CVV destaca importância da escuta e da prevenção ao suicídio durante todo o ano
A data de 10 de setembro foi estabelecida em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela OMS como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. No Brasil, as ações de conscientização foram ampliadas para todo o mês de setembro.
Proponente do requerimento, Luciana ressaltou que a valorização da vida deve ser um compromisso permanente e destacou o CVV como um espaço seguro para quem precisa de acolhimento e de alguém disposto a ouvir, sem julgamentos.
Durante sua manifestação, Tadeu Hoff apresentou uma reflexão sobre a forma como a sociedade costuma tratar pessoas que enfrentam sofrimento psíquico. Por meio de uma história que acompanha diferentes personagens ao longo dos meses do ano, ele mostrou situações em que transtornos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo e outros problemas de saúde mental são tratados com preconceito, incompreensão ou como sinais de fraqueza.
A reflexão chamou atenção para a necessidade de que o cuidado não fique restrito ao Setembro Amarelo. “Os problemas psicológicos não são escolhas nossas e precisamos de ajuda. Não só em setembro, mas em todos os meses do ano”, destacou.
Hoff também diferenciou o ato de ouvir do de escutar. Segundo ele, escutar significa prestar atenção ao que está sendo compartilhado, sem julgamento, sem pressa e sem necessariamente oferecer respostas. “Escutar é com o coração”, resumiu.
O voluntário explicou que nem todas as pessoas que procuram o CVV apresentam ideação suicida. Muitas estão fragilizadas, enfrentam momentos difíceis ou simplesmente precisam conversar e colocar para fora aquilo que estão sentindo. Ele ressaltou ainda que situações de sofrimento podem atingir pessoas independentemente das condições aparentes de vida.
Conforme Hoff, aproximadamente 30 voluntários se revezam nos plantões de atendimento em Novo Hamburgo.
O trabalho também inclui ações comunitárias, como rodas de conversa e palestras, com o objetivo de ampliar a discussão sobre saúde emocional e prevenção ao suicídio. O voluntário destacou que a entidade necessita de mais pessoas para atender à demanda. Segundo ele, aos finais de semana, o serviço recebe entre 8 mil e 12 mil ligações em todo o país. “Cada ligação tem uma importância. Não estipulamos tempo para dar atenção à pessoa que ligou”, explicou.
Hoff também mencionou o grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio, que reúne pessoas que fizeram tentativas e familiares e amigos impactados por um suicídio. Os encontros ocorrem no espaço da Rodoviária de Novo Hamburgo.
Ele ressaltou que os fatores relacionados ao suicídio são diversos e podem envolver aspectos sociais, culturais, biológicos, psicológicos e ambientais. Também alertou para a dificuldade de identificar sinais de sofrimento em algumas situações.
Manifestação dos vereadores
Durante a discussão, o vereador Felipe Kuhn Braun (PSDB) agradeceu a presença de Hoff e a disponibilidade dos voluntários para divulgar o trabalho do CVV.
Deza Guerreiro (PP) destacou a necessidade de que o tema seja abordado durante todo o ano. Ela compartilhou uma experiência familiar relacionada à depressão e relatou que, atualmente, busca dedicar mais atenção aos cuidados com a saúde mental.
Cristiano Coller (PP) ressaltou a importância do grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio e contou que chegou a considerar a possibilidade de atuar como voluntário do CVV, mas percebeu que não estava emocionalmente preparado para lidar com a demanda. O vereador também questionou se a entidade está formalmente constituída de maneira que possa receber emendas parlamentares destinadas à sua manutenção.
Em resposta, Hoff explicou que os voluntários do CVV não são profissionais de saúde mental. Eles passam por preparação específica para realizar a escuta e oferecer apoio emocional, dentro da proposta de atuação da entidade.
Daia Hanich (MDB) também relatou uma experiência pessoal, lembrando o período em que foi mãe adolescente e precisou buscar ajuda. Ela parabenizou os voluntários pelo trabalho desenvolvido e pela contribuição para a preservação de vidas.
O convidado reforçou que os atendimentos são baseados no sigilo e na confidencialidade e reiterou a necessidade de ampliar o número de voluntários para atender à procura pelo serviço.
Ao final, Luciana agradeceu a todos que se dedicam a escutar o outro e destacou a importância de reconhecer no CVV uma possibilidade de acolhimento e de cuidado. A vereadora também questionou Hoff sobre como as pessoas podem se tornar voluntárias da entidade.
Sobre o CVV
Criado em São Paulo, em 1962, o Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, com sigilo e anonimato. Desde 2015, a entidade mantém termo de cooperação com o Ministério da Saúde para a disponibilização da linha gratuita nacional 188.
O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. O atendimento também pode ser realizado pelo site cvv.org.br e presencialmente nas unidades da entidade. Em Novo Hamburgo, a sede está localizada na avenida Pedro Adams Filho, 4859, sala 203, no Centro.
Assista ao programa Vitalidade sobre o tema: