Programa da Polícia Civil dialoga com estudantes sobre prevenção à violência

por Luís Francisco Caselani última modificação 30/10/2019 16h48
30/10/2019 – Em outubro de 2016, a Polícia Civil gaúcha aderiu ao programa Papo de Responsa. A iniciativa, criada pela corporação fluminense, propõe uma conversa descontraída com alunos de ensino fundamental e médio de escolas públicas e privadas sobre prevenção à violência e o papel do policial na sociedade. Os diálogos também abordam questões como bullying e os problemas causados pelo consumo e tráfico de drogas. Convidado pelo vereador Raul Cassel (MDB), o escrivão Rodrigo Cachoeira usou a tribuna durante a sessão desta quarta-feira, 30, para contar como tem sido a experiência em Novo Hamburgo.
Programa da Polícia Civil dialoga com estudantes sobre prevenção à violência

Crédito: Jaime Freitas/CMNH

O trabalho da equipe do Papo de Responsa inicia a partir do convite das instituições de ensino interessadas. São as escolas também que sugerem os temas a serem abordados. O encontro com os alunos se desenvolve por meio de uma conversa descontraída, com espaço para os jovens participarem efetivamente com réplicas e questionamentos, contextualizando os assuntos ao cotidiano escolar. Cachoeira salientou que as atividades proporcionam ainda a interação e aproximação da Polícia Civil com a sociedade.

Natural do Rio de Janeiro, o escrivão relatou que a iniciativa tem sido exitosa em todos os locais onde foi implantada. “Quatro estados já aderiram, e os números são extremamente animadores, principalmente no tocante da redução do ingresso dos jovens na vida criminosa”, revelou. Segundo Cachoeira, o programa já alcançou mais de 3 mil alunos somente no Vale do Sinos. “Vamos também a qualquer instituição que nos fizer convites, mesmo igrejas e empresas”, acrescentou. Conforme o agente, os pedidos devem ser formalizados pelo e-mail papoderesponsa@pc.rs.gov.br.

O trabalho policial é marcado por um preconceito, visto pela população como uma força opressora e agressiva. O Papo de Responsa vai na contramão disso. Surgimos como um programa de prevenção para orientar o certo e o errado, mas que quer também enaltecer e fortalecer laços. Não é interessante que nos encontremos apenas enquanto cumpridor e transgressor da lei. Queremos que eles nos vejam como uma pessoa que lhes quer o bem. Levamos para o jovem a oportunidade de conversar com alguém que pode orientar acerca das escolhas de vida e suas consequências”, ressaltou Cachoeira, que descreveu o programa como complementar ao trabalho dos professores em sala de aula.

Também integrante da equipe que desenvolve o projeto, o inspetor Alexandro Lopes explicou que o objetivo também é, em um país carente de heróis, apresentar a força policial como parte da sociedade. “Geralmente a imagem da polícia afasta e amedronta as pessoas. Mas queremos mostrar que não se trata de um braço opressor, que existe para prejudicá-las. Nós servimos como orientadores para quem está em formação”, detalhou o policial, que ainda apontou que o retorno tem sido bem positivo.

Este programa instrumentalizou a aproximação entre o Estado, na figura de seus agentes, e os jovens. Quando eles nos veem nas escolas, agora enxergam cidadãos buscando orientá-los para que abordagens policiais futuras não ocorram, e isso é muito válido. Todos passamos pelo que os alunos passam, mas conseguimos tirar do abstrato o bem e o mal, e hoje estamos do lado do bem. Como a sociedade está carente de heróis, são essas as pessoas em quem eles devem procurar se espelhar, e não quem lesa a sociedade”, argumentou o servidor.

Integrante das Comissões de Educação e de Segurança Pública da Câmara, Felipe Kuhn Braun (PDT) classificou o programa como a materialização de uma iniciativa para impedir o avanço da criminalidade. “Recentemente fui a uma escola que só consegue manter seu patrimônio em razão da presença de um guarda municipal. Essa situação é muito mais próxima do que realmente pensamos ser”, opinou. Cristiano Coller (Rede) e Enio Brizola (PT) elogiaram o trabalho dos agentes. “Mesmo enfrentando todas as dificuldades devido à crise do Estado, esses policiais dedicam-se às causas sociais. É uma iniciativa que merece ser apoiada e divulgada”, frisou Brizola.

O presidente da Câmara, Raul Cassel, disse ter tomado conhecimento do projeto após a participação dos policiais civis em atividade recepcionada por uma escola particular. “Soube do grande nível de sensibilização dos alunos. Eles conseguiram se sentir próximos a uma realidade muito presente. As oportunidades estão sempre rondando os jovens. Acho muito importante o engajamento dos órgãos de segurança, a modelo do que faz a Brigada Militar com o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) e o Corpo de Bombeiros com o Bombeiro Mirim. Mas já antecipo que vocês terão que se multiplicar. Certamente virão muitos pedidos”, finalizou o vereador.

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