Defesa Civil alerta para riscos do El Niño e apresenta ações de prevenção no município

por Daniele Silva última modificação 01/07/2026 20h31
1°/07/2026 - No dia 11 de junho, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) confirmou o estabelecimento de condições de El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno climático, provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico, altera os padrões de vento e chuva em diferentes regiões do planeta. No Sul do Brasil, seus efeitos costumam ser o aumento do volume e da intensidade das chuvas, elevando o risco de enchentes e deslizamentos. A convite do vereador Giovani Caju (PP), o diretor da Defesa Civil de Novo Hamburgo, Gilson do Amaral, participou da sessão desta quarta-feira, 1º, para falar sobre o fenômeno climático e o plano de contingência para possíveis desastres.
Defesa Civil alerta para riscos do El Niño e apresenta ações de prevenção no município

Foto: Jaime Freitas/CMNH

Ao justificar o convite, Giovani Caju afirmou que tem sido constantemente procurado por moradores preocupados com a possibilidade de novos eventos extremos. "Muitas pessoas ainda carregam o trauma das enchentes de 2024. O objetivo é trazer informações sobre o que já foi feito e o que ainda precisa evoluir para que a população tenha mais segurança", explicou.

Na tribuna, Gilson do Amaral esclareceu as diferenças entre os fenômenos La Niña e El Niño e informou que a temperatura das águas do Pacífico já registra um aquecimento de 2,1°C acima da média, índice que pode caracterizar um episódio de forte intensidade neste ano. Segundo ele, os efeitos do fenômeno já começaram a ser sentidos no Rio Grande do Sul. No último fim de semana, mais de 20 municípios gaúchos registraram ocorrências em razão do excesso de chuvas.

O diretor destacou que, após a tragédia de 2024, a lógica do planejamento mudou. Já se trabalha com a perspectiva de quando e não se acontecerá novamente. Além do grande volume de precipitações, Amaral alertou para a possibilidade de ocorrência de microexplosões atmosféricas, vendavais e tornados, fenômenos mais difíceis de prever quanto ao local e ao momento em que ocorrem. Conforme os prognósticos apresentados, este poderá ser o episódio de El Niño mais longo já previsto, com acumulados de até 1.100 milímetros de chuva, principalmente entre setembro e dezembro. Caso esse volume se concentre em um curto período, há risco de grandes cheias.

Outro ponto destacado pelo diretor foi o combate à desinformação. Amaral orientou a população a buscar informações apenas nos canais oficiais e relembrou a circulação de notícias falsas durante as enchentes de 2024, quando foi divulgado equivocadamente o rompimento do dique. Na ocasião, explicou, houve o solapamento da estrutura, situação distinta que permitiu a retirada da população das áreas de risco em tempo hábil.

Durante a apresentação, Amaral detalhou as principais medidas implementadas pelo Município desde as enchentes. Entre as intervenções realizadas estão a limpeza e recuperação dos arroios Cerquinha, Luiz Rau, Pampa, Guia Lopes, Vila Kunz e Gauchinho, além de valas de drenagem.

Também foram promovidas a reestruturação da sede da Defesa Civil, a ampliação da frota de embarcações, treinamentos das equipes e a criação de núcleos comunitários de Defesa Civil em bairros considerados estratégicos. As ações contam com recursos provenientes de emendas parlamentares e doações da iniciativa privada. Atualmente, a Defesa Civil atua de forma integrada à Guarda Municipal.

Amaral ressaltou, no entanto, que nenhuma obra elimina totalmente os riscos provocados por eventos climáticos extremos. "Quando há a iminência de um evento, não há como afirmar que uma área suscetível a um desastre está 100% segura, por mais intervenções que tenham sido realizadas. A climatologia e a meteorologia não são ciências exatas. Precisamos investir em prevenção e mitigação, mas isso pode não ser suficiente. Um evento como o de 2024 pegou todos os municípios despreparados."

O diretor também defendeu investimentos do Governo do Estado em toda a bacia do Rio dos Sinos e anunciou a contratação de uma empresa especializada para realizar monitoramento meteorológico específico para Novo Hamburgo, oferecendo previsões mais detalhadas do que aquelas atualmente disponibilizadas pelo Estado.

 

Manifestação dos vereadores

A vereadora Deza Guerreiro (PP), que já atuou como voluntária da Defesa Civil, destacou a importância da divulgação de informações confiáveis para a população e questionou o volume de chuvas registrado durante as enchentes de 2024. Amaral respondeu que o pico foi de aproximadamente 700 milímetros.

Eliton Ávila (Podemos) ressaltou a relevância dos núcleos comunitários e perguntou sobre a possibilidade de expansão do projeto. O diretor informou que uma equipe do Governo Federal realizou recentemente o mapeamento das áreas de risco de deslizamento no bairro Kephas.

Enio Brizola (PT) enfatizou a necessidade de preparar a população para situações de emergência. O vereador também destacou os R$ 5,83 milhões destinados pela Defesa Civil Nacional para obras relacionadas ao sistema de proteção contra cheias, valor superior ao inicialmente previsto para a reestruturação do dique. Brizola ainda parabenizou o trabalho da equipe da Defesa Civil e dos engenheiros da Prefeitura.

Joelson de Araújo (Republicanos) manifestou preocupação com o comprometimento da rede de drenagem após as enchentes, devido à obstrução das tubulações. Amaral explicou que, embora os pontos de alagamento tenham sido reduzidos, o Município necessita de uma ampla renovação da rede pluvial para atender ao crescimento urbano registrado nas últimas décadas.

Professora Luciana Martins (PT) defendeu o fortalecimento da Defesa Civil por meio de novos investimentos e questionou o efetivo do órgão. Amaral respondeu que todos os integrantes são servidores de carreira e destacou que Novo Hamburgo possui a única Defesa Civil municipal do Estado com engenheiros em seu quadro permanente. Também informou que está prevista a reestruturação dos cargos de agentes de Defesa Civil.

Ricardo Ritter – Ica (MDB) reforçou o convite para a audiência pública sobre prevenção de desastres, marcada para o dia 21 de julho, e lembrou que muitas pessoas desacreditaram os alertas emitidos pela Defesa Civil antes das enchentes de 2024.

Sobre o cadastro de voluntários, Amaral explicou que os interessados passarão por análise de antecedentes e entrevistas para definir a área em que poderão atuar. Segundo ele, pessoas com histórico de violência, estupro ou maus-tratos não poderão trabalhar em abrigos.

Cristiano Coller (PP) recordou o trabalho desempenhado pela Defesa Civil durante as enchentes e pediu que a comunidade apoie os profissionais durante situações de emergência.

Ao final da participação, Giovani Caju agradeceu o trabalho desenvolvido pela equipe da Defesa Civil e colocou a Câmara Municipal à disposição para colaborar com as ações do órgão.

Encerrando a apresentação, Gilson do Amaral agradeceu aos servidores da Defesa Civil e afirmou que a equipe segue investindo em qualificação e aperfeiçoamento permanente para enfrentar os desafios impostos pelos eventos climáticos extremos.

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