Câmara celebra o cinquentenário da escola estadual Osvaldo Aranha
“Entre 1989 e 1992, atravessei aqueles portões como tantos outros jovens do bairro Ideal. Fiz grandes amigos e conheci professores que, com o passar do tempo, se tornaram minhas referências. Vivi momentos que, na época, pareciam apenas fazer parte da rotina de um estudante, mas que hoje, olhando para trás, percebo que foram alguns dos capítulos mais bonitos da minha juventude”, iniciou o proponente, que pôde ver dois de seus filhos repetirem seus passos anos mais tarde.
“É como se a vida, de alguma maneira, tivesse feito um círculo bonito: eu fui aluno da Osvaldo Aranha e, depois, tive a felicidade de ver meus filhos também fazerem parte dela. Por isso, falar dos 50 anos desta escola, para mim, não é falar apenas de uma data. É falar de lembranças que têm rosto, voz e nome. É lembrar uma escola que mudou com o tempo – e que tive a oportunidade de ver crescer”, prosseguiu Coller.
Fundada como uma escola estadual de ensino fundamental, a Osvaldo Aranha – à época ainda sem o nome do diplomata gaúcho – receberia já em seu ano de estreia um número próximo a 600 alunos. Nas décadas seguintes, outros milhares de hamburguenses se somariam a esses pioneiros, especialmente após a abertura das turmas de ensino médio, em 2007.
“Foi bonito ver a Osvaldo Aranha crescer. Ver chegar o laboratório de informática, acompanhar a importância que o ginásio passou a ter para os alunos e para a comunidade, ver novos espaços surgirem e novas possibilidades serem oferecidas às gerações que vieram depois da minha. Hoje, 50 anos depois de sua inauguração, a Osvaldo Aranha carrega milhares de histórias. Histórias de quem chegou criança e saiu adulto, de quem fez nela seus primeiros amigos, descobriu uma profissão, encontrou uma vocação, conheceu um grande amor ou simplesmente guardou para sempre a lembrança de uma época que não volta mais”, discursou, saudosista.
Presente à solenidade, o presidente da Câmara, Juliano Souto (PL), contou ter feito parte da comunidade escolar quando matriculou seu filho mais velho. “Celebrar cinco décadas de uma instituição de ensino é reconhecer uma história construída diariamente por muitas mãos, por diferentes gerações e por pessoas que acreditaram e que continuam acreditando no poder transformador da educação. Ao longo desses 50 anos, a escola Osvaldo Aranha tornou-se parte da vida de milhares de estudantes. Em suas salas de aula, corredores e espaços de convivência, foram compartilhados conhecimentos, formados vínculos, descobertos talentos e alimentados sonhos”, destacou Souto, que elogiou o trabalho desempenhado pela atual diretora, Verônica de Oliveira.
“Uma escola é feita por professores que ensinam com dedicação, por funcionários que cuidam de cada detalhe, por famílias que acompanham a caminhada dos filhos e, especialmente, por estudantes que dão sentido a todo o trabalho realizado”, completou o chefe do Legislativo.
Vice-presidente da Câmara e presidente da Comissão de Educação e Cultura da Casa, Felipe Kuhn Braun (PSDB) salientou o carinho de seu colega Cristiano Coller pela escola e o brilho que viu em seus olhos ao relembrar os momentos vividos. “Isso mostra como o esforço de cada professor valeu a pena para ti e para tantas outras pessoas que passaram por esses bancos escolares e que hoje fazem a diferença na sociedade”, frisou o vereador tucano, que celebrou a oportunidade de homenagear uma escola e voltar os olhos para seu passado. “Conhecer a história nos ajuda a moldar um futuro melhor para a nossa sociedade e as gerações vindouras. E sabemos que a escola Osvaldo Aranha cumpre esse papel com primazia. Um trabalho coletivo que faz a diferença”, avaliou.
Professora Luciana Martins (PT) comemorou o plenário lotado para reverenciar um espaço educacional e disse compartilhar da felicidade de Cristiano Coller, que elencou a Osvaldo Aranha como uma das principais instituições de sua vida. “Esta Casa tem muitas homenagens, mas homenagear uma escola é o que temos de mais importante”, declarou. Luciana também falou sobre a importância dos laços de amizade entre todos os profissionais, pais e alunos que compõem uma unidade de ensino. “Dessa forma, construiremos uma escola boa, uma cidade boa, um estado bom e um país bom para que todos nós possamos viver. Viva a educação e viva a escola pública.”
Finalizados os discursos parlamentares, Coller entregou um quadro comemorativo à diretora Verônica de Oliveira. Da tribuna, a educadora agradeceu a homenagem e enalteceu a dedicação dos professores e funcionários que a antecederam. “Eu apenas represento esta comunidade tão grandiosa. É uma honra estar à frente desta escola, que se mantém entre as que melhor preparam para o Enem. E isso porque o grupo de professores honra os precursores de 1976. Sem eles, não teríamos esses resultados maravilhosos”, creditou.
“Nossos alunos são frutos de uma comunidade que acredita no poder transformador da escola. Se a escola não está forte, todos os outros pilares da sociedade também ficam enfraquecidos. Nosso compromisso é com os nossos estudantes, em trazê-los para um convívio diferenciado, para que realmente façam a diferença. Temos a preocupação de formarmos jovens capazes de pensar, questionar e fazer escolhas”, explicou a diretora, que direcionou a parte final de seu discurso aos alunos presentes no plenário. “Quando olharem para trás e se lembrarem da Osvaldo Aranha, lembrem-se de que esta escola também é de cada um de vocês. Vocês fazem parte desses 50 anos e dos 50 anos que ainda virão pela frente”, emendou.
Assim como a diretora, Cristiano Coller também exaltou a memória dos muitos profissionais que deram vida à unidade do bairro Ideal. “É uma alegria especial poder homenagear quem fez parte dessa caminhada e quem ainda está presente, professores e funcionários que ajudaram a transformar a escola em uma verdadeira referência para a comunidade. Porque uma escola não é feita apenas de paredes, salas, laboratório de informática e ginásio. É feita de pessoas. De professores que ensinaram muito além das matérias, de funcionários que acolheram famílias e de todos aqueles que, de alguma forma, deixaram um pouco de si nesta história”, acrescentou o vereador, que chamou à tribuna duas educadoras que compuseram o primeiro quadro discente da escola.
Úrsula Neumann lembrou as tratativas que culminariam na inauguração da Osvaldo Aranha. “Em 1975, um grupo de professores, vindos de várias cidades do Rio Grande do Sul, foi convocado para assumir as funções em uma escola que ainda nem existia. Aos poucos, sem perderem o entusiasmo, foram se organizando, com reuniões em um dos pavilhões da Fenac. Juntaram suas coragens e compromissos, formaram amizades e, com toda uma dedicação ao trabalho, deram início à escola que viria a existir. Ajudaram a descarregar os caminhões que traziam as mobílias e auxiliaram na montagem das salas de aula. No início de 1976, a escola estava pronta. Foi um trabalho difícil e cansativo, mas a dedicação e o entusiasmo dos professores fizeram valer a pena. E o trabalho continuou, dando início a este legado”, comemorou Úrsula.
Primeira diretora da escola, cargo exercido entre 1976 e 1983, Maria Nair da Silveira reiterou as dificuldades enfrentadas, mas relatou com carinho o empenho de todos os envolvidos. “Fizemos um trabalho de primeira linha, com todo o mérito aos professores e ao Círculo de Pais e Mestres, que permanece muito atuante. Tenho também muito orgulho dos professores que sucederam os pioneiros”, finalizou.
Assista à sessão solene na íntegra: