Instituto Âncora apresenta trabalho de ressocialização e alerta para relação entre alcoolismo e violência doméstica
Logo no início da sessão, Deza distribuiu fitas pretas aos presentes e propôs a realização de um minuto de silêncio em lembrança às 20 mulheres vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul nos dois primeiros meses do ano. Na tribuna, a vereadora afirmou que o objetivo da manifestação da representante do Instituto Âncora é fortalecer políticas públicas de prevenção e cuidado.
Ivete defendeu a ressocialização como uma ferramenta real de prevenção à violência de gênero. Segundo ela, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam a violência doméstica como uma das maiores violações de direitos no país. “Quando falamos de violência doméstica, não falamos apenas de estatísticas. Falamos de mulheres agredidas, crianças traumatizadas e famílias destruídas.”
Para ela, a Lei Maria da Penha representa um avanço histórico, ao criar mecanismos de proteção e responsabilização. No entanto, somente a punição não resolve o problema. A presidente do instituto apontou ainda que, em grande parte dos casos, o abuso de álcool e drogas está presente. “Quantos lares já foram destruídos pelo álcool? Quantas agressões já foram cometidas sob o efeito de drogas? Quantas crianças cresceram assistindo a essa violência associada às dependências?”, indagou.
A gestora afirmou que a ressocialização não significa apenas reintegrar alguém à sociedade, mas construir valores, trabalhar a responsabilidade, promover a consciência, ensinar novas formas de lidar com conflitos e restaurar vínculos familiares. Ela ressaltou ainda a importância de tratar a dependência química como uma questão de saúde pública e lembrou que a ausência de acompanhamento e a falta de intervenção preventiva geram reincidência.
Por fim, pediu apoio institucional e financeiro do município, destacando que o trabalho realizado pelo instituto impacta áreas como saúde, segurança e assistência social. “Precisamos investir na pessoa antes que ela se torne apenas um número ou uma estatística. Quando o município investe em prevenção, está investindo no futuro da nossa cidade.”
Também estiveram presentes na sessão o vice-presidente da entidade, Juarez Cavalheiro, e a responsável técnica e assistente social Simone Oliveira.
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Manifestação dos vereadores
A vereadora Professora Luciana avaliou que, quando se pensa no ciclo da violência, os números são impactantes. Ela questionou quais são as principais dificuldades da instituição para manter o trabalho de forma voluntária.
Ivete enumerou os serviços prestados pelo instituto e ressaltou os custos de aluguel dos dois espaços mantidos pela entidade (Caminhos da Esperança e Casa Elo) além dos insumos destinados aos ressocializandos.
A vereadora Daia, que também é policial civil, afirmou que, durante o protocolo de atendimento às vítimas, geralmente é constatado o abuso de álcool.
Eliton Ávila (Podemos) lembrou que o 8 de março é um dia de combate às violências e observou que os casos de agressão costumam aumentar aos finais de semana.
Juliano Souto (PL) recordou sua parceria com a entidade e destacou ser autor do projeto que reconheceu a utilidade pública do instituto.
Enio Brizola (PT) antecipou apoio ao Instituto Âncora por meio da destinação de emenda parlamentar. O vereador também questionou como lidar com uma parcela da população que sofre de desagregação familiar em consequência do uso abusivo de substâncias e que se encontra em situação de rua.
Ivete pontuou que é fundamental realizar busca ativa e contar com o apoio das famílias para tentar a ressocialização dessas pessoas.
Instituto Âncora
Constituído em maio de 2023, o Instituto Âncora é uma entidade sem fins lucrativos que desenvolve atividades de promoção à saúde e segurança alimentar, prevenção ao uso e abuso de álcool e outras drogas, inserção no mercado de trabalho e apoio a imigrantes e outros grupos em situação de vulnerabilidade social.
Entre as finalidades previstas em seu estatuto, estão também a organização de atividades artísticas inclusivas e o incentivo ao emprego e geração de renda a partir da abertura de cursos profissionalizantes.