Estudantes fazem pesquisa sobre racismo em Novo Hamburgo

por Daniele Silva última modificação 12/02/2020 11h41
10/02/2020 - Apresentado em feiras e mostras científicas, o projeto Imortalidade Negra em Novo Hamburgo buscou reparar uma injustiça recorrente no Município. A professora Raquel Manon Wagner e seus alunos da EMEF Prof. Adolfina J. M. Diefenthäler desenvolveram em 2019 uma pesquisa de resgate da história de personalidades afrodescendentes que foram esquecidas ou ignoradas ao longo dos anos por aqueles que poderiam prestar deferência pelas suas contribuições para o desenvolvimento da cidade.
Estudantes fazem pesquisa sobre racismo em Novo Hamburgo

Foto: Maíra Kiefer/CMNH

Por meio do requerimento nº 57, eles falaram sobre a iniciativa a convite do vereador Felipe Kuhn Braun (PDT), jornalista e pesquisador da formação e trajetória da região do Vale do Sinos e entorno. Os estudantes João Pedro Antônio da Silva, Giovanna Oliveira da Cruz, João Pedro Altenhofen, Jonathan da Rosa Teixeira, Kauã Garcia da Silva, Kauê Kaczanoski Moreira subiram à tribuna para relatar o resultado do levantamento acerca dos negros hamburguenses. “Ao longo do trabalho percebemos que diversas pessoas que fizeram parte da história da cidade foram esquecidas e dessas a maioria é de pessoas negras. Nosso objetivo é homenagear e torná-las imortais na memória hamburguense."  O estudo integra o Aprender e Compartilhar, reconhecido projeto da Adolfina Diefenthäler, premiado nacionalmente no ano passado.

Ao longo do trabalho, os jovens pesquisaram sobre o período da escravidão no Brasil e perceberam o quão racista é a sociedade, que por séculos escravizou e, após a abolição, seguiu subalternizando a mão de obra negra. E, ao realizarem entrevistas com a comunidade escolar, viram que havia muito pouca informação sobre negros que se destacaram na cidade. Personalidades como o artista Carlos Alberto de Oliveira – Carlão, que hoje dá nome à escola de arte do Município, e o ator Breno Higino Mello, famoso por interpretar o Orfeu Negro no cinema na década de 1950, eram pouco conhecidos por grande parte da população. Outros cidadãos apresentados no trabalho foram a benzedeira Vó Nair, que faleceu em 2019; Renato Pipoqueiro, que dá nome à esquina na qual trabalhou por 40 anos, e Dona Dora (Darcy da Silva), de 96 anos, cujos familiares acompanharam a sessão.

Conforme os estudantes, o estudo se justifica pela relevância social e pela importância de mostrar a contribuição da comunidade negra em Novo Hamburgo. A ideia dos jovens é seguir com a pesquisa imortalizando e incentivando as autoridades locais a reconhecer demais cidadãos negros de destaque. Por fim, eles lembraram a emoção de conhecer pessoalmente uma das homenageadas, Dona Dora, que foi à Feira Municipal de Iniciação Científica e Tecnológica (Femictec) para ver de perto o trabalho dos representantes da escola Adolfina.

 


Fala dos vereadores

Felipe Kuhn Braun agradeceu a presença dos alunos e lembrou que, como pesquisador, muitas vezes se depara com relatos de situações delicadas pelas quais pessoas de origem africana passaram e ainda passam na Região. Ele citou também o programa Memória com a Vó Nair, gravado em 2015, e exibido pela TV Câmara. “É importante que honremos a memória dessas pessoas, pois se não houver esse tipo de reconhecimento podem realmente ser esquecidas com o passar das gerações.”

Para auxiliar os estudantes, Raul Cassel (MDB) sugeriu algumas personalidades negras para dar sequência à pesquisa, dentre elas Renato Fernandes, primeiro vereador negro de Novo Hamburgo. Vladi Lourenço (PP) rememorou a história de Renato Pipoqueiro, cujo filho Conceição foi seu colega no Exército.

Enio Brizola (PT) enfatizou o debate nas escolas e a luta contra o racismo, lembrando a contribuição dos negros no desenvolvimento da cidade. Ele enalteceu ainda a política de cotas como forma de dar melhores condições àqueles que por séculos estiveram à margem da sociedade.

Patricia Beck (PP) elogiou os jovens pela escolha do tema e exaltou o trabalho da instituição, bem como a liberdade que os educadores dão às crianças para que possam se desenvolver. O presidente Gerson Peteffi (MDB) agradeceu a presença da professora Raquel e de seus alunos e lembrou o quão importante é resgatar a memória daqueles que ajudaram a fazer de Novo Hamburgo a cidade que é hoje.