Cidadãos divulgam audiência pública que discutirá novo método de sistema prisional

por Tatiane Souza última modificação 01/11/2018 17h27
31/10/2018 – No dia 7 de novembro, às 19h30min, será realizada Audiência Pública para apresentação do Método APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, no Salão de Atos da Universidade Feevale – prédio Lilás. Por meio de requerimento verbal do vereador Enio Brizola (PT), Lizandra Müller usou a tribuna popular para trazer mais esclarecimentos sobre essa nova proposta para aplicação de pena aos condenados. Os proponentes do debate são os Juízes da Vara de Execuções Criminais de Novo Hamburgo, Valéria Eugênia Neves Willhelm e Carlos Fernando Noschang Júnior. O palestrante será o Procurador de Justiça, Coordenador do Núcleo de Apoio à Fiscalização de Presídios do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Gilmar Bortolotto. A audiência será aberta a toda a comunidade e não é necessária inscrição prévia.
Cidadãos divulgam audiência pública que discutirá novo método de sistema prisional

Anderson Huber/CMNH

De acordo com Lizandra, a APAC dispõe de um método de valorização humana e incentivo à espiritualidade capaz de oferecer aos condenados condições de se recuperarem, tendo, ainda, o propósito de proteger a sociedade, socorrer a vítima e promover a justiça. Em material divulgando a Associação, ela ressalta que por esse método, os condenados se submetem a uma rigorosa disciplina de estudo e trabalho, com atividades que vão das 6h às 22h, além de serem responsáveis pela limpeza e manutenção do espaço e preparo das refeições. O custo mensal por apenado é de duas a quatro vezes menor que no sistema penitenciário comum, e o índice de reincidência médio é de 15%, contra os mais de 70% do sistema comum. 

De acordo com Lizandra Müller, o apenado cumpre sua pena em estabelecimentos com a capacidade máxima de 200 vagas, dando preferência para que o preso permaneça em sua terra natal ou na cidade onde reside a sua família. “De 100 pessoas que saem de uma APAC, 95 conseguem se reinserir na sociedade”, apontou. 

Professor Issur Koch (PP) garantiu que estará presente no evento porque acredita que, além de se discutir a prisão dos infratores, também é necessário pensar no restabelecimento e na recuperação dos apenados. “Ao apoiar esta causa não podemos ser confundidos com defensores de delinquentes. Na verdade, estamos preocupados em proteger os cidadãos, devolvendo à sociedade pessoas em condições de convívio”, disse. 

Inspetor Luz (MDB) perguntou sobre quais tipificações de delitos são recebidas na APAC. Lizandra explicou que na Associação não faz diferenciação em relação aos crimes realizados e a pena. “Acreditamos que todos são recuperáveis, obviamente uma porcentagem volta ao mundo do crime, mas o sistema convencional não dá essa oportunidade de recuperação”, esclareceu. Ela ainda informou que todos os apenados convivem, inclusive acontece um rodízio de celas para que todos conheçam os problemas uns dos outros e sejam capazes de ajudar. “Não há nenhuma distinção de crime cometido, porque acreditamos que entra o homem e o delito fica do lado de fora”, respondeu. 

Para finalizar ela explicou que também desenvolvem um trabalho espiritualista com os apenados. “Todas as doutrinas religiosas são convidadas a trabalharem dentro da APAC. Queremos ajudar os apenados a encontrar a boa pessoas que tem dentro dele e a reverter o mal que fez para a sociedade”, apontou. 

Para mais informações sobre o método APAC, acesse www.fbac.org.br

 

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