Prefeito promete retorno da oncologia a Novo Hamburgo até 2028
“Ainda antes de assumirmos a gestão, procuramos o Governo do Estado e externamos esse nosso propósito. Nosso compromisso é de que a oncologia estará de volta até 2028. Já há um movimento das cidades vizinhas por um atendimento mais próximo e humanizado. Temos que achar a melhor metodologia e os melhores investimentos. Novo Hamburgo é referência em várias especialidades, e a oncologia será mais uma dessas. Acredito que em um prédio moderno, com equipamentos modernos, para a gente cuidar de verdade das pessoas”, destacou o prefeito, que mencionou conversas com deputados para a obtenção de recursos que viabilizem essa nova estrutura.
Pouco antes do anúncio, a secretária municipal de Saúde, Betina Espindula, revisitou o processo que levou à perda da referência. A gestora reconheceu a escassez de financiamento federal e estadual, forçando volumosas contrapartidas por parte do Município, mas pontuou que isso não deveria significar a incapacidade de prosseguir com a especialidade. “Houve, naquele momento, uma dificuldade de entendimento da importância de se manter o serviço. Somos um município com quase 250 mil habitantes, com plenas condições de sermos um polo regional de saúde”, afirmou.
Conforme a secretária, Novo Hamburgo transporta em torno de 30 pacientes por dia a Taquara. Além disso, são feitos cerca de 130 novos encaminhamentos por mês, pessoas que dão início a seus tratamentos oncológicos. “Isso tem um custo financeiro para o Município, mas principalmente de qualidade de vida para esses cidadãos. O que mais nos preocupa é que nosso atendimento foi colocado em um hospital que, embora esforçado, tem um serviço muito menor do que temos aqui, tanto em tamanho quanto em complexidade. Em Novo Hamburgo temos mais recursos para os nossos pacientes”, avaliou.
Ao longo de sua fala, Betina reiterou o compromisso da gestão com a retomada da especialidade. A primeira tentativa ocorreu por meio de parcerias com instituições privadas de saúde, mas sem sucesso. O caminho foi voltar a atenção para um serviço inteiramente municipal. “Mas é importante pontuar que a oncologia não pode ser instalada em qualquer lugar, tampouco pela metade. Estamos organizados para reformas e construções, que já estão inclusive em andamento no nosso hospital. Depois do serviço retomado, vamos precisar pleitear em conjunto sua sustentação financeira. Porque é muito injusto que o Município tenha que aportar o maior volume de recursos para um serviço que não atenderá apenas Novo Hamburgo. Não é só trazer para cá. Temos que trazer com qualidade, compromisso e com valores que sejam suficientes para mantê-lo”, frisou.
Vereadores
Responsável pela condução da audiência, o presidente da Comissão de Saúde, Ico Heming (Podemos), falou sobre a difícil rotina dos deslocamentos a Taquara, envolvendo pessoas muitas vezes debilitadas pelos efeitos da quimioterapia e da radioterapia. “A perda da oncologia trouxe inúmeros desafios para quem enfrenta um tratamento contra o câncer. O objetivo desta audiência é ouvir a comunidade, compreender esses impactos e, juntos, construirmos caminhos para que esse serviço volte ao nosso município. Quem faz esse trajeto sabe das dificuldades. Estamos aqui para ouvir quem vive essa realidade, levar essas demandas aos gestores e construir soluções por meio do diálogo”, enfatizou o vereador.
Antes da abertura de espaço de fala para os cidadãos presentes, outros parlamentares também se manifestaram. Relator da comissão, Joelson de Araújo (Republicanos) pediu que o Município comece a trabalhar desde já para reobter a referência, organizando contratações de pessoal, investindo em estrutura e demonstrando tanto interesse quanto merecimento na retomada.
O secretário do colegiado, Eliton Ávila (Podemos), mencionou casos oncológicos que têm extrapolado o tempo máximo previsto em lei para a primeira consulta e fez coro à cobrança junto a deputados e senadores pela destinação de recursos.
Daia Hanich (MDB) disse já ter ouvido outras promessas de datas para o retorno da oncologia e cobrou dignidade para as pessoas que seguirão indo a Taquara até eventual retomada. “Sabemos que precisamos de uma nova habilitação junto ao Ministério da Saúde e que precisaremos repactuar um atendimento regional com Estado e municípios. É um caminho longo ainda a percorrer”, ponderou.
Professora Luciana Martins (PT) questionou sobre a possibilidade de acelerar a retomada de procedimentos de menor complexidade e sugeriu a criação de uma comissão parlamentar para acompanhar o andamento do processo até 2028. Além dos vereadores que se pronunciaram, o vice-presidente da Câmara, Felipe Kuhn Braun (PSDB), também participou da audiência.
Convidados
Presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo, a oncologista Daniela Lessa resgatou todo o crescimento do serviço na cidade até a perda da referência para Taquara. “Com a saída, perdemos também muita tecnologia e profissionais de ponta. Novo Hamburgo tinha um dos únicos três PET-CTs do estado, o aparelho mais sofisticado de estadiamento do câncer. São perdas que não são facilmente repostas”, explicou a médica, que assegurou o apoio da Liga ao pleito liderado pelos agentes públicos da cidade. “É urgente essa retomada. Não podemos permitir que isso se perpetue.”
Responsável pela parte de cirurgia oncológica prestada gratuitamente no Hospital Regina de 2012 a 2022, Carlos Antonello comentou que o serviço era “extremamente bem estruturado”, ofertando muitos recursos aos pacientes. “Laparoscopia entrou no rol do SUS há um ou dois anos. Nós realizávamos desde 2012. Essas questões faziam com que muitas pessoas se mudassem para Novo Hamburgo para fazer o tratamento. A Prefeitura e o Estado não souberam reconhecer esse aumento no número de pacientes atendidos”, recuperou o cirurgião, que lamentou a perspectiva adotada pelo Governo do Estado para transferir a referência.
“Entenderam que Taquara daria maior agilidade ao atendimento. Mas é inviável um paciente com câncer, submetido a sessões de quimioterapia, pegar uma van às 6h, vê-la percorrer toda a cidade de Novo Hamburgo, chegar em Taquara às 10h, fazer o procedimento por 40 minutos e ter que esperar, sem um copo d’água ou um sanduíche, até as 18h para retornar. Não é possível fecharmos os olhos e entendermos como algo normal”, finalizou Antonello.
Assista à audiência pública na íntegra:
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