Com novo equipamento, cardiologia terá gestão própria e promete ampliar serviços
Autor do requerimento, o vereador Joelson falou sobre os motivos pelos quais convocou a diretora. Ele questionou como se dará o transporte dos pacientes até o Hospital Regina e se haverá alteração nos valores por procedimento. Também perguntou sobre empenhos de mais de R$ 6 milhões para a Cardiosinos, empresa que prestará o serviço nos próximos meses.
O parlamentar citou as mais de 20 pessoas que estão nas UPAs aguardando leitos hospitalares e as ligações que recebe diariamente de cidadãos pedindo auxílio. “Como vereadores, não passamos ninguém na frente. Lutamos para conseguir atendimento para os casos mais graves”, assegurou.
Vânia Horbach explicou que a mudança visa modernizar os serviços prestados à população e incorporar a atividade àquelas geridas diretamente pela fundação. “A substituição por um serviço próprio busca maior qualidade no atendimento, além de uma gestão com mais viabilidade financeira”, afirmou.
Ela lembrou que já havia a necessidade de aquisição de novos equipamentos em função das obras no Anexo 2. A compra do sistema de terapia Philips Azurion 5 tem investimento de R$ 4,8 milhões, sendo R$ 4 milhões oriundos do Estado, por meio do programa Avançar RS, além do custo de reforma e adequação da sala, que necessita de blindagem, elétrica específica e espaço de recuperação para os pacientes. A modernização possibilitará a realização de procedimentos que hoje não são ofertados em Novo Hamburgo, além de reduzir o uso do bloco cirúrgico.
Sobre a contratação da Cardiosinos, Vânia explicou que a medida foi avaliada como a melhor alternativa para que a população não ficasse desassistida, uma vez que o Hospital Municipal é referência em média e alta complexidade em cardiologia e há um colapso na oferta desses serviços na região. Para isso, foram reservados recursos para três meses de atendimento, já com margem de segurança, pois a previsão é de que o novo espaço seja reaberto no início de julho. Também está sendo contratada uma ambulância medicalizada (UTI móvel) para o transporte dos pacientes.
“Poderíamos ter solicitado que o Estado assumisse os atendimentos, mas entendemos que toda a região está colapsada. Quem sofre um infarto não quer esperar nem correr o risco de chegar e o equipamento não funcionar”, afirmou.
Manifestação dos vereadores
Coautora da convocação, Deza ressaltou a importância de esclarecer à população como o serviço está funcionando.
Cristiano Coller (PP), Giovani Caju (PP) e Ico Heming (Podemos) agradeceram a disponibilidade dos funcionários da fundação em sempre responder aos questionamentos dos vereadores.
Enio Brizola (PT) perguntou sobre a previsão de mutirões para cirurgias eletivas e também questionou o colapso dos serviços citado pela gestora. Em resposta, Vânia mencionou a situação da saúde como um todo, com serviços sendo fechados, restrições de atendimento e falta de profissionais. Ela lembrou que a instituição atendeu, por meses, pacientes oriundos do Hospital Universitário de Canoas, quando a unidade estava sem equipamento. Explicou ainda que, muitas vezes, mesmo com superlotação, esses pacientes são recebidos como “vaga zero” do Samu.
Sobre os mutirões, afirmou que muitos são realizados sem ampla divulgação e que os exames de cateterismo e angiotomografia foram praticamente zerados antes do início da reforma.
Professora Luciana Martins (PT) questionou se a fundação possui, em seu quadro técnico, os profissionais necessários para realizar os procedimentos. Segundo Vânia, a FSNH conta com enfermeiros, técnicos, suporte de radiologia e anestesia, que serão treinados para atuar nos procedimentos. Ainda serão necessários de três a quatro médicos hemodinamicistas, que deverão ser contratados.
Ricardo Ritter – Ica (MDB) perguntou sobre o número de leitos disponíveis. De acordo com a diretora, são 217 leitos, incluindo UTI, maternidade e outros, com uma demanda de mais de 60 pacientes em espera.
Eliton Ávila (Podemos) agradeceu pela implantação de ações indicadas pelo Legislativo, como a coleta de sangue nas UBS e a ampliação do horário de atendimento nas unidades.
Joelson lamentou a defasagem dos repasses feitos pelo governo do Estado e destacou que o novo equipamento deverá trazer benefícios à comunidade, permitindo a realização de procedimentos que hoje não são feitos na cidade.
Por fim, a diretora afirmou que todos os custos de infraestrutura e manutenção preventiva já estão contabilizados. A gestora também comemorou a melhora na gestão financeira da fundação. “O hospital tinha uma dívida de R$ 4,4 milhões com o ITC. Hoje reduzimos para R$ 2,3 milhões, e a perspectiva é de que, até a retomada do serviço próprio, a dívida seja praticamente zerada.”
Ela afirmou ainda que a gestão atual reduziu cerca de R$ 25 milhões das dívidas do hospital (de um total de R$ 30 milhões). E atualmente, os prestadores de serviço estão com os repasses em dia, conforme a legislação.
“Estamos muito comprometidos com a gestão financeira da fundação”, finalizou.