Câmara debate atendimento do Samu em Novo Hamburgo

por Luís Francisco Caselani última modificação 09/08/2017 17h48
09/08/2017 – Representantes da coordenação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Município participaram da sessão desta quarta-feira, 9 de agosto, a fim de esclarecerem sobre o trabalho prestado em Novo Hamburgo. O convite partiu de requerimento do vereador Enfermeiro Vilmar (PDT), aprovado em plenário. O objetivo era questionar sobre os tempos de resposta para o atendimento, desde o recebimento de ligações até seu direcionamento para a base hamburguense, a falta de reposição de novas ambulâncias e a exposição de dados e estatísticas do serviço no Município.

O coordenador médico do Samu em Novo Hamburgo, Fernando Gerbase, apresentou a estrutura do atendimento. “Temos três ambulâncias no total, duas com técnico de enfermagem, recebidas em 2013, e uma com médico e enfermeiro, que faz o atendimento de casos mais graves e o transporte de pacientes de alto risco de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos. É como se fosse uma mini UTI”, relatou. A unidade também conta com duas ambulâncias reservas. A UTI móvel, recebida em janeiro, já percorreu mais de 24 mil quilômetros. “Por norma, as ambulâncias deveriam ser substituídas a cada três anos, o que não tem sido o caso. Temos uma média de 560 atendimentos mensais. Fizemos um levantamento e identificamos que metade da distância que percorremos é devido a transportes de pacientes de outros municípios”, contou.

Todas as chamadas realizadas ao Samu passam por uma central de regulação, localizada em Porto Alegre. É de lá que vem a liberação para a unidade hamburguense fazer o deslocamento. “Vocês têm o reconhecimento da nossa população. Temos uma dificuldade muito grande no Samu do Estado. A base só desloca quando recebe o chamado”, destacou Vilmar. “Todas as ligações precisam passar antes por um médico regulador da central. Para evitar deslocamentos desnecessários, é importante saber que se deve chamar o Samu só em casos em que pode haver risco de vida. Em caso de coisas menos graves, como febre prolongada e dores, não se deve chamar. Queremos conscientizar a população. Temos o projeto do Samuzinho, no qual queremos visitar escolas e instruir sobre técnicas de primeiros socorros e conscientizar sobre não passar trotes”, complementou Gerbase.

O vereador Felipe Kuhn Braun (PDT) parabenizou a iniciativa. “Sabemos que o treinamento é importante, e é essencial esse trabalho com as crianças”, comentou. Gerbase salientou ainda o trabalho de capacitação realizado com os funcionários da unidade. “A medicina evolui muito rápido. Para estarmos atualizados, todos os funcionários passam por capacitação contínua”, ressaltou o médico.

Região de cobertura

Os vereadores questionaram o transporte de pacientes de outras cidades da região, sem que haja contribuição dos municípios para subsidiar esse serviço. Segundo a enfermeira responsável pelo Samu em Novo Hamburgo, Jalusa Lobel, o auxílio financeiro não é previsto pela pactuação entre Município e Estado. “Não atendemos em outros municípios, mas fazemos transporte. Não podemos recusar o transporte para esses municípios, ainda que eles não contribuam financeiramente com o custeio dos nossos serviços. Mas o nosso Município banca mais do que os 25% acordados”, informou. O excesso de demanda causa, por vezes, a falta de atendimento. “Já aconteceram casos de não termos ambulâncias disponíveis, em dias atípicos. E isso deixa pessoas sem atendimento. Não é negligência do Samu”, explicou.

O vereador Vladi Lourenço lamentou a ausência de representantes da central estadual, também convidados mediante requerimento de Vilmar. “Queríamos mesmo o pessoal de Porto Alegre, em função dos nossos problemas com a regulação”, destacou. O vereador Gerson Peteffi (PMDB) garantiu apoio ao Samu municipal. “Queria estender minha solidariedade a vocês. Vocês estão na ponta do atendimento. Essa vastidão da abrangência prejudica o bom serviço do Samu de Novo Hamburgo. Há muitas cidades com um aproveitamento técnico da nossa cidade. A nossa região está carente, precisamos de um olhar mais atento”, pediu.

A presidente Patricia Beck (PPS) também parabenizou o trabalho realizado. “Sabemos o quanto os profissionais têm dificuldade para cobrir toda essa região. Nossa luta tem que ser por pleitear mais uma UTI móvel. Os municípios não têm obrigação de pagar, porque eles estão inclusos no acordo com o Estado, mas poderia haver um bom senso das administrações”, defendeu. Raul Cassel (PMDB) lembrou que, no início do acordo, municípios vizinhos deveriam contribuir com o custeio. “Vocês falaram bem sobre a cooperação dos municípios vizinhos. A comunidade de Novo Hamburgo não tem por que pagar por um serviço prestado a terceiros, não sem que haja algum tipo de compensação”, argumentou.

O vereador Sergio Hanich (PMDB) pediu mudanças no contrato pactuado para a manutenção do Samu. “Vocês não precisam pagar por um mau serviço prestado pela central de regulação nem precisamos bancar atendimento para municípios que não pagam por isso”, destacou. Gerbase disse que seria possível Novo Hamburgo possuir uma central de regulação, embora os custos sejam altos. Enfermeiro Vilmar solicitou o envio de cópias do contrato de pactuação aos vereadores.

Motolância

Vladi Lourenço questionou sobre a possibilidade da utilização de motocicletas para o atendimento mais urgente. “Tenho minhas restrições quanto à motocicleta, porque expomos os funcionários. Não temos o trânsito difícil de grandes metrópoles. É mais fácil fazermos um acordo com a Guarda Municipal do que colocarmos um funcionário como batedor. Precisaria de um enfermeiro que saiba dirigir motocicleta, e que tenha curso de direção defensiva. Eu entendo que não vale a pena”, concluiu Jalusa.