Parlamentares aprovam moção de repúdio a declarações contra professores

por Luís Francisco Caselani última modificação 25/05/2026 20h58
25/05/2026 – A Câmara de Novo Hamburgo aprovou durante a sessão plenária desta segunda-feira, 25, moção de repúdio às declarações ofensivas feitas pelo vereador paulistano Lucas Pavanato de Oliveira contra professores. A proposta, assinada por Professora Luciana Martins (PT), recebeu o voto contrário de Giovani Caju (PP).
Parlamentares aprovam moção de repúdio a declarações contra professores

Foto: Moris Musskopf/CMNH

O documento critica falas em que o parlamentar se referiu a profissionais da educação como “vagabundos” e “burros”. Para a autora da moção, manifestações desse tipo extrapolam o debate político e atingem diretamente uma categoria essencial para a formação da sociedade. “Professores enfrentam diariamente desafios enormes dentro das escolas e seguem desempenhando um papel fundamental na construção da cidadania e do pensamento crítico. Não podemos naturalizar ataques e discursos de desrespeito contra quem dedica a vida à educação”, afirmou Luciana.

Ao longo da Moção nº 34/2026, a vereadora destaca a realidade enfrentada por educadores brasileiros, marcada por sobrecarga de trabalho, dificuldades estruturais e adoecimento físico e emocional. O texto também sustenta que declarações ofensivas contribuem para a desvalorização histórica da educação pública e estimulam a hostilidade contra profissionais da área.

A matéria ainda ressalta que críticas e divergências são legítimas em um regime democrático, mas que ataques generalizados e desumanizadores ultrapassam os limites da civilidade e da responsabilidade institucional. A moção faz referência às reflexões de Darcy Ribeiro e Paulo Freire, alertando para o papel transformador da educação e a necessidade de valorização do ensino público.

Embora não tivesse direito a voto, Juliano Souto (PL) usou a tribuna para solicitar aos colegas a rejeição da matéria. O presidente contextualizou que a manifestação do parlamentar paulistano teria ocorrido como uma resposta a ofensas recebidas. “Ele estava saindo de seu lugar para falar, mas, enquanto se dirigia à tribuna, foi humilhado e achincalhado. E ele não falou da categoria dos professores, mas dos sindicalistas que proferiam impropérios. Se votarem ‘sim’, depois não reclamem por serem xingados aqui neste plenário”, afirmou Souto, que mencionou supostos casos semelhantes de agressões verbais sofridas por vereadores hamburguenses.

Algumas das ofensas mais doentias que escutei foi aqui. E até mesmo por alguns companheiros de plenário. Mas nem por isso ofendi alguém”, relembrou Ricardo Ritter – Ica (MDB). Deza Guerreiro (PP) e Felipe Kuhn Braun (PSDB) ressaltaram que todas as categorias merecem respeito. Eliton Ávila (Podemos) falou sobre a necessidade de entender a liturgia do cargo ocupado e exercer a função com controle e equilíbrio.

Enio Brizola (PT) tratou o caso como um “péssimo exemplo” para os legislativos municipais. “O extremismo leva a essas consequências. Às vezes, quando são votadas matérias aqui nesta Casa, eu, se estivesse na plateia, também xingaria. Quando aumentassem a conta de água em 25%, quando aumentassem o IPTU em 300%, quando diminuíssem o valor da minha aposentadoria ou quando me dessem uma miséria de reajuste, eu também xingaria alguém”, admitiu. Apesar disso, Brizola disse ser dever dos vereadores respeitarem as manifestações da população. “O povo vota para ser representado, e não para ser destratado”, finalizou.

O debate em plenário se estendeu por mais de 35 minutos. Em seu pronunciamento, Cristiano Coller (PP) lamentou o excesso de tempo investido na discussão de uma moção relacionada a algo acontecido em São Paulo, distante da realidade dos contribuintes hamburguenses. Daia Hanich (MDB) concordou. “Gostaria muito que o PL 36 (que promove ajuste no texto da lei orçamentária) tivesse tido a mesma participação dos vereadores. Voto a favor desta moção, mas também votaria favoravelmente a uma manifestação de repúdio às pessoas que atacaram aquele parlamentar. Professores precisam ter postura perante seus alunos e perante a população”, observou a emedebista.

Com a aprovação em plenário, o documento será encaminhado à Câmara Municipal de São Paulo, à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), ao Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), além de outras entidades representativas dos servidores e da educação, como o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep-SP) e o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo (Aprofem).

 

Como foi a votação*:

- Votaram a favor (10): Cristiano Coller (PP), Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Eliton Ávila (Podemos), Enio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Ico Heming (Podemos), Nor Boeno (MDB), Professora Luciana Martins (PT) e Ricardo Ritter – Ica (MDB)

- Votou contra (1): Giovani Caju (PP)

* Em representação, Joelson de Araújo (Republicanos) não participou da sessão. Ito Luciano (Podemos) esteve ausente por motivos de saúde. Já o presidente Juliano Souto (PL) votaria apenas em caso de empate.

 

O que é uma moção?

A Câmara se manifesta sobre determinados assuntos – aplaudindo ou repudiando ações, por exemplo – por meio de moções. Esses documentos são apreciados em votação única e, caso sejam aprovados, cópias são enviadas às pessoas envolvidas. Por exemplo, uma moção louvando a apresentação de um projeto determinado no Senado pode ser enviada ao autor da proposição e ao presidente daquela casa legislativa.