Câmara inaugura Memorial Leopoldo Petry

por Maíra Kiefer última modificação 21/12/2018 09h52
29/11/2018 – A data que marca a morte de Leopoldo Petry teve este ano um momento de homenagem. Foi inaugurado nesta quinta-feira, dia 29, o memorial da Câmara Municipal de Novo Hamburgo, que leva o nome do primeiro prefeito eleito do Município. A realização do evento no exato dia do falecimento, ocorrido em 1966, foi uma grata coincidência, conforme apontou o presidente da Casa Legislativa, Felipe Kuhn Braun (PDT). “Nada acontece por acaso.”
Câmara inaugura Memorial Leopoldo Petry

Crédito: Maíra Kiefer/CMNH

Familiares de Petry acompanharam a solenidade. Estiveram presentes as filhas Therezinha Petry Andrade e Luísa Petry Friedrich, a neta Cláudia Petry de Faria, a bisneta Tânia Petry Bender, entre outros descendentes. O ex-prefeito e genro de Petry, Níveo Friedrich, também prestigiou o ato solene.

“Estamos ainda no início, mas já é um importante passo. Reunimos com o Executivo, com o arquivista Uriel Battisti e o historiador Paulo Daniel Spolier, procurando criar esse espaço para preservação de parte da memória da cidade”, explicou o parlamentar, lembrando que o local ainda receberá melhorias, como armários e equipamentos de informática para pesquisa. O local proposto pelo Legislativo se somará à Fundação Scheffel, Casa Schmitt-Presser, Arquivo Público Municipal e Biblioteca Pública como mais um reduto da história hamburguense, conforme o vereador. Em seu discurso, Felipe fez um apelo por doações de itens, que não precisam ser originais, mas que podem incrementar o acervo do Memorial Leopoldo Petry. O presidente, que também se dedica ao trabalho de pesquisa histórica, revelou que doará à Câmara Municipal seis mil fotos digitalizadas de Novo Hamburgo, que compõem seu trabalho de anos de resgate de registros da imigração alemã.

Durante o ato, foi realizado o descerramento de um quadro com uma fotografia de Leopoldo Petry, disposto ao lado da entrada do Memorial, no segundo andar do Palácio 5 de Abril. “Vocês têm um antepassado que construiu muito em muitas áreas. Poucos exerceram tantas funções, tantas atividades e deixaram uma das maiores obras para a nossa cidade, para a nossa terra”, comentou Felipe.

A filha Therezinha falou em nome da família durante a solenidade. “Essa lembrança é muito importante, mas não podemos esquecer que isso não foi coisa de um homem só. Foi de um grupo de pessoas que acreditaram que do outro lado do Rio dos Sinos era possível construir algo diferente”, declarou. Ela destacou as diferenças do tempo atual para a época em que seu pai exerceu a política. “No dia da emancipação, o papai subiu em umas caixas e leu o decreto assinado pelo governador Borges de Medeiros. Não foi um espetáculo de luzes e fogos de artifício, foi simples e significativo, pois naquele momento nascia a cidade de Novo Hamburgo”, acrescentou, lembrando que havia apenas 20 automóveis estacionados na Praça da Bandeira.

Ao término de seu discurso, lembrou a frase que diz “o poder corrompe”, apontando a necessidade de se resgatar o espírito do passado. “Naquela época, as pessoas faziam com amor e com doação. Isso é significativo. Que nesse memorial seja colocado esse sentimento”, concluiu.

A neta Cláudia mostrou-se feliz pelo fato de outras pessoas terem a possibilidade de conhecer a história de seu avô. Ela expressou que essa atitude de resgate poderá reforçar o sentimento de pertencimento à comunidade hamburguense.

Saiba mais 

Além de 6 mil fotografias antigas digitalizadas de Novo Hamburgo, a coleção pública contará, entre outras peças, com informativos, equipamentos utilizados ao longo dos anos na Casa Legislativa, obras, urna secreta de votações e uma edição de 1957 do livro O episódio do Ferrabraz, autografada pelo autor Leopoldo Petry. A ideia, segundo o presidente Felipe Kuhn Braun, é ampliar ao longo do tempo a gama de materiais, objetos e fotografias. As milhares de imagens digitais que estarão ao acesso do grande público integram o acervo pessoal do parlamentar, que se dedica há vários anos ao resgate da memória, especialmente dos registros referentes à imigração alemã.

Para organizar e catalogar, especialmente projetos de lei antigos e suas justificativas, será feita parceria com a equipe de servidores do Arquivo Público e da Secretaria Municipal de Cultura. Atualmente, esse material se encontra no arquivo morto da Câmara. As tratativas foram debatidas em reunião realizada em outubro com a presença de Battisti e Spolier. Esses itens só deverão estar acessíveis à população em uma segunda etapa, possivelmente em meados de 2019.

O Memorial Leopoldo Petry é um braço da Escola do Legislativo, cuja direção está a cargo da servidora Maria Carolina Hagen Seitenfus. A história institucional da Casa Legislativa não ficará restrita ao espaço, pois toda a sede da Câmara abriga objetos e documentos que ajudam a contar um pouco das propostas que mudaram os rumos da cidade. Estuda-se projeto que inclua o Parlamento em um roteiro de resgate à memória hamburguense, que poderá abranger o Arquivo Histórico, que será transferido no próximo ano para um espaço anexo da Biblioteca Municipal Machado de Assis.

Leopoldo Petry

Primeiro prefeito eleito de Novo Hamburgo, o emancipacionista  Leopoldo Petry também atuou como escritor, jornalista, professor, diretor de escola, funcionário público e historiador. Nascido em território hamburguense em 15 de julho de 1882, à época ainda distrito do município de São Leopoldo, Petry foi eleito intendente de Novo Hamburgo menos de dois meses após a independência política da cidade. Foi responsável pelo início das obras da atual Praça do Imigrante e do Cemitério Municipal. Vereador na década de 1950, presidiu a Câmara durante dois anos. Leopoldo Petry faleceu em 1966, aos 84 anos.