Câmara presta homenagem aos 30 anos do Desafio Jovem Gideões
Juliano relatou aos homenageados, telespectadores e público presente ao Plenário como sua trajetória foi afetada pelos sofrimentos provocados pela drogadição. “Falar sobre um trabalho como esse é muito fácil porque eu fui uma vítima indireta daqueles que são tratados em uma casa de recuperação. Eu tive um pai drogado e alcoólatra. Sofri muito com um dependente químico dentro da minha casa. A dor é muito grande para cada um dos familiares”, desabafou, contando que, aos 12 anos, tornou-se órfão de mãe e teve que enfrentar o problema vivido por seu pai, culminando em ter que recolhê-lo da calçada depois de ser avisado por pessoas que o reconheceram.
“Eu fui até a calçada sozinho e, quando consegui avistar, era ele que estava lá, e eu não tinha força para levantá-lo. E passaram alguns bons samaritanos e ombrearam ele comigo e consegui levá-lo até em casa”, disse, emocionado.
Naquele momento, o vereador contou que, após chorar copiosamente, depois de ser avistado pelos vizinhos naquela situação, falou a si mesmo que nunca deixaria seus filhos passarem por aquele tipo de constrangimento. O parlamentar acrescentou que seu avô insistiu que seu pai buscasse mais uma vez ajuda. Então, ele foi para uma comunidade terapêutica aos moldes da estrutura do Desafio Jovem Gideões, conseguiu se recuperar após um ano e meio de tratamento e trabalhou por 22 anos, até a sua morte, auxiliando dependentes químicos. Ao término, parabenizou o trabalho da equipe do Desafio Jovem Gideões, que muitas vezes é feito sem holofotes, mas que impacta a vida de muitas famílias.
Após receber um quadro em homenagem à criação da entidade, Roque Serpa afirmou que dividia o reconhecimento com todo o grupo que o auxilia. Ele lembrou que o primeiro acolhido foi Valdelírio de Jesus Teixeira da Rosa, do bairro Roselândia. E, assim como Juliano, também expôs a sua própria história de superação, vivenciada há 33 anos junto ao seu irmão Edegar. Na ocasião, Roque vivia problemas com dependência química. Após a recuperação, voltou suas energias a auxiliar outras pessoas. Para pôr em prática os planos, foi adquirida uma propriedade de um hectare e meio em São Sebastião do Caí, que por três anos não tinha energia nem água potável, mas que servia de abrigo para a recuperação de dependentes. “Quem não vive para servir, não serve para viver”, encerrou Serpa.
Pronunciamento dos vereadores
Os vereadores Eliton Ávila (Podemos) e Felipe Kuhn Braun (PSDB) também frisaram a importância de se oferecer uma segunda chance, independentemente das crenças religiosas daqueles que buscam socorro e orientação. Ávila apontou que a disposição do grupo é tão grande que sempre estão prontos quando chamados.
Assim como Juliano Souto, o vereador Enio Brizola (PT) afirmou que conhece a comunidade terapêutica há muito tempo e que teve papel importante em sua família também. O parlamentar destacou ainda a importância da prevenção, por meio das unidades escolares, e lembrou que a comunidade também gera trabalho e renda para os assistidos.
Ricardo Ritter – Ica (MDB) destacou que qualquer vida recuperada já vale a pena. Ele relatou que muitos conhecidos passam por esse flagelo. “Precisamos ter mais Roques, mais Gideões, mais casas de acolhimento”, disse.
Joelson de Araújo (Republicanos) lembrou que os problemas de alcoolismo e drogadição não atingem somente os jovens. “O vício não tem idade”, pontuou.
Da tribuna de honra acompanharam a homenagem os pastores Dário Stein, Nelce Reis, o capacitor Cirilo Andrade, Darci Domingues, Vilcemar Padilha e José Edegar Serpa.

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