Rede Lilás reforça papel do CRM no acolhimento às vítimas de violência
Durante o encontro, representantes de órgãos públicos, instituições de justiça, entidades da sociedade civil e serviços da rede de proteção discutiram fluxos de atendimento, protocolos de encaminhamento e estratégias para evitar a revitimização das mulheres que buscam ajuda. Advogada do CRM, Gisele Mello destacou que, além dos atendimentos de orientação, as 30 usuárias em acompanhamento são aquelas que optaram por construir, junto ao serviço, um plano individual de desenvolvimento e superação da situação de violência. Entre os desafios identificados estão a ampliação do acesso ao serviço, a definição de fluxos integrados entre os órgãos da rede e o fortalecimento da comunicação entre as instituições.
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Para a coordenadora do CRM, Aline Facchin, o diferencial da unidade de Novo Hamburgo é estar vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. Por ser composta também por profissionais da enfermagem, a estrutura permite a realização de atendimentos emergenciais em casos de violência sexual ocorridos em até 72 horas, incluindo profilaxias, testes rápidos e contracepção de emergência, além dos encaminhamentos necessários para avaliação médica e perícia.
A defensora pública Deisi Sartori elogiou o trabalho desenvolvido pela equipe desde a reabertura do serviço. Segundo ela, os resultados já são perceptíveis na rotina dos atendimentos e contribuem para qualificar os encaminhamentos realizados pela rede. A defensora também reforçou a necessidade de compreender o papel de cada instituição para garantir um atendimento eficiente e reduzir situações de revitimização.
Um dos principais debates da reunião envolveu a atuação da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal. Integrantes da Rede Lilás defenderam que o CRM seja reconhecido como principal porta de entrada para os casos de violência de gênero, concentrando a escuta qualificada, a avaliação técnica e a articulação dos encaminhamentos necessários.
A assistente social Gisele Pires, integrante do Mulheres Protegidas da Guarda Municipal, destacou a importância do atendimento técnico especializado às mulheres em situação de violência. Segundo ela, a retomada do CRM oferece ao município um serviço de referência capaz de realizar acolhimento, avaliação e encaminhamento adequados, evitando que as mulheres precisem relatar repetidamente suas experiências sem o suporte necessário. Para Gisele, o fortalecimento dos fluxos entre os órgãos da rede é fundamental para garantir um atendimento mais humanizado e eficiente.
Representando o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), Isadora Cunha lembrou que a retomada do serviço foi uma reivindicação histórica dos movimentos e instituições que atuam na defesa dos direitos das mulheres e ressaltou que o Centro reúne as condições necessárias para realizar a escuta qualificada, a avaliação multidisciplinar e os encaminhamentos adequados. Isadora também defendeu que a Procuradoria da Mulher fortaleça sua atuação institucional na formulação, fiscalização e aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas às mulheres hamburguenses.
A procuradora especial da Mulher, vereadora Deza Guerreiro (PP), considera que a retomada do CRM permite reorganizar os fluxos de atendimento e garantir que as mulheres recebam esses encaminhamentos. Ela também manifestou interesse em ampliar o diálogo com a rede para qualificar a atuação da Procuradoria e fortalecer a proteção às vítimas de violência.
A reunião tratou ainda da construção do protocolo integrado de atendimento às mulheres em situação de violência. O documento, apresentado pela responsável técnica Thissiany Lima, seguirá em discussão nas próximas semanas antes de sua finalização e apresentação pública, prevista para ocorrer durante os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
Ao final do encontro, os participantes reforçaram a importância da atuação conjunta entre os serviços e da consolidação de uma rede cada vez mais articulada para garantir acolhimento, proteção e acesso aos direitos das mulheres hamburguenses.

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na rua 25 de Julho, 326, no bairro Rio Branco. O espaço oferece atendimento de enfermagem, psicologia, assistência social e orientação jurídica às mulheres em situação de violência.