São Luiz Gonzaga é considerado o padroeiro dos jovens e dos seminaristas. Primogênito de uma família nobre, decidiu-se cedo pela vocação religiosa, apesar da resistência de seu pai. Aos 17 anos, foi aceito como seminarista na Companhia de Jesus. Aos 19, transferiu-se para Roma, onde morreria quatro anos mais tarde. Fiel ao desejo de entregar-se ao próximo, dedicou-se ao cuidado dos enfermos após uma peste invadir a cidade, mas acabou acometido pela doença. Que o exemplo de São Luiz Gonzaga continue inspirando novas gerações a construírem uma sociedade mais justa, humana e solidária. Que os próximos cem anos sejam igualmente marcados pela fé, pela esperança, pelo serviço e pelo amor ao próximo”, finalizou Felipe Kuhn Braun.

Assista à sessão solene na íntegra: