Executivo planeja ter 2 mil câmeras ativas no Programa Smart NH até 2028
"Durante todo o ano de 2024, foram presos 47 foragidos. Neste ano, somente no mês de julho, nós prendemos 48", informou o secretário, lembrando que a iniciativa é desenvolvida em parceria com o Observatório de Segurança.
Além do trabalho da Guarda Municipal, Seara acrescentou que também há cooperação com órgãos como o DNIT, o Daer e a Polícia Rodoviária Estadual do Rio Grande do Sul para a instalação de câmeras em pontos estratégicos. Haas complementou que Novo Hamburgo possui mais de 200 vias de acesso ao município.
Segundo os integrantes da pasta, a implementação do programa está estruturada em quatro fases, iniciadas em dezembro de 2025. A primeira contemplou a instalação de 11 torres inteligentes, a revitalização de pontos obsoletos, a adição de 88 câmeras inteligentes e a modernização do C3 Móvel com inteligência artificial, equipado com painéis de monitoramento em tempo real.
A segunda etapa terá início em agosto e prevê a implantação do cercamento eletrônico, além da expansão da estrutura com mais 100 torres inteligentes, 80 Smart Boxes, três totens e a integração com o sistema de estacionamento rotativo da Comur.
A expectativa é de que, até dezembro, sejam instaladas mais 20 torres, implementados sistemas de monitoramento em ônibus urbanos, incorporada uma Viatura Móvel Inteligente e concluída a modernização do painel físico do C3.
A última fase está prevista para março de 2027 e será voltada à rede municipal de ensino, com a instalação de 92 torres inteligentes e botões de pânico nas escolas.
O secretário informou ainda que estão previstas a aquisição de novas viaturas e drones. Segundo ele, o planejamento da administração municipal é alcançar cerca de 2 mil câmeras ativas no Programa Smart NH até 2028.

Confira na íntegra o conteúdo apresentado na sessão
Questionamentos
Os vereadores aproveitaram a participação do secretário municipal de Segurança Pública, Rosalino Constante Seara, e da equipe técnica da pasta para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, a expansão e os investimentos do Programa Smart NH.
O vereador Felipe Kuhn Braun (PSDB) questionou a estrutura da Central de Comando, Controle e Inteligência (C3), o número de profissionais responsáveis pelo monitoramento e a previsão de ampliação da equipe. Em resposta, Seara explicou que o trabalho é integrado ao Observatório de Segurança e conta atualmente com dois a três operadores de videomonitoramento, além de guardas municipais. Segundo ele, a equipe será ampliada com mais sete profissionais para vigiar as câmeras em razão do crescimento da rede instalada no município.
A vereadora Deza Guerreiro (PP) perguntou quais critérios são utilizados para definir os locais de instalação das torres inteligentes. O gerente de Videomonitoramento, Rogério Luís Haas, afirmou que a escolha é baseada em estudos técnicos elaborados a partir das chamadas "manchas de calor", produzidas pelo Observatório de Segurança, além de dados de inteligência da Secretaria. Segundo ele, também são considerados fatores como viabilidade técnica e potencial de impacto na redução da criminalidade.
O vereador Ico Heming (Podemos) solicitou informações sobre os custos de implantação e manutenção do sistema, além do número de equipamentos instalados. Haas informou que Novo Hamburgo possui atualmente cerca de 1.500 câmeras distribuídas entre torres inteligentes, prédios públicos e escolas. O contrato de manutenção do sistema soma aproximadamente R$ 352 mil por mês, valor que inclui infraestrutura, conectividade, armazenamento de dados e suporte tecnológico. “Um ponto custa para o município – torre instalada, com conectividade, 3 câmeras, energia – em torno de R$ 1.500”, explicou. Conforme explicou, o custo varia de acordo com o tipo de equipamento e da estrutura necessária em cada ponto.
Cristiano Coller (PP) questionou a possibilidade de parcerias público-privadas para instalação de equipamentos próximos a residências e também os critérios adotados para seleção dos operadores do sistema. Seara destacou que todos os acessos ao C3 são individualizados por senha e monitorados por câmeras internas, garantindo rastreabilidade das ações dos servidores. O secretário informou ainda que a administração pretende criar, por meio de concurso público, o cargo específico de operador de videomonitoramento e incluir na legislação critérios relacionados à investigação da vida pregressa dos candidatos.
A vereadora Daia Hanich (MDB) elogiou os resultados obtidos pelo sistema, especialmente o aumento nas prisões de foragidos, e defendeu que o cargo de operador de videomonitoramento passe a exigir formação técnica. Também questionou a continuidade da estrutura instalada em Lomba Grande. Seara afirmou que a proposta de qualificação do cargo está em estudo e confirmou que a intenção é ampliar a atuação da base instalada no distrito, incluindo o reforço da frota com uma viatura 4x4 e a instalação de novas câmeras.
O vereador Eliton Ávila (Podemos) sugeriu a ampliação do monitoramento em pontos de descarte irregular de resíduos. Segundo ele, o município gastou mais de R$ 1,5 milhão apenas no primeiro semestre com a retirada de entulhos. Haas informou que mais de 80 pontos já estão mapeados, mas explicou que o alto custo inviabiliza, neste momento, a instalação de equipamentos em todos os locais.
Enio Brizola (PT) relacionou a segurança pública à proteção ambiental, defendendo a ampliação de ecopontos e cobrando melhorias no atendimento às ocorrências da Guarda Municipal. Em resposta, Seara informou que o município receberá novas viaturas semiblindadas, veículos destinados à Patrulha Escolar, atendimento às mulheres protegidas, patrulhamento rural e motocicletas. A meta é encerrar o ano com uma frota entre 25 e 30 veículos novos.
O vereador Giovani Caju (PP) defendeu o fortalecimento de parcerias com condomínios, entidades empresariais e iniciativa privada para ampliar o alcance do Smart NH. Seara informou que tratativas nesse sentido já foram iniciadas com entidades como CDL e Sindilojas. Também anunciou que o município pretende adquirir quatro drones e oito bases automáticas (docas) para ampliar o monitoramento, especialmente no período noturno. Haas acrescentou que já existe um sistema colaborativo de compartilhamento de imagens com entidades parceiras.
Ito Luciano (Podemos) questionou o funcionamento das câmeras durante interrupções no fornecimento de energia elétrica. Haas explicou que parte dos equipamentos conta com sistemas de nobreak e informou que a utilização de energia solar também está sendo estudada. O vereador ainda cobrou medidas para coibir o descarte irregular de resíduos em diferentes pontos da cidade.
Joelson de Araújo (Republicanos) perguntou se o reforço da segurança no Centro não estaria deslocando a criminalidade para os bairros. Seara respondeu que os indicadores do programa RS Seguro apontam redução dos principais índices de criminalidade em Novo Hamburgo, como homicídios, latrocínios e roubos, e garantiu que a expansão do Smart NH contempla toda a cidade, embora ocorra de forma gradual devido ao alto custo do investimento.
Professora Luciana Martins (PT) solicitou informações sobre o índice de falsos positivos do reconhecimento facial e o investimento total destinado ao programa. Haas afirmou que o sistema apresenta cerca de 90% de assertividade e garantiu que nenhuma pessoa foi conduzida de forma equivocada à delegacia. Ele reiterou que o investimento previsto para a manutenção das cerca de 1.500 câmeras é de aproximadamente R$ 352 mil mensais, totalizando cerca de R$ 4 milhões por ano. A vereadora informou que encaminhará um requerimento solicitando o detalhamento completo dos investimentos do Smart NH.
Nor Boeno (MDB) cobrou a ativação de uma torre instalada no cruzamento das ruas Ângelo Provenzano e São Leopoldo e sugeriu a instalação de equipamentos na região do Ecoponto da rua Bruno Werner Storck. Haas explicou que o equipamento ainda não entrou em funcionamento devido ao furto da fiação elétrica, mas que a concessionária já foi acionada para restabelecer a energia.
Encerrando a rodada de perguntas, Ricardo Ritter questionou a possibilidade de utilização das câmeras para fiscalização de trânsito, como controle de velocidade e autuação por uso de celular ao volante ou falta do cinto de segurança. Seara informou que o município pretende adquirir mais nove radares para reforçar a fiscalização em locais com maior número de acidentes. Haas acrescentou que a tecnologia já permite esse tipo de fiscalização, desde que a via esteja devidamente regulamentada.
Ao final da sessão, o presidente Juliano Souto (PL) parabenizou a equipe da Secretaria de Segurança Pública e afirmou que o Programa Smart NH tem sido reconhecido pela comunidade pelos resultados alcançados no combate à criminalidade.