Executivo planeja ter 2 mil câmeras ativas no Programa Smart NH até 2028

por Maíra Kiefer última modificação 05/08/2026 21h04
05/08/2026 – Um acervo com informações de seis mil foragidos no banco de dados do Sistema Smart NH têm servido de base para a identificação realizada pelas câmeras de reconhecimento facial espalhadas pela cidade de Novo Hamburgo. Os números foram apresentados pelo secretário municipal de Segurança Pública, Rosalino Constante Seara, pelo diretor do Gabinete de Gestão Integrada (GGIM), José Urbano Amaral de Lourenço, e pelo gerente de Videomonitoramento, Rogério Luís Haas. Eles participaram da sessão plenária desta quarta-feira (5), a convite do vereador Ricardo Ritter – Ica (MDB), para esclarecer o funcionamento do sistema, que inclui cercamento eletrônico, torres inteligentes, leitura de placas (OCR) e uma Central de Comando, Controle e Inteligência (C3).
Executivo planeja ter 2 mil câmeras ativas no Programa Smart NH até 2028

Foto: Jaime Freitas/CMNH

"Durante todo o ano de 2024, foram presos 47 foragidos. Neste ano, somente no mês de julho, nós prendemos 48", informou o secretário, lembrando que a iniciativa é desenvolvida em parceria com o Observatório de Segurança.

Além do trabalho da Guarda Municipal, Seara acrescentou que também há cooperação com órgãos como o DNIT, o Daer e a Polícia Rodoviária Estadual do Rio Grande do Sul para a instalação de câmeras em pontos estratégicos. Haas complementou que Novo Hamburgo possui mais de 200 vias de acesso ao município.

Segundo os integrantes da pasta, a implementação do programa está estruturada em quatro fases, iniciadas em dezembro de 2025. A primeira contemplou a instalação de 11 torres inteligentes, a revitalização de pontos obsoletos, a adição de 88 câmeras inteligentes e a modernização do C3 Móvel com inteligência artificial, equipado com painéis de monitoramento em tempo real.

A segunda etapa terá início em agosto e prevê a implantação do cercamento eletrônico, além da expansão da estrutura com mais 100 torres inteligentes, 80 Smart Boxes, três totens e a integração com o sistema de estacionamento rotativo da Comur.

A expectativa é de que, até dezembro, sejam instaladas mais 20 torres, implementados sistemas de monitoramento em ônibus urbanos, incorporada uma Viatura Móvel Inteligente e concluída a modernização do painel físico do C3.

A última fase está prevista para março de 2027 e será voltada à rede municipal de ensino, com a instalação de 92 torres inteligentes e botões de pânico nas escolas.

O secretário informou ainda que estão previstas a aquisição de novas viaturas e drones. Segundo ele, o planejamento da administração municipal é alcançar cerca de 2 mil câmeras ativas no Programa Smart NH até 2028.

Confira na íntegra o conteúdo apresentado na sessão

Questionamentos

Os vereadores aproveitaram a participação do secretário municipal de Segurança Pública, Rosalino Constante Seara, e da equipe técnica da pasta para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, a expansão e os investimentos do Programa Smart NH.

O vereador Felipe Kuhn Braun (PSDB) questionou a estrutura da Central de Comando, Controle e Inteligência (C3), o número de profissionais responsáveis pelo monitoramento e a previsão de ampliação da equipe. Em resposta, Seara explicou que o trabalho é integrado ao Observatório de Segurança e conta atualmente com dois a três operadores de videomonitoramento, além de guardas municipais. Segundo ele, a equipe será ampliada com mais sete profissionais para vigiar as câmeras em razão do crescimento da rede instalada no município.

A vereadora Deza Guerreiro (PP) perguntou quais critérios são utilizados para definir os locais de instalação das torres inteligentes. O gerente de Videomonitoramento, Rogério Luís Haas, afirmou que a escolha é baseada em estudos técnicos elaborados a partir das chamadas "manchas de calor", produzidas pelo Observatório de Segurança, além de dados de inteligência da Secretaria. Segundo ele, também são considerados fatores como viabilidade técnica e potencial de impacto na redução da criminalidade.

O vereador Ico Heming (Podemos) solicitou informações sobre os custos de implantação e manutenção do sistema, além do número de equipamentos instalados. Haas informou que Novo Hamburgo possui atualmente cerca de 1.500 câmeras distribuídas entre torres inteligentes, prédios públicos e escolas. O contrato de manutenção do sistema soma aproximadamente R$ 352 mil por mês, valor que inclui infraestrutura, conectividade, armazenamento de dados e suporte tecnológico. “Um ponto custa para o município – torre instalada, com conectividade, 3 câmeras, energia – em torno de R$ 1.500”, explicou. Conforme explicou, o custo varia de acordo com o tipo de equipamento e da estrutura necessária em cada ponto.

Cristiano Coller (PP) questionou a possibilidade de parcerias público-privadas para instalação de equipamentos próximos a residências e também os critérios adotados para seleção dos operadores do sistema. Seara destacou que todos os acessos ao C3 são individualizados por senha e monitorados por câmeras internas, garantindo rastreabilidade das ações dos servidores. O secretário informou ainda que a administração pretende criar, por meio de concurso público, o cargo específico de operador de videomonitoramento e incluir na legislação critérios relacionados à investigação da vida pregressa dos candidatos.

A vereadora Daia Hanich (MDB) elogiou os resultados obtidos pelo sistema, especialmente o aumento nas prisões de foragidos, e defendeu que o cargo de operador de videomonitoramento passe a exigir formação técnica. Também questionou a continuidade da estrutura instalada em Lomba Grande. Seara afirmou que a proposta de qualificação do cargo está em estudo e confirmou que a intenção é ampliar a atuação da base instalada no distrito, incluindo o reforço da frota com uma viatura 4x4 e a instalação de novas câmeras.

O vereador Eliton Ávila (Podemos) sugeriu a ampliação do monitoramento em pontos de descarte irregular de resíduos. Segundo ele, o município gastou mais de R$ 1,5 milhão apenas no primeiro semestre com a retirada de entulhos. Haas informou que mais de 80 pontos já estão mapeados, mas explicou que o alto custo inviabiliza, neste momento, a instalação de equipamentos em todos os locais.

Enio Brizola (PT) relacionou a segurança pública à proteção ambiental, defendendo a ampliação de ecopontos e cobrando melhorias no atendimento às ocorrências da Guarda Municipal. Em resposta, Seara informou que o município receberá novas viaturas semiblindadas, veículos destinados à Patrulha Escolar, atendimento às mulheres protegidas, patrulhamento rural e motocicletas. A meta é encerrar o ano com uma frota entre 25 e 30 veículos novos.

O vereador Giovani Caju (PP) defendeu o fortalecimento de parcerias com condomínios, entidades empresariais e iniciativa privada para ampliar o alcance do Smart NH. Seara informou que tratativas nesse sentido já foram iniciadas com entidades como CDL e Sindilojas. Também anunciou que o município pretende adquirir quatro drones e oito bases automáticas (docas) para ampliar o monitoramento, especialmente no período noturno. Haas acrescentou que já existe um sistema colaborativo de compartilhamento de imagens com entidades parceiras.

Ito Luciano (Podemos) questionou o funcionamento das câmeras durante interrupções no fornecimento de energia elétrica. Haas explicou que parte dos equipamentos conta com sistemas de nobreak e informou que a utilização de energia solar também está sendo estudada. O vereador ainda cobrou medidas para coibir o descarte irregular de resíduos em diferentes pontos da cidade.

Joelson de Araújo (Republicanos) perguntou se o reforço da segurança no Centro não estaria deslocando a criminalidade para os bairros. Seara respondeu que os indicadores do programa RS Seguro apontam redução dos principais índices de criminalidade em Novo Hamburgo, como homicídios, latrocínios e roubos, e garantiu que a expansão do Smart NH contempla toda a cidade, embora ocorra de forma gradual devido ao alto custo do investimento.

Professora Luciana Martins (PT) solicitou informações sobre o índice de falsos positivos do reconhecimento facial e o investimento total destinado ao programa. Haas afirmou que o sistema apresenta cerca de 90% de assertividade e garantiu que nenhuma pessoa foi conduzida de forma equivocada à delegacia. Ele reiterou que o investimento previsto para a manutenção das cerca de 1.500 câmeras é de aproximadamente R$ 352 mil mensais, totalizando cerca de R$ 4 milhões por ano. A vereadora informou que encaminhará um requerimento solicitando o detalhamento completo dos investimentos do Smart NH.

Nor Boeno (MDB) cobrou a ativação de uma torre instalada no cruzamento das ruas Ângelo Provenzano e São Leopoldo e sugeriu a instalação de equipamentos na região do Ecoponto da rua Bruno Werner Storck. Haas explicou que o equipamento ainda não entrou em funcionamento devido ao furto da fiação elétrica, mas que a concessionária já foi acionada para restabelecer a energia.

Encerrando a rodada de perguntas, Ricardo Ritter questionou a possibilidade de utilização das câmeras para fiscalização de trânsito, como controle de velocidade e autuação por uso de celular ao volante ou falta do cinto de segurança. Seara informou que o município pretende adquirir mais nove radares para reforçar a fiscalização em locais com maior número de acidentes. Haas acrescentou que a tecnologia já permite esse tipo de fiscalização, desde que a via esteja devidamente regulamentada.

Ao final da sessão, o presidente Juliano Souto (PL) parabenizou a equipe da Secretaria de Segurança Pública e afirmou que o Programa Smart NH tem sido reconhecido pela comunidade pelos resultados alcançados no combate à criminalidade.