Caudeq questiona fim de convênio com a Prefeitura para tratamento de dependentes químicos

por Daniele Silva última modificação 31/08/2026 19h50
31/08/2026 – A diretora-presidente do Centro de Atenção Urbana à Dependência Química (Caudeq), Rosângela Scurssel, ocupou a Tribuna Popular na sessão desta segunda-feira, 31, para questionar a decisão da Prefeitura de não renovar o convênio que mantinha com a entidade para o atendimento de pessoas com dependência química.
Caudeq questiona fim de convênio com a Prefeitura para tratamento de dependentes químicos

Foto: Jaime Freitas/CMNH

Psicóloga e ex-presidente do Conselho Municipal de Assuntos sobre Drogas (Comen), Rosângela afirmou que a ausência de políticas públicas voltadas ao setor contribui para o aumento da população em situação de rua no município, já que grande parte dessas pessoas enfrenta problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

Ao iniciar sua manifestação, a dirigente exibiu um vídeo institucional apresentando o trabalho desenvolvido pelo Caudeq ao longo de sua trajetória. A entidade atua há 17 anos no acolhimento e recuperação de pessoas com dependência química, oferecendo acompanhamento médico, psicológico, terapêutico, de enfermagem e assistência jurídica. Segundo Rosângela, mais de 20 profissionais especializados trabalham no tratamento de dependências e outras compulsões.

Durante o pronunciamento, a psicóloga mencionou o crescimento da população em situação de rua na cidade e perguntou se este seria o momento adequado para encerrar um serviço voltado justamente ao atendimento dessa parcela da população. Ela também ressaltou a relação entre o uso abusivo de álcool e drogas e casos de violência doméstica.

Rosângela relatou que, em agosto do ano passado, a entidade recebeu um e-mail da atual administração municipal informando que a parceria, mantida por mais de uma década, não seria renovada. Segundo ela, a comunicação causou indignação entre colaboradores, acolhidos e familiares. “A forma como isso nos foi comunicado nos feriu. Não só a mim, mas aos colaboradores, aos acolhidos e às famílias”, declarou.

Ela destacou que o Caudeq era a única comunidade terapêutica conveniada com a administração municipal, após ter sido selecionada por meio de edital público.

Ao relembrar a trajetória da instituição, Rosângela ressaltou que o trabalho desenvolvido busca resgatar vidas por meio de terapias comportamentais, tratamento medicamentoso e investigação das causas subjacentes da dependência química. “Temos vagas, mas não temos recursos para receber as pessoas, tratar sua dependência e fazer com que não voltem para as ruas”, afirmou.

A psicóloga disse ainda que aguarda há um ano por respostas da gestão municipal sobre a possibilidade de retomada da parceria. Ao final da manifestação, convidou os vereadores a acompanharem uma reunião sobre o tema marcada para esta terça-feira, 1º de setembro, organizada por intermédio do presidente da Câmara, Juliano Souto (PL).

Tribuna Popular

A participação de cidadãos durante a sessão é viabilizada pela Resolução nº 11/1999. A normativa garante o direito à manifestação em plenário de opiniões, críticas e reivindicações. Para ocuparem a Tribuna Popular, as pessoas devem se inscrever junto à Secretaria da Câmara, no terceiro andar do Palácio 5 de Abril, informando o assunto de interesse público que será abordado. Os espaços de fala têm duração de até dez minutos. Novo uso da Tribuna Popular pelo mesmo cidadão só é permitido após transcorridos 60 dias.

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