Serviço de proteção às mulheres deverá reabrir até o final de junho
Na abertura de sua fala, Betina apresentou dados alarmantes, entre eles os mais de 80 mil casos de violência contra mulheres no Rio Grande do Sul em 2025. Destacou ainda a existência de uma violência velada, que faz com que muitos episódios não integrem as estatísticas.
De acordo com a secretária, o serviço será equivalente ao da atenção primária, atuando na prevenção, na promoção da equidade e na proteção das mulheres. Ela lembrou que a Lei Maria da Penha é bastante eficaz quando a violência já está instaurada.
Com previsão de abertura em junho, a Prefeitura está atualmente na fase de formalização do contrato de aluguel do imóvel. O espaço ficará localizado na região central, para facilitar o acesso, mas em local discreto, a fim de que as vítimas não se sintam vulneráveis ou expostas. No CRM, estarão disponíveis psicólogos, assistentes sociais, advogada, enfermeira e equipe administrativa.
Segundo Betina, o serviço funcionará em parceria com as secretarias de Segurança, Desenvolvimento Social e Habitação e Desenvolvimento Econômico visando também à reinserção das mulheres no mercado de trabalho, considerando a recorrente dependência financeira e a violência patrimonial. Haverá ainda acolhimento em grupo, para que as usuárias possam compartilhar experiências e encontrar apoio mútuo, além de atendimento às crianças envolvidas, evitando a naturalização da violência.
“A violência contra a mulher não tem um viés único e é responsabilidade de todos. Trabalhar em conjunto com as demais secretarias fortalece e sustenta essa rede de proteção”, declarou.
Como forma de quebrar estereótipos sobre mulheres em situação de violência, a secretária indicou a leitura do livro “A dor que nos une”, de Cíntia Chagas e Manuela D’Ávila.
Manifestação dos vereadores
Caju agradeceu a presença da secretária e destacou o esforço do Executivo em implementar o CRM antes do previsto, já que o recurso estaria disponível no orçamento apenas a partir de 2027.
Eliton Ávila (Podemos) reforçou a atuação da Câmara, especialmente da bancada feminina, na luta pela retomada do CRM.
Professora Luciana Martins (PT) avaliou que o CRM é uma política exitosa no enfrentamento à violência de gênero e sugeriu que o serviço incentive a escolarização das mulheres atendidas, fortalecendo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Ricardo Ritter – Ica (MDB) questionou a capacidade de atendimento do serviço, enquanto Joelson de Araújo (Republicanos) perguntou sobre o horário de funcionamento e a possibilidade de plantões aos finais de semana.
Cristiano Coller (PP) agradeceu a disponibilidade da secretária e parabenizou o prefeito pela retomada do serviço.
Enio Brizola (PT) ressaltou a importância de os homens se unirem no combate à violência e questionou sobre a participação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Novo Hamburgo (Comdim).
A secretária informou que o CRM funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e esclareceu que não se trata de um serviço de abrigamento: as mulheres serão atendidas e retornarão às suas casas. Quando necessário, serão encaminhadas a abrigos conveniados. Segundo ela, a proposta é divulgar o serviço junto ao Comdim e às entidades que compõem a rede de proteção.
Sobre políticas voltadas aos homens, Betina destacou que não há taxa de reincidência entre os participantes do grupo reflexivo de gênero em Novo Hamburgo. Por fim, conclamou a população a ampliar o olhar para além do próprio círculo social. “Todas as mulheres importam e todas as vidas precisam ser protegidas”, finalizou.