Cidade (In)visível: entidades hamburguenses promovem ações de educação e luta pelo meio ambiente

por Daniele Silva última modificação 02/07/2021 15h14
02/07/2021 – Junho é marcado pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, e a pauta do projeto Cidade (In)visível: cultura, patrimônio e identidade não podia ser outra. No encontro, realizado no último dia 17, profissionais destacaram ações de educação e defesa ambiental realizadas por entidades do Município. O bate-papo, transmitido ao vivo pela TV Câmara e pelo Youtube da emissora legislativa, teve a participação da presidente do Movimento Roessler, Luana Rosa, da coordenadora do Centro de Educação Ernest Sarlet, Fabiane Mello, e do supervisor ambiental da PGM, Udo Sarlet.

Sobre o Roessler, que completou 43 anos na mesma semana, Luana contou a história de luta junto à comunidade pela aquisição do Parcão e frisou a necessidade de renovação dos movimentos ecológicos para que sigam atuantes na sociedade. Fundado em 1978, o Movimento Roessler para Defesa Ambiental é uma entidade que atua na preservação do Rio dos Sinos e das áreas verdes da região do Vale do Sinos. Ela lembrou sua trajetória como monitora ecológica na infância e o quanto essa atuação em prol do meio ambiente impactou suas decisões futuras. “Tenho orgulho em dizer que hoje sou bióloga, doutoranda na área ambiental. E o que me motivou foi aquela semente, plantada quando eu era criança, que acabou germinando e se frutificou. Essa é a prova do quanto a educação ambiental foi e é importante.”

Em relação à pandemia, a bióloga lembrou como um momento tão difícil para a humanidade fez bem para o planeta, uma vez que a redução da circulação do homem trouxe regeneração de alguns sistemas. “Aí a gente percebe o quanto estamos destruindo. Chegamos num ponto em que não dá mais somente para reclamar, é preciso agir. E a educação ambiental mostra que tudo o que a gente consome não vai fora, porque não existe fora. Não cabe mais no planeta a quantidade de lixo que estamos produzindo”, alertou.

Segundo a ativista, o Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, mas isso vem reduzindo cada vez mais, muito por conta do desmatamento. Por isso, a proteção das florestas é questão emergencial. “Todos os anos temos notícias de tornados, ciclones e derivados no hemisfério Sul. Isso é resultado do desmatamento, cujo avanço impacta diretamente nas mudanças climáticas que vivemos hoje. Se a temperatura global aumentar em 2°C, o que já está previsto, isso mudará totalmente o ar que a gente respira e ameaça tudo aquilo que precisamos para viver.”

Por fim, a bióloga ressaltou os avanços feitos em Novo Hamburgo nos últimos anos. “Tínhamos uma matriz industrial altamente poluidora e tivemos uma grande mudança em poucas décadas, quando banhados, classificados como áreas de proteção permanente, eram aterrados com resíduos da indústria calçadista, sendo contaminados com cromo. Hoje a gente sabe o quanto isso é absurdo.”

Filho do educador que dá nome ao Ceas, Udo Sarlet relatou também o quanto o aprendizado precoce na área ambiental foi importante na sua vida, desde as primeiras aulas de ecologia na Fundação Evangélica com o professor Kurt Schmeling, um dos fundadores do Movimento Roessler, ao acompanhamento à atuação do pai, que criou também o Horto Municipal e promoveu forte campanha em prol do Rio dos Sinos. Primeiro gestor ambiental do município, Udo destacou entidades que atuam no setor e ressaltou que a educação ambiental não é apenas aquela atividade formal realizada nas escolas, mas um direito fundamental para a cidadania. “A própria Semam (Secretaria do Meio Ambiente) quando emite uma licença ambiental está impondo uma série de práticas de preservação. Hoje, infelizmente, vemos esse importante instrumento sendo demonizado, visto como contrário ao desenvolvimento econômico.” O servidor, que também esteve à frente da pasta na última gestão, citou ainda o trabalho pedagógico desenvolvido no Parcão e toda a biodiversidade a ser explorada pelos pequenos, além da atuação das cooperativas da cidade. “Ainda hoje os índices de reciclagem no Brasil não chegam a 5% nos grande centros urbanos. Essa consciência é que precisamos trazer para as pessoas que muitas vezes não conseguem ter duas sacolinhas para separar o lixo em casa.”

Há um ano e meio, a pandemia da Covid-19 alterou totalmente a rotina do Ceas em Lomba Grande. Os 14 hectares do espaço cheio de possibilidades voltadas à educação, segundo a coordenadora Fabiane, estão mais tristes sem o barulho costumeiro das crianças que o visitavam. Idealizado pelo próprio Ernest Sarlet, enquanto secretário municipal, a antiga cooperativa lombagrandense foi criada com a intenção de aproximar alunos da localidade às tecnologias sem afastá-las dos fazeres das comunidades rurais. Hoje atende a todas as escolas do município, incluindo – desde 2017 – instituições das redes privada e estadual, abrindo as portas também para estudantes de outros municípios. “Educação ambiental não é só fazer uma horta e ensinar a compostar, o que é sim importantíssimo. Mas é fazer com que as crianças entendam o impacto que cada pequena ação pode trazer para a sociedade e que nós também fazemos parte do meio ambiente.” Por meio de inúmeros projetos, realizados de forma virtual nos últimos meses, a educadora enfatizou o viés social de se desenvolver a consciência ambiental dos pequenos cidadãos. “Na questão dos resíduos, por exemplo, é preciso lembrar o papel fundamental dos catadores e da economia feita pela administração com a redução da quantidade de rejeito que é enviado para o aterro sanitário. Incentivar esses trabalhadores é também fomentar a economia e levar dignidade a muitas famílias. Por isso, dizemos que são ações socioambientais.”

Realizado pelo Ceas, o projeto Trocas Solidárias busca incentivar turmas que visitam o local a angariar materiais recicláveis na escola e comunidade. A ideia, segundo ela, é mostrar aos estudantes que aquilo que nós rejeitamos pode se transformar em matéria-prima e que as ações podem ser multiplicadas na casas de cada um. “Dizem que as crianças são o futuro, mas não. Elas são o presente e um caminho de mudanças para o futuro”, finalizou a educadora.

Projeto Cidade (In)visível

A iniciativa integra uma série de ações realizadas pela Câmara Municipal e outras entidades para pensar os 100 anos de Novo Hamburgo, que serão comemorados em 5 de abril de 2027. Planejado pela Escola do Legislativo, em parceria com APMNH e a OAB Subseção Novo Hamburgo, o projeto Cidade (In)visível: cultura, patrimônio e identidade tem por objetivo mostrar a produção cultural, herança arquitetônica e curiosidades da formação do Município. Também pretende revelar histórias, personalidades e visibilizar contribuições pouco conhecidas pela sociedade. As lives são realizadas mensalmente. Todos os bate-papos estão disponíveis no canal da TV Câmara no Youtube.