Sessão solene celebra os 40 anos do DTG Camboatá
“Quando falamos do Camboatá, falamos de um espaço onde famílias se encontram, onde crianças crescem aprendendo sobre as nossas tradições e onde valores como respeito, disciplina, responsabilidade e convivência são ensinados na prática”, iniciou o parlamentar e ex-vice-patrão do DTG. “Por trás de cada apresentação, existem ensaios, dedicação, famílias envolvidas e muito carinho por aquilo que se faz. Mas o trabalho vai muito além da cultura. As campanhas, ações beneficentes e projetos sociais mostram o compromisso que o Camboatá tem com sua comunidade. Um trabalho que merece ser reconhecido, valorizado e preservado”, prosseguiu Coller, que recordou a ligação de sua família com a instituição.
Camboatá
Fundado em 2 de outubro de 1986, o DTG foi batizado em alusão à árvore nativa camboatá, na proposta de que a espécie representasse a força e a paixão de seus integrantes. Quatro décadas depois, a entidade conta hoje com invernadas juvenis, adultas e veteranas, equipes de bocha campeira, chula, cavalgadas e declamadores, além de um reconhecido trabalho social de acolhimento e inclusão. Sua patronagem estima que mais de 1,8 mil dos cerca de 12,5 mil associados do Atiradores circulem mensalmente pelo galpão.
“O Camboatá leva suas raízes, sua cultura e o nome de Novo Hamburgo por onde passa. Para o centenário da cidade, o DTG vem preparando um trabalho muito especial. Através da dança, a entidade contará a história do nosso município, passando por momentos como a primeira fábrica de calçados de Pedro Adams Filho, a fundação do Esporte Clube Novo Hamburgo, a chegada da energia elétrica e a criação do Aeroclube. Uma forma muito bonita de preservar a nossa memória, fazendo com que a história seja conhecida e sentida pelas novas gerações”, elogiou Coller.
Patrão do DTG Camboatá, Luciano Pereira da Rosa começou sua fala agradecendo a contribuição de todas as pessoas que passaram pelo galpão ao longo dos últimos 40 anos, em especial as que lotaram as galerias do Palácio Luiz Oswaldo Bender. “É com imensa honra e profunda emoção que estamos nesta casa legislativa para celebrar uma história que se confunde com a de muitas famílias hamburguenses. Quatro décadas de quando um grupo de associados acreditou que era possível construir, através da cultura e da tradição gaúcha, um espaço de convivência, aprendizado, amizade e valorização de nossas raízes”, relembrou. “Desde então, muita coisa mudou. Hoje, o DTG conta com mais de 120 dançarinos, reunindo crianças, jovens e adultos que encontram na entidade um lugar para aprender valores e o orgulho de suas raízes”, destacou.
Ao longo de seu discurso, o patrão também mencionou momentos que extrapolam o lado cultural do DTG, como a abertura do galpão para o acolhimento de cerca de 180 pessoas desalojadas pela enchente de 2024 e, oito anos antes, a conquista do Troféu Quero-Quero no Juvenart, em reconhecimento à participação de uma dançarina cadeirante. “Essa vitória mostrou que a tradição também é lugar de inclusão. Mostrou que a dança pode quebrar barreiras e que todos podem ter o direito de participar, sonhar e conquistar o seu espaço. E mostrou, principalmente, que uma entidade tradicionalista pode preservar suas raízes olhando para o futuro e construindo uma cidade mais acolhedora. Não somos apenas aqueles que dançam a tradição. Somos aqueles que acolhem, incluem e ensinam. Que levam o nome de Novo Hamburgo aos tablados do Rio Grande. E, quando olhamos para trás, encontramos uma estrada construída por centenas de pessoas”, finalizou Rosa.
O vice-presidente da Câmara, Felipe Kuhn Braun (PSDB), reiterou que o trabalho das entidades tradicionalistas vai muito além da conquista de troféus e parabenizou as diferentes patronagens que transformaram a preservação dos costumes gaúchos em instrumento de inclusão, convivência e solidariedade. “Que a chama continue acesa, que as raízes continuem fortes e que muitas outras gerações possam encontrar nesse galpão um lugar de cultura, amizade, família, acolhimento e pertencimento”, frisou.
O vice-prefeito Gerson Haas externou seu encantamento com as diferentes apresentações que permearam os discursos da noite e defendeu a perpetuação do tradicionalismo, mesmo com os desafios encontrados ao longo do caminho. “É algo que precisamos preservar. É o que faz com que continuemos tendo orgulho da nossa terra. O tradicionalismo sempre deu certo, com entidades que promovem inclusão e ensinam os nossos jovens. E o DTG Camboatá nos revela hoje por que está vivo há 40 anos, com tanta coisa bonita para ser mostrada”, enfatizou Haas.
Relatora da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, Professora Luciana Martins (PT) salientou a estreita ligação de Cristiano Coller com as instituições que homenageia e ressaltou a importância das pessoas que construíram o Camboatá. “Quatro décadas não cabem em uma placa, em uma fotografia ou nos troféus que registram sua história. Quarenta anos são feitos de muita gente. Gente que em algum momento chegou cedo para preparar atividades, ensinar passos, organizar apresentações e receber famílias. Pessoas que talvez nunca tenham ocupado um lugar de destaque, mas sem as quais nada disso teria acontecido. E talvez esteja justamente aí a grandeza do DTG. Em um tempo em que muitas coisas parecem passageiras, permanecer durante 40 anos é um feito coletivo. Vocês fazem parte da história desta cidade. Vocês constroem diariamente a nossa tradição”, refletiu Luciana.
Ricardo Ritter – Ica (MDB) rememorou em seu discurso uma de suas últimas visitas ao galpão localizado dentro do Grêmio Atiradores. “Ver as crianças sentadas na frente de seus pais, preparando-se para acompanhar a apresentação da invernada, justifica todos os recursos investidos no DTG Camboatá”, disse o emedebista, que atribuiu às entidades tradicionalistas a capacidade de afastar os jovens da criminalidade. “Nunca vemos nas páginas policiais pessoas que tiveram suas origens dentro de um CTG ou de um DTG. Não veremos essa meninada do Camboatá fazendo algo errado. E por isso precisamos reconhecer esse trabalho de vocês. Que possamos comemorar ainda por muitos e muitos anos as atividades do DTG Camboatá, porque tenho convicção de que de lá ainda sairão outros grandes cidadãos”, reforçou o vereador.
Presidente do Grêmio Atiradores, Sabrina Wildner encerrou os discursos da noite elencando palavras que, em sua visão, justificam a grandeza alcançada pelo departamento ao longo de suas quatro décadas, como dedicação, comprometimento, objetivo, respeito, solidariedade, esforço coletivo e pertencimento. “Quando vamos a uma de suas apresentações, bailes, jantas ou ensaios, o sorriso e a fisionomia das crianças e dos adolescentes mostram que eles pertencem a esse espaço. Que têm amor por ele. E é assim que o Camboatá acolhe as pessoas, com pertencimento. Nós, do Grêmio Atiradores, não medimos esforços para que o Camboatá siga esse filho bonito que é”, assegurou a dirigente.

Assista à sessão solene na íntegra: